• Médicos Cubanos: ação, reação e a quebra de paradigmas

Médicos Cubanos: ação, reação e a quebra de paradigmas

O assunto que tomou conta do momento na mídia e nas redes sociais,  a chegada dos médicos cubanos e as reações que elas ocasionaram!

É necessária a vinda desses médicos? Sim, com certeza! Existem centenas de cidades e consequentemente milhares de pessoas que não tem um médico sequer. Nos grotões desse imenso Brasil, há lugares distantes abandonados à própria sorte pelo poder público, sem acesso a saúde, educação, trabalho e outros itens básicos que condicionam uma vida digna. Essa é uma tentativa mínima de sanar algumas destas deficiências.

A vinda de médicos cubanos irá resolver os problemas da saúde brasileira? Não! Definitivamente não, podem vir um milhão de médicos, de diferentes nacionalidades, que não resolverão, é preciso, além disso, investimento maciço em universidades, hospitais, postos de saúdes e equipamentos para os mesmos.

E porque essa reação tão forte que ocorre por parte dos médicos brasileiros e da mídia, contra ação do governo em importar médicos? Isaac Newton responde com sua terceira lei: A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade”.

A grande questão aqui é que os médicos cubanos são especialistas em medicina da família e preventiva, ou seja, estão focados na saúde e não doença. Diferentemente do que ocorre por aqui, ou seja, vai-se ao médico quando já está doente.

A medicina lucra na doença. Pessoas saudáveis, e este é um paradoxo cruel, destruiriam fábricas de medicamentos que florescem quando médicos receitam mais e mais remédios. Laboratórios não apenas patrocinam bocas livres de médicos para apresentar-lhes novidades como, muitas vezes, dão a eles uma espécie de comissão pelas receitas que os convidados passam a seus pacientes.

Desta forma, ao se colocar médicos entre a “Casa Grande” e a “Senzala”, médicos estes que ao desembarcar no país, afirmaram não estarem preocupados com dinheiro, mas sim, em cumprir uma missão, pode levar uma quebra de paradigmas, e mudar padrões numa sociedade conservadora como a nossa é algo que requer grandes esforços e disposição de lutar contra as forças contrárias.

 Por exemplo, pessoas podem começar a questionar: por que este médico me atende tão bem, mesmo não tendo que pagar R$ 200,00, R$ 500,00, R$ 1.000,00 por uma consulta? Por que este médico não tem um carro zero importado, uma casa luxuosa? Por que estes podem ser chamados simplesmente de médicos, e não de doutores, como ocorre por aqui, o que acaba se alastrando para outras áreas da saúde, direito, às vezes até as engenharias? Quebram-se os paradigmas de profissões supervalorizadas em detrimento de outras.

As hipóteses sobre a reação truculenta dos médicos e dos setores mais conservadores da nossa sociedade são várias, aqui levantei algumas. No futuro veremos quais os ganhos e as consequências desta ação governamental.

Por fim, indico a leitura deste artigo: “A Different Model — Medical Care in Cuba” publicado pelo O The New England Journal of Medicine (NEJM), uma das publicações científicas mais prestigiadas na área da medicina, e uma das cinco revistas cientificas mais importantes do mundo.

By |2013-08-27T20:54:28+00:0028-08-2013|debates|21 Comments

About the Author:

Doutorando em Química. Escreve neste blog as quarta feiras concorrendo com o futebol! O conteúdo varia conforme o humor e as atividades da pós-graduação.

21 Comments

  1. Felippe 28.08.13 at 01:25 - Reply

    Muito boa, e lúdica reflexão sobre a situação.

  2. Priscylla 28.08.13 at 23:06 - Reply

    É Marlon… que interessante e estimulante ler as palavras de alguém que, suponho, tem intimidade com a questões farmacêuticas que reforçam o modelo de saúde focado na doença ainda hegemônico no Brasil. Como bem colocou, existe nessa questão toda uma Representação de Medicina e de Saúde que sente o medo de perda de status, estremecimento de organizações/associações fortes/poderosas, de perda de mercado… Parabéns pelo texto e obrigada pelas reflexões desta noite!

