Desistir da carreira docente? Jamais!

De fato, a carreira docente no nosso país vem se tornando cada vez menos atraente. Fatores políticos e econômicos parecem se esforçar tramando um boicote majestoso contra aqueles que ainda se alimentam da ideologia de que a docência tem o poder de transformação.

Não quero entrar no mérito da questão nem mesmo citar fatos que me levam a pensar isso. Quero falar como uma pós-graduanda que está aqui porque um dia, sentada numa cadeira escolar, se imaginou do lado de lá das cortinas, frete a um grupo de pessoas em formação, jovens, curiosos, esperançosos e sonhadores, tentando fazer parte dessa transformação homeopática. Esperançosa, como eu era durante a graduação, como eu ainda sou toda vez que estou sentada em uma dessas cadeiras.

Muitos docentes passaram na minha vida, e de cada um deles eu carrego um pouco. Pessoas que foram além da sua função de lecionar, elas queriam transformar. Seja uma turma ou, já se sentiam muito felizes quando contribuíam para transformação de apenas aluno.

Reconheço que o investimento na educação não é um dos mais atrativos, pensando no marketing político, pois os frutos são colhidos ao longo do tempo e ninguém quer semear em algo que só frutificará nos governos seguintes. Seguindo essa lógica egoísta e partidária, o Brasil se amarra e patina num limbo sem fim.

Mesmo assim, eu ainda acredito que a docência tenha o poder de mover montanhas e transformar gerações. Transformação essa que caminhe no sentido do polimento critico, na evolução comportamental e na disseminação do conhecimento empático e aplicável para jovens que estão se formando com profissionais e, sem deixar esquecer, como seres humanos, principalmente.

O interesse financeiro não deve transpor a paixão pelo que nos propomos fazer, mas este não deveria ser, nunca, um empecilho.

Quero aqui deixar alguns recados para quem está iniciando nessa vida para se formar um docente ou já está concluindo as etapas.

1. Você vai cansar, não tenha dúvidas. Haverá dia que a tua ambição pessoal não te convencerá de levantar da cama para ir ao laboratório em um domingo qualquer. Quando isso acontecer, não pense em você, pense que quantas pessoas você vai deixar de encorajar ou mobilizar caso você seja vencido pelo cansaço.

2. Quando você pagar suas contas, ao cair sua bolsa, e restar alguns tostões para os outros 25 dias do mês, não seja aquele disco ralado que fica reclamando da bolsa. Seja aquele pós-graduando que vai em busca de melhorias. Caso se recuse ir, não reclame e aceite sua condição.

3. Seguindo a mesma lógica do item anterior, quando você conseguir passar em um concurso para professor universitário e, ao final do mês, tiver que juntar os tostões pra completar o mês, não seja aquele disco ralado que fica reclamando do salário e sempre se lamentando de quanto os docentes são mal remunerados. Seja aquele docente que luta por melhorias e reconhecimento da classe. Caso se recuse ir, não reclame e aceite sua condição.

4. Quando você encontrar algum “pavão” narcisista no seu caminho, mire bem, o analise bem. Observe e pontue todos os itens possíveis e guarde isso na sua memória para que você nunca cometa os mesmos erros na sua trajetória. Tudo que uma sala de aula não precisa é de um eco conjugado na primeira pessoa do singular.

5. Respeite seus colegas de trabalho, os ajude, ajude o seu grupo progredir e se consolidar ainda mais. Respeite seu orientador, se ele não for digno de respeito, tenha amor próprio e vá embora. Existem orientadores excelentes, que são gente antes de chefes.

6. Tendo tudo isso em mente, descanse sua cabeça no seu travesseiro e durma tranquilamente todas as noites. E já tendo passado por tudo isso, dissemine o seu exemplo e contribua para a formação de novas pessoas. Nossa classe precisa de bons exemplos.

