É unânime em todo corredor de pós-graduação quem bom aluno é aquele que publica. Fico transtornada com a inversão de valores que acontece nos programas. A final onde esta a responsabilidade ao conhecimento e aprendizagem? Como estes programas estão formando novos professores universitários?

Amontoados de artigos científicos correspondem a desenvolvimento de habilidades pedagógicas? Em falar em pedagogia, nossos programas possuem comprometimento em abordar métodos de ensino coerentes com as correntes educativas do ensino atual?

Observo comumente o desprezo dado às teorias da aprendizagem e metodologias do ensino superior pelos professores e alunos de pós-graduação. Afinal estudar estes assuntos não dará, em curto prazo, publicação alguma.

Além de revelar a limitação de muitos orientadores sobre este assunto! Papéis coloridos e avisos em quadros não permitem que o aluno se esqueça das metas de publicação do mês do semestre e do ano.

Qual será o momento em que haverá reflexão sobre abordagens de ensino e possíveis mudança, se alguns programas stricto sensu estão completamente desvinculados da pratica do ensino e da docência superior?

Programas estes que se justificam pela sua essência em formar pesquisador. Assim, chego à conclusão que bom pesquisador é bom professor e professor bom é quem publica, e a melhor régua do conhecimento é a publicação.

Empenho no ensino e aprendizagem eu vejo em milhares de professores do ensino fundamental, que se comprometem com a alfabetização das nossas crianças.

Meus melhores educadores não publicaram artigo científico algum. E os seus publicaram?

Mesmo no meio deste deserto que se chama pós-graduação precisamos ter olhos de águia e tentar perceber para onde estamos sendo levado. Se somos produto do meio, corremos grande risco de nos tornarmos bem parecidos com quem “detestamos”.