  3. Michele 29.08.13 at 13:48 - Reply

    Como diz Tom Zé “Persistindo os médicos, os sintomas deverão ser consultados”
    Pontos e contra-pontos a parte, o fato é que a contratação dos médicos estrangeiros (especialmente cubanos) serviu também para apontar o descompasso entre um sistema que aspira ser baseado na atenção primária e instituições de formação que insistem em projetos pedagógicos baseados na assistência secundária/terciária. E a luta por um sistema público de qualidade continua.

  4. Flávio Mello 29.08.13 at 14:20 - Reply

    Marlon,

    Não se discute o validade da necessidade de médicos, mesmo nas grandes cidades e muito menos o valor da medicina de família e preventiva.

    Embora o corporativismo médico esteja sentado em berço esplêndido, enquanto a saúde está em crise e pelo menos com 74 deputados federais e mais alguns senadores são médicos e não se mobilizam para elaborar proposta mais consistentes; o principal problema dos médicos cubanos é sua utilização como ferramenta politica…

    Afinal deve considerar que quando o atual governo brasileiro faz parte de um movimento como o Foro de São Paulo que pretende uma revolução bolivariana com fins de formar uma união de republicas socialistas da America Latina; o ministro da saúde faz um convenio secreto com Cuba e mente para a população que estavam avaliando até apresentar o fato consumado com a chegada destes médicos e pior, o governo brasileiro financiará a ditadura castrista através de pagamento direto e não aos médicos cubanos que por sua vez vieram sem poder trazer suas famílias e se tentarem fugir o advogado geral da união já avisou que o Brasil não dará asilo e que os mesmos médicos servirão de agentes de doutrinação politica (veja sua formação) nos rincões do Brasil em uma época pré-eleitoral, não é necessariamente de saúde que estamos falando não é mesmo…

    De qualquer forma, serve para que os médicos avaliem sua contribuição ao modelo atual e reajam a campanha de demonização conduzida pelo governo…

  5. Ricardo 29.08.13 at 15:10 - Reply

    Textinho bem fraco, nitidamente baseado em ranço de classe. Para começo de conversa, quem disse que os médicos daqui exigem ser chamados de doutores? Chamá-los de doutores é só uma resposta aos pronomes de tratamento que eles também usam com os pacientes. A maioria dispensaria esse pronome de tratamento. Depois, quem diz que os cubanos são diferentes em relação a pronomes de tratamento? É só uma suposição boba que o autor está fazendo, sem fundamentação alguma.

    Em relação a supervalorização de classe: o que se tem no Brasil não é supervalorização do médico (embora isto já tenha ocorrido no passado). A maioria dos médicos trabalha mais de dez horas por dia – poucas outras classes trabalham tanto. Ao mesmo tempo, a rotina é extremamente estressante – são muitas dúvidas e poucas certezas, especialmente em um sistema sem infraestrutura. Para mim, valorizar uma classe responsável pela manutenção da saúde é fundamental para que a ela sejam atraídas as melhores mentes.

    • ” Para mim, valorizar uma classe responsável pela manutenção da saúde é fundamental para que a ela sejam atraídas as melhores mentes” ——>#taserto

    • Maurílio Queirós Nepomuceno 01.09.13 at 14:30 - Reply

      Ohhh meu filho. Ignorância tem limite! Nota-se claramente que você não é um leitor desta página, pois sim assim fosse, saberia que “doutor” não é pronome de tratamento e sim um “título” que se obtém ao concluir o doutorado. Leia pelo menos essa matéria e se informe https://www.posgraduando.com/blog/doutor-e-quem-fez-doutorado

  6. Ana 29.08.13 at 16:19 - Reply

    Visão limitada e deturpada da classe médica. Texto fraco e preconceituoso que não combina com o site. Lamentável.

  7. Andreia 29.08.13 at 16:50 - Reply

    Texto esclarecedor, maravilhoso, ótima análise.