Texto escrito por Elizabeth de Orleans Carvalho de Moura, fisioterapeuta, mestre em Ciências da Saúde (UNIFESP), e doutoranda em Ciências da Saúde (UNIFESP).

By |2018-12-06T01:56:15+00:0009-10-2015|debates|33 Comments

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33 Comments

  1. hum, e faltou falar da carreira docente da educação básica, essa sim, barra pesada!

    • Alex Vazzoler 09.10.15 at 10:16 - Reply

      é só estudar para não virar professor do ensino básico .. deixe os pedadogos e o pessoal do normal superior se ferrarem com isso.

    • Não quis falar de modo pejorativo, e sim dizer que ser professor de ensino superior não é ruim assim, não! e pra quem tem doutorado é mesmo a única saída para ganhar um salário compatível.

    • Louise Cervo Spencer 09.10.15 at 10:39 - Reply

      Deixar para os pedagogos e normal superior se ferrarem com a educação básica? Primeiro, a escola básica, e principalmente pública, merece também gente qualificada para que se busque melhorias. Todos os níveis possuem seus ônus e bônus. Não estou dizendo que dar aula na educação básica não tenha seus problemas e dificuldades, mas também não é o terror como muitos fazem questão de falar!! Segundo lugar, pedagogos e o pessoal do normal superior, como tu disseste, também são professores e, assim como qualquer outro, não merecem “se ferrar” conforme tu falaste. Existem pessoas que não tem a ambição de fazer um doutorado e dar aula em ensino superior. Isso não os faz menos professores do que os que estão na vida acadêmica. Pensemos melhor nas nossas palavras!!!

    • Alex Vazzoler, geniozinho de plantão… acha que é tão fácil assim é?

    • Marciliano Silva 09.10.15 at 10:56 - Reply

      Alex, quando li seu comentário comecei a imaginar o tipo de aluno de educação básica que você foi, mas acho que nem na escola você ia, pois não sabe a IMPORTÂNCIA do professor de ensino fundamental e médio!

    • Valéria Bezerra 09.10.15 at 11:55 - Reply

      Sou da Ed. Básica há 20 anos…É agora adentrando no ensino Superior. .. Percebi que muitos só tem título Dr… Experiência que é bom nadaaaaaa…mau mau a da pesquisa da tese…e pior ainda lecionam em cursos de licenciatura. .. Triste por eles… inúmeros são frustrados. ..

      • Rony Corrêa 05.11.15 at 18:15 - Reply

        Concordo plenamente com você. Na graduação em Engenharia Civil tive professores que nunca construiram uma casinha de cachorro, totalmente desatualizados nos métodos construtivos modernos e materiais novos. Alguns chegavam ao cumulo de lecionar em cima de normas já revogadas da ABNT. E sabe porque isso? Falta de experiência profissional e conhecer o que acontece do lado de fora da sala de aula ou laboratório.

    • Daniel Garcia 09.10.15 at 12:51 - Reply

      Admirei o comentário da Valéria Bezerra. É realmente isso mesmo que está acontecendo!

    • Regina Vianna 13.10.15 at 20:30 - Reply

      Sou professora de ensino técnico integrado e sempre digo o quanto adoro trabalhar com eles, mil vezes do que o nível superior. Tenho orgulho de ver meus alunos crescerem como profissionais. Acompanho suas escolhas e suas vitórias. Vou fazer doutorado por gostar da pesquisa, mas confesso que em muito a academia, a vaidade acadêmica muitas vezes me da na paciência.

  2. Marcelo Lopes 09.10.15 at 09:56 - Reply

    Algumas dúvidas, mas eu sigo acreditando.

  3. @daniambiental 09.10.15 at 10:06 - Reply

    ta difícil pq exigem graduação X c/ pos X. tenho graduação X e pós Y. =/

  4. Alex Vazzoler 09.10.15 at 10:15 - Reply

    Principal motivo .. quem tem doutorado não consegue qualquer tipo de outro emprego .. tentam dar um significado hipócrita a falta de opção.