  8. Paola 29.08.13 at 16:56 - Reply

    Cada um pode expor sua opinião, mas realmente, muito limitado este texto.
    Faz exatamente o que o governo quer que se faça; “os pobres não tem médico porque os médicos brasileiros são ganaciosos”.
    Ao invés disso, poderia realmente usar os olhos; não é questão de corporativismo ou de médicos que atuam na prevenção.
    O governo Lula FECHOU muitos cursos de medicina com o argumento de que eles não tinham estrutura suficiente (inclusive de instituições públicas) e depois paga para um governo ditatorial mandar médicos em sistema escravagista, sim, porque eles não tem acesso ao dinheiro que nós (cidadãos brasileiros) estamos pagando, e nem vão ter, pois a maior parte do dinheiro (eles terão o seu salário “base”) vai ficar com o governo cubano … ou como podemos pensar … provavelmente será dividido com a campanha eleitoral do partido que fez o “acerto” com o governo cubano.

  9. gustavo 29.08.13 at 17:39 - Reply

    Discordo em parte! Claro que existem diversos tipos de médicos, existem os “vendidos”, os “burgueses” , mas também os que se dispõe a tratar pessoas no SUS recebendo virtualmente nada (6 reais por consulta) entre outras coisas.. então não vale generalizar, é claro que o que “explode” nas mídias e no facebook são os médicos ricos fazendo reclamações racistas , afinal isso é o que vira notícia desde que o mundo é mundo! Também temos que levar em conta que quando houveram as manifestações do Passe livre, a mídia tentou quebrar a união das pessoas criando “setores arruaceiros” , para que os próprios manifestantes se opusessem as manifestações. Por isso temos que ter CALMA e ler os dois lados da conversa!

    Sobre os remédios, acho que nenhum médico parou para pensar nisso, mesmo que posse lhe lesar no futuro. O que eles pensaram a princípio foi “Opa, eu passei num vestibular disputadíssimo, tive anos de estudo e preparação, e agora pessoas menos preparadas vão tentar entrar na minha profissão pela tangente”.
    a maioria das pessoas que se formam (eu mesmo biólogo), não tem a noção da “proteção de vagas no mercado”, ou seja se você é médico, advogado, engenheiro seus conselhos irão garantir que “só você” possa cumprir devida vaga ( Só um médico com CRM + especialidade pode trabalhar em certas áreas do hospital, não um enfermeiro ou qualquer outra formação), advogado tem que ter a prova da OAB para agir, e engenheiros pegam tantas vagas que inclusive áreas que seriam perfeitamente ocupadas por um biólogo ou ecológo podem ser exclusivas para um “engenheiro ambiental” (por que o CREA cai em cima!).
    Agora não vou discutir os lados bons e ruins da reserva de mercado que eles são óbvios, por um lado você garante “um nível mínimo” , por outro várias outras profissões ficam lesadas sem poder competir com essas vagas.

    Temos um exame que seria o equivalente a nossa universidade a “revalida” que permite que médicos de outros países entrem no nosso, eu acredito que ele deva sim ser desnivelado, e a maneira mais “justa” de nivela-lo seria fazer nossos médicos fazerem a prova para termos uma idéia do nível nacional, para então depois cobrar dos outros. Ai a primeira bola fora o governo suspendeu a revalida, eles primeiro disseram que fariam “cursos” para que os médicos de fora fizessem a prova, mas agora escolheram pular essa etapa.

    Todo mundo adora criticar os médicos que não vão para os interiores, inclusive para receber mais… mas tem algo errado nessa história! Quem em sã consciência não iria “querer receber mais” ? Ai vem a pegadinha, os hospitais do interior não tem um bom equipamento, vocês viram o vídeo que o médico postou que um paciente chegou numa emergência e tiveram que fazer intervenção cirúrgica, e quando acabou no hospital inteiro não tinha fio de aço (material baratíssimo?) , e eles tiveram que fechar o peito do cara “de qualquer jeito”. Agora.. se você se submete a isso o que acontece caso esse Sr. morra? Isso mesmo o médico que é culpado (não o hospital), pode ser processado inclusive! Quem quer viver com tanto estresse? E se o médico perder sua licença para trabalhar? Além disso os maravilhosos salários do interior não são tão certinhos não, muitas vezes se perdem e o médico pode receber mês sim, mês não.. ótimas condições de trabalho né?
    Quem trabalha no serviço público sabe que é COMUM faltaram coisas e recursos, porém se na minha profissão faltarem recursos ou coisas, eu posso no máximo perder um experimento (ou uma bolsa), mas não serei processado e poderei continuar trabalhando depois, quando você está lidando com vidas humanas a coisa muda de figura.

    Outro ponto que os médicos reclamaram, muitos dos Brasileiros que se inscreveram para o programa MAIS MÉDICOS (minha mãe inclusive), simplesmente não foram chamados! Ou seja algum problema do governo fez com que os médicos BR ficassem com a fama de “Não querer ir para o interior” e os cubanos como “salvadores da pátria”, fica a impressão que o próprio governo segurou as vagas para os cubanos.

    Os médicos cubanos são igualmente vítimas (sem sequer saber), eles vieram ao Brasil para receber uma bolsa de 10 000 reais, só que desses 10 000, eles vão receber 2 000! 8000 vai direto para o governo de Cuba.. eu não sei você , mas se algum dia for para qualquer outro país com uma bolsa ela será integralmente minha! Ai uma colunista começou a comparar isso com escravidão , afinal os médicos que vierem de cuba não poderão se demitir, não vão ter os direitos trabalhistas (bolsa), não terão visto, não poderão trazer seus familiares, num sistema semelhante ao que os grandes latifundiários fazem para “escravizar” a mão de obra, dando uma “casa” e o necessário para o cara viver em suas terras, vivendo eternamente em dívida sem nunca poder se demitir(além de receberem abaixo do piso da categoria). Quando essa colunista fez esse comentário as pessoas logo falaram “NOSSA SÓ POR QUE SÃO NEGROS VOCÊS OS CHAMAM DE ESCRAVOS”, então com essas palavras como um passe de mágica todos ficaram felizes e coniventes ao sistema que esses médicos vão ser submetidos. Outra, num comentário de uma das médicas cubanas ela disse que “receberá o suficiente”, mas ela não sabe é “o suficiente para onde?” as noções de valores deles é de cuba, dá para saber se com 2000 dá para viver bem no Brasil todo?

    —-

    Acho que coisas positivas vão nascer dessa vinda dos médicos cubanos (e de outros países). Mas vai ser uma mudança e como toda mudança começa com resistência! A primeira foi o “golpe no ego” dos médicos que se consideravam sim uma casta superior ,e todos garantíamos que eles ficassem achando assim: Tinham reserva de mercado, chamamos eles de doutores, vestem-se diferente na universidade, e é um curso que até agora é quase completamente composto de pessoas “ricas” (o que está mudando com as cotas). Eles tinham tudo para achar que eram superiores aos demais, e agora estão aprendendo que são apenas trabalhadores como todos nós.

    A segunda coisa é.. a principio a saúde vai sim melhorar com atendimento e acompanhamento de mais médicos em áreas sem nenhum suporte, mas logo vão vir a tona a falta de hospitais e equipamentos que irão afligir esses novos médicos também.

    Mas coisas ruins irão surgir também, o governo deu um “golpe” numa classe de trabalho e eles não tiveram nenhuma defesa no caso, como todos temos uma certa urticária dos “médicos” achamos engraçados, mas e se fosse em outra área? Se fossem professores? E se o governo o fez uma vez, o que impede de fazer de novo?

    Acho que tem um lado burro dos dois lados da discussão, e as pessoas se jogam muito rápido para qualquer lado e começam a achar que tudo do outro lado é errado! Eu acho que você não pode confiar 100% em nada, eu olho com muita ressalva ambos os lados.. e espero que depois que saia do nosso sistema toda essa vantagem de antagonizar TODA UMA CLASSE DE TRABALHADORES, agente pare para reparar que também não é bem assim preto no branco não! Eu por regra tento não acreditar em nenhum dos lados para poder ler os dois e ver o que tem sentido , para depois formar minha própria opinião.. não vou acreditar na veja, assim como não vou acreditar na carta capital.

  10. Emanuela 29.08.13 at 19:58 - Reply

    Gostei muito do seu texto Ricardo, bela reflexão! Desde que comecei a acompanhar a polêmica em torno do assunto a sua opinião foi até então a mais sensata.