    • Liliane Lima 10.10.15 at 12:06 - Reply

      Se conta nos dedos quem é doutor e trabalha como pesquisador em grandes instituições… Os doutores que não são docentes ou os que só são doutores pelo “plano de cargos e carreiras”.

  5. Janaina Braga Braga 09.10.15 at 10:55 - Reply

    Muito feliz a colocação da autora do texto. Simples e direta.

  6. Hudi Bonfim 09.10.15 at 12:54 - Reply

    Todos os problemas na educação é histórico e cultural!

  7. Marcelo Soares 09.10.15 at 15:07 - Reply

    UMA DAS CLASSES MAIS DESRESPEITADAS E DESVALORIZADA NESSE PAÍS

  8. Fellipe Cuengas 09.10.15 at 16:26 - Reply

    Tô começando a trilhar esse caminho..

  9. Cazuza Carlos 09.10.15 at 18:18 - Reply

    Creio que ainda verei a transformação deste país e, pessoas como vc me fazer querer cada dia mais ajudar neste processo. ..

  10. Rodrigo 10.10.15 at 00:09 - Reply

    E quando faltar dinheiro para ir naquela comemoração do amigo, por ter sido promovido e que vai ganhar 3x mais que você? Não acho que refletir sobre isso me torna um “pavão narcisista”, pois a carreira é sim injusta e sub-humana em alguns casos (o que me fez desistir do tal sonho que mecionou acima). Ignorar a questão financeira é ignorar o mundo inteiro ao seu redor; e não falo sobre ter um celular da moda e sim coisas simples que qualquer trabalhador tem direito como um fundo de garantia, plano de saúde, vale alimentação, transporte e refeição. Mas não temos isso, pois somos meros estudantes… De 30 anos!

  11. Graziele Nogueira 10.10.15 at 08:57 - Reply

    Elisabeth, que rico o seu texto. E não vale apenas para nossa vida na academia, mas fora dela também. O tópico 5 então deveria ser inspiração para vários dos meus colegas. Tive ótimos mestres, alguns nem lembro o nome, mas lembro da postura, do gosto pelo que faz, do profissionalismo. Na graduação tive um professor – Homero Nunes, jornalista, sociólogo e historiador, soldado raso como ele mesmo diz, mas firme no fronte – que me inspira ainda hoje. Meu orientador dedissertação é um SER HUMANO e um profissional cuja qualificação nas suas várias páginas de Lattes não é digna de o representar. E de todos eles espero conseguir reproduzir o que cada um tem de melhor. E do seu texto também. Super abraço.

  12. Não curti o texto. Visão muito simplista e superficial da realidade da docência no país. É algo muito mais complexo para ser tratado dessa forma, no estilo “não faz mais que sua obrigação”. Típico de alguém que certamente ainda precisa ter muito mais experiência na área para ter uma boa visão sobre o assunto.

    • Lucas 01.11.15 at 21:14 - Reply

      Concordo com você, Carla.
      Acho que o texto apresenta uma visão romantizada da carreira.

  13. Bruno Serva 05.11.15 at 19:51 - Reply

    Ótimo texto, nos ajuda a lembrar de olharmos para dentro antes de olhar para fora! Obrigado

  14. Hélio Andrade 14.11.15 at 02:36 - Reply

    Sou professor de curso técnico e gosto muito do que faço. O texto é motivador, mas precisa ser destacado que dinheiro na conta para pagar o básico de sua existência é igualmente relevante. Dinheiro no bolso faz falta…

  15. Renata 16.02.16 at 22:24 - Reply

    Estava pensando em parar o doutorado na metade. Depois desse texto tomei a decisão de vez. Não tenho bolsa e meu orientador só sabe humilhar chamando todos de idiotas. Tô fora!