  11. Fernanda 30.08.13 at 00:32 - Reply

    Marlon, acho que seu texto peca no momento em que aceita que a vinda de médicos estrangeiros é necessária pq médicos brasileiros não aceitam trabalhar no interior para ganhar mais nos grandes centros. Isso é uma ideia totalmente deturpada que a mídia e o governo empurram para a população. A realidade é que a grande maioria dos médicos trabalha em dois ou três plantões semanais, a maioria atua no SUS ou no setor público e poucos tem consultórios cheios cobrando fortunas pela consulta. Essa ideia estereotipada de médico de novela das oito não condiz com a dura realidade da grande maioria dos médicos brasileiros. Posso te afirmar isso pq trabalho no SUS (não sou médica) e vejo médicos trabalhando em situações calamitosas, sem remédio, sem exames, pediatra fazendo vaquinha pra comprar remédio de piolho para criança. Em segundo lugar, é importante frisar que, para o médico, se estabelecer no interior é financeiramente melhor do que permanecer nas capitais. No interior o salário é mais alto. Há municípios oferecendo 30 mil de salário para médico e ninguém fica. E sabe porque os médicos recusam? Porque esse dinheiro nunca chega. É muito fácil falar “estamos oferecendo 10 mil por mês e os médicos mercenários preferem ficar nas capitais e ganhar 40 mil”. Ninguém fala que esse dinheiro é repassado para prefeituras, os prefeitos e secretários desviam boa parte do dinheiro e no fim o médico leva calote. Isso é absolutamente conhecido por todos os médicos. Acontece diariamente. Nenhum profissional, em sã, consciência, vai largar sua cidade, sua família, seu emprego para levar calote no interior. Em terceiro lugar, há questões legais a se discutir: médicos cubanos não terão registro no Conselho por não fazerem o Revalida. Se quem pune o médico em caso de erro médico é o Conselho, quem vai punir o médico cubano em caso de erro? Em quarto lugar, não parece absurdo que o pagamento seja feito diretamente ao regime cubano? Não parece absurdo que o médico fique apenas com 10% enquanto Cuba embolsa 90% do seu salário? Desculpe Marlon, respeito seu ponto de vista mas essa história parece muito mais complexa do que parece. Creio que não se trata de médicos bem intencionados que vão mudar um paradigma. Me parece que médico, ultimamente, é o mais novo produto de exportação cubano. Eles são obrigados a vir, dizer palavras bonitas como “não trabalhamos por dinheiro” ou “queremos fazer o bem”, entregam quase todo seu salário para seu país e sobreviverão no Brasil com um valor inferior a uma bolsa de mestrado.
    Não tenho a fórmula para resolver o problema da saúde pública no Brasil mas basta pensar o que tem dado certo: pq não fazer concursos nacionais, na qual o médico seria funcionário federal com estabilidade, salário garantido, direitos trabalhistas e possibilidade de subir na carreira? É assim que leva-se juízes, promotores, delegados, militares, etc pro interior. Pq não melhorar os programas de saúde da família com enfermeiros e agentes de saúde que possam acompanhar pre-natal ou reconhecer desnutrição infantil? Pq trazer um médico de outro país para isto? Enfim, mais uma vez vem o governo com suas soluções prontas, fazendo crer que está trabalhando duro para melhorar a saúde no Brasil. Eu não acredito nisso.

  12. Rafael Santos 30.08.13 at 10:31 - Reply

    ANATOMIA DE UMA ILEGALIDADE

    Não pensem em correntes. Em algemas. Em porões fétidos. Em gente suja e maltrapilha. Estes são os escravos normalmente libertos das pequenas confecções das grandes cidades, vindos de países miseráveis.

    Agora pense em pessoas vestidas de branco. Com diplomas universitários. Que exibem sorrisos simpáticos e uma grande alegria em servir o próximo, como se estivessem em uma missão humanitária. Estes são os médicos escravos cubanos que o Brasil vai traficar, cometendo toda a sorte de crimes hediondos contra os direitos humanos, que só republiquetas totalitárias, a exemplo da Venezuela, ousaram cometer.

    E vamos aqui deixar ideologias de lado. E até mesmo as discutíveis competências profissionais. Vamos ser civilizados e falar apenas de pessoas, de seres humanos, de gente.

    O Brasil democrático é signatário de uma dezena de tratados internacionais que protegem os trabalhadores. No entanto, o Governo do PT está firmando um convênio com Cuba, um país que está traficando pessoas para fins econômicos. Cuba esta vendendo médicos. Cuba utiliza de coerção, que é crime, para que estes escravos de branco sejam enviados, sem escolha, para onde o governo decidir. Isto é crime internacional. Hediondo. Que nivela o Brasil com as piores ditaduras.

    E não venham colocar a Organização Pan Americana de Saúde como escudo protetor destes crimes contra a Humanidade. É uma entidade sabidamente aparelhada por socialistas, mas que, ao que parece, pela primeira vez assume o papel de “gato”, o operador, o intermediário, aquele que aproxima as partes, que fecha o negócio, que “lava” as mãos dos criminosos que agem nas duas pontas. Não há como esconder que o Governo do PT está pagando a Ditadura de Cuba para receber mão-de-obra em condições análogas à escravidão, como veremos neste post.

    O trabalhador estrangeiro tem, no Brasil, os mesmos direitos de um trabalhador brasileiro. Tem os mesmos ônus e os mesmos bônus. Não é o que acontece neste convênio que configura um verdadeiro tráfico em massa de pessoas de um país para outro. Os escravos cubanos não pagarão Imposto de Renda e INSS. Sobre um salário de R$ 10 mil, deveriam reter mais de R$ 2.700. Pagariam em torno de R$ 400 de INSS. Mas também teriam direito ao FGTS, ao aviso prévio, às férias, ao décimo-terceiro salário. Não é o que acontece. O escravo cubano não recebe o seu salário. Ele é remetido para um governo de país. É como se este país tivesse vendido laranjas. Charutos. Rum. Ou qualquer commodity. A única coisa que o trabalhador recebe é uma ajuda de custo para tão somente sobreviver no país pois, em condição análoga à escravidão, este médico cubano receberá alojamento e comida das prefeituras municipais. Trabalhará, basicamente, por cama, comida e sem nenhum direito trabalhista.

    Outro crime do qual o Governo do PT é mentor, é idealizador, é fomentador, é financiador, é concordar com as práticas de coerção exercida por Cuba quando vende os seus médicos escravos. O passaporte é retido pela Embaixada de Cuba no Brasil. A família fica em Cuba, sem poder sair do país. O escravo cubano não pode mudar de emprego, pois se o fizer a sua família sofre perseguição. Existe ameaça. Existe abuso de autoridade. Existe abuso de poder econômico. Existe retenção de documento para impedir a livre locomoção. Existe lesão ao Fisco. Sonegação. E, por conseguinte, sendo dinheiro originário de crimes, remessa ilegal de divisas do Governo do PT para a Ditadura de Cuba.

    Este convênio que o Governo do PT está fazendo com Cuba não resiste a uma fiscalização do Ministério do Trabalho e a uma auditoria do Ministério Público. São tantos os crimes cometidos contra a Humanidade e contra os Direitos Humanos que envergonham a todos os brasileiros. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, candidato ao governo de São Paulo, deveria ir a ferros junto com os bandidos mensaleiros do seu partido. A ministra dos Direitos Humanos, Maria o Rosário, está em silêncio obsequioso.

    A partir do momento em que 4.000 cubanos botarem o pé no solo brasileiro, nosso país terá se transformando num campo de concentração e numa imensa prisão para escravos políticos. A nossa Constituição será rasgada, pois:

    Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

    (…)

    III – ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante;

    Da mesma forma, o Governo do PT está jogando no lixo o Decreto nº 5.948, de 26 de Outubro de 2006, que trata da Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, que tem definições fundamentais sobre o tema:

    Art. 2°. § 4o A intermediação, promoção ou facilitação do recrutamento, do transporte, da transferência, do alojamento ou do acolhimento de pessoas para fins de exploração também configura tráfico de pessoas.

    Art. 2°. § 5° O tráfico interno de pessoas é aquele realizado dentro de um mesmo Estado-membro da Federação, ou de um Estado-membro para outro, dentro do território nacional.

    Art. 2o. § 6° O tráfico internacional de pessoas é aquele realizado entre Estados distintos.

    Art. 2° § 7o O consentimento dado pela vítima é irrelevante para a configuração do tráfico de pessoas.