  16. Daniel 25.06.16 at 00:41 - Reply

    O site diz nas regras de envio de textos colaborativos: “Fizemos uma revisão em nossa política editorial e, ao invés de publicarmos os costumeiros chororôs e mimimis, daremos prioridade aos tutoriais, ou seja, focaremos a partir de agora na resolução de problemas do cotidiano do pós-graduando.”

    Fico pensando na quantidade de desabafos que chegaram e transformariam o site em um velório. Já que não posso publicar meu desabafo como texto principal, vou deixar aqui nos comentários…

    É uma farsa! Ilusão e sabemos disso! Persiste-se em pesquisa e na busca de um título de doutorado ou vaga de professor universitário por puro viés de confirmação (querer acreditar acima de qualquer coisa). Alguns suportam fazer pesquisa para rechear o currículo para concursos e outros suportam dar aulas esperando um dia entrar numa universidade federal para dar aula, já que dar aulas do nível médio pra baixo é pedir pra morrer (infelizmente as crianças chegam a universidade com quase a mesma cabeça e comportamento). Fiz graduação, mestrado e doutorado numa universidade federal, um ciclo de 10 anos. Sofri, vivi e assisti, e fiquei sabendo de todo tipo de trapaça, mesquinharia, molecagem, fofoquinhas, perseguição pra afetar meus orientadores (que não podiam ser afetados diretamente e tiveram seus orientando atacados). Tive trabalhos roubados (artigos e patentes), mesmo ajudando a tantas pessoas pelo bem do princípio da multiplicação do conhecimento e colaboracionismo. Fiz parcerias com pessoas de outras instituições federais e tudo isso é um lixo. O meio acadêmico é uma mistura de Game of Thrones com Senado Federal. Muita sujeira, esquemas e conspirações a troco de nada (até parece que vão ganhar o Nobel). Não adianta trabalhar sério, vão te definir pela aparência, dinheiro, poder que acham que você tem, e utilidade (que te fará ser muito “querido”).

    O meio acadêmico universitário não é um ambiente mais maduro, consciente, honesto, evoluído ou respeitador. É um reflexo da sociedade. Muitos dirão “mas em todo lugar é assim”. Questão então de avaliar o custo benefício pois de gari ninguém quer trabalhar (embora como gari você não gere ilusões). Não se pode esperar nada de salvador para o país vindo desses “cérebros” que estão mais para intestino grosso da nação. Nesse ambiente tem mais respeito o professor que pega as alunas, o que exige ser chamado de doutor até pra tomar um café, o que acumula cargos pra praticar assédio moral, o que fala palavrão, o que rouba ideias e pesquisa até de PIVIC, o que enrola a aula com recortes de figurinhas e colagem em nome da “didática” imbecilizante aprendida na licenciatura (onde por sinal boa parte do tempo se ensina a reduzir o conteúdo a 10% do total ou se faz propaganda comunista). Hoje tenho um currículo até bom (todos dizem e tenho criticismo pra saber) para concorrer a uma vaga numa federal, mas desisti. O resultado nunca é proporcional ao esforço. Muitas vezes é melhor negócio ter uma vagina que um cérebro, pois permite conseguir mais artigos e até arrumar que faça a tese pra você (algumas merecem a ajuda, outras mal sabem simular que foi de propósito).

    E nem falei das seleções de mestrado onde o valor da prova cai para 50% da nota (os outros 50% são de um currículo biônico montado pelos orientador do aluno que já está na federal), tornando impossível um aluno que venha das particulares fazer mestrado numa federal.