    Ou seja: o que determina se existe a escravidão não é o depoimento do escravo, pressionado por dívidas, sem documentos ou tendo a integridade da sua família ameaçada, mas sim o que a sua situação configura, mediante fiscalização.

    Com a importação em massa dos médicos escravos cubanos. os acordos internacionais firmados pelo Brasil contra a escravidão serão derrogados. Não seremos mais uma democracia. Se alguém tem alguma dúvida sobre isso, leia o MANUAL DE COMBATE AO TRABALHO EM CONDIÇÕES ANÁLOGAS ÀS DE ESCRAVO, publicado pelo Ministério do Trabalho.

    E sinta vergonha, talvez um pouco de medo, de ser brasileiro.

    Eu desafio o Governo do PT a exigir que o médico cubano tenha em mãos o seu passaporte.

    Eu desafio o Governo do PT a exigir que o médico cubano tenha uma Carteira de Trabalho.

    Eu desafio o Governo do PT a depositar o salário do médico cubano em uma conta pessoal, que lhe garanta livre movimentação.

    Eu desafio o Governo do PT a garantir todos os direitos trabalhistas ao médico cubano.

    Eu desafio o Governo do PT a cumprir a Lei, a Constituição e os Tratados Internacionais.

    Heyde Maia

    • Sergio 30.08.13 at 15:43 - Reply

      vc é infantil

  13. Walquiria 30.08.13 at 12:34 - Reply

    Excelente reflexão! Parabéns e obrigada por esclarecer algumas questões!

  14. Macelo Távora 30.08.13 at 19:01 - Reply

    Marlon, bom texto, parabéns!
    Percebo que alguma pessoas aqui tecem críticas porque você esqueceu de falar sobre “isso” ou “aquilo”. Seria bom que essas pessoas soubessem mesmo interpretar um texto e ler a seguinte passagem sua: “As hipóteses sobre a reação truculenta dos médicos e dos setores mais conservadores da nossa sociedade são várias, aqui levantei algumas.”

    É isso compa.

    Abraços

  15. Rafael Luna 31.08.13 at 09:47 - Reply

    O texto (assim como o Programa Mais Médicos) parte de uma errada premissa: há carência de médicos no Brasil. Não, não há. A título de exemplo, o Chile tem aproximadamente 1 médico/1000 habitantes, mas apresenta indicadores de saúde muito superiores aos nossos (1,7 médicos/1000 habitantes) ou Argentina (3/ 1000 habitantes). E a explicação é muito simples, o governo chileno investe muito mais e tem uma gestão melhor em saúde pública do que o Brasil, ou seja, o problema é político e não mão de obra. Sabiam que o CFM e SBMFC vem apresentando há mais de 10 anos um plano de carreira de estado para médicos, baseado no modelo hoje vigente no judiciário, a fim de interiorizar o médico brasileiro, mas o governo sempre deu de ombros e agora criou essa medida “emergencial” ?

    Vários países investem na importação de médicos, Canadá, Inglaterra, EUA, mas todos com validação, eles estimulam a migração de cérebros, afinal contarão com um profissional comprovadamente qualificado e pelo qual o país não investiu um centavo na formação. Por outro lado, o governo brasileiro, ao eliminar a necessidade de avaliação, estimula a vinda de qualquer profissional, sabe-se lá a qualificação deste.

    Por fim, ainda que efetivamente fosse julgado necessário o programa, para ser conduzido com seriedade, seria importante ensejar um amplo debate na sociedade para, então, o projeto ser criado. O que vimos foi o Ministro da Saúde em um mês dizer que viriam médicos cubanos, uma semana depois não viriam mais e chamariam médicos de todos os lugares do mundo, após ocorrido tudo isso, de maneira súbita, o ministro ressurge dizendo que o cubanos viriam sim e três dias depois eles já estavam aqui. Manobra política grosseira.

    • Rafael Santos 31.08.13 at 19:51 - Reply

      Manobra política mesmo. Além disso, burlaram a constituição de uma forma que assusta. Não temos mais congresso!

  16. Daniel 09.10.13 at 12:29 - Reply

    Péssima análise! Quanto governo está lhe pagando!? Superficial e ridícula! Ana que vem acabamos com a ditadura do século 21 no Brasil! Marina é oposição chegando! Chega de totalitarismos!

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