    De nada vale ganhar o mundo e perder sua alma. A cada concurso que vejo está mais concorrido. Se a 10 anos eram 5 candidatos por vaga eu já cheguei a ver 80 (claro que a maior parte desiste da prova no dia). Concursos arranjados numa frequência que deveria ser denunciado ao Fantástico (já que tem mais visibilidade nacional) só para usarem suas câmeras escondidas e deixar os senadores brasileiros menos desamparados. Secretários que roubam bolsas e deixam alunos de mãos atadas sem poder denunciar por medo de ficar sem renda ou para evitar que um conhecido ou parente perca a bolsa. Alunos de iniciação científica imbecis que compram brigas de seus orientadores e deixam de falar com os colegas que são orientados por outros professores. E pior, acham que se não agirem de acordo com essas práticas estão sendo otários, e a coisa assim se eterniza, nascendo mais um criminosos sendo incubado para o próximo concurso montado. E aí vem mais um(a) metido(a) a esperto(a) com seus recortes de figurinhas, palavrões, paqueras, faltas, propaganda do currículo e dos títulos.

    Para sobreviver você sempre precisará de um favor, que mais tarde será cobrado por um dos muitos secretários de satã que vivem nas universidades federais e te farão de otário para o resto da sua vida a acadêmica. E você se verá com mais idade dizendo como já ouvi de muitos professores: eu devia ter seguido outra carreira, eu devia ter feito direito, eu devia ter investido na bolsa, eu devia ter aberto um comércio, eu devia ter feito medicina.

    O bem eu não sei se existe, mas o mal eu tenho certeza absoluta e não é teoria científica.

  17. Daniel 29.09.16 at 20:31 - Reply

    Fiz um resumo de um desabafo que já tá em 27 páginas. Segue abaixo as verdades que não te contam:

    Eu desisti e me faz mal só de ter insistido em conviver com as pessoas que convivi e tratar todos bem.
    Universidade é uma farsa! Ilusão e sabemos disso! Persiste-se em pesquisa e na busca de um título de doutorado ou vaga de professor universitário por puro viés de confirmação (querer acreditar acima de qualquer coisa). Alguns suportam fazer pesquisa para rechear o currículo para concursos e outros suportam dar aulas esperando um dia entrar numa universidade federal para fazer pesquisa (baita ilusão), já que dar aulas do nível médio pra baixo é pedir pra morrer (infelizmente as crianças chegam a universidade com quase a mesma cabeça e comportamento). Fiz graduação, mestrado e doutorado numa universidade federal, um ciclo de 10 anos. Sofri, vivi, assisti, e fiquei sabendo de todo tipo de trapaça, mesquinharia, molecagem, fofoquinhas, difamações, perseguição pra afetar meus orientadores, que não podiam ser afetados diretamente e tiveram seus orientandos atacados, ao melhor estilo “quebrem as pernas deles”.

    Tive trabalhos roubados (artigos e patentes), mesmo ajudando a tantas pessoas pelo bem do princípio da multiplicação do conhecimento e colaboracionismo. Fiz parcerias com pessoas de outras instituições federais e tudo isso é um lixo. O meio acadêmico é uma mistura de Game of Thrones com Senado Federal. Só não rola dinheiro fácil. Muita sujeira, esquemas e conspirações a troco de nada (até parece que vão ganhar o Nobel). Não adianta trabalhar sério, vão te definir pela aparência, dinheiro, poder que acham que você tem (se tiver ao lado de um pesquisador de nome), e enquanto tiver utilidade (que te fará ser muito “querido”).

    O meio acadêmico universitário não é um modelo para a sociedade. Não é um ambiente mais maduro, consciente, honesto, evoluído ou respeitador. É um reflexo da sociedade. Muitos dirão “mas em todo lugar é assim”. Questão então de avaliar o custo benefício, pois, de gari ninguém quer trabalhar (embora como gari você não gere ilusões, tem essa vantagem). Não se pode esperar nada de salvador para o país vindo desses “cérebros” que estão mais para intestino grosso da nação.

    Nesse ambiente tem mais respeito o professor que pega as alunas, o que exige ser chamado de doutor até pra tomar um café, o que acumula cargos pra praticar assédio moral, o que fala palavrão, o que faz festinhas e participa de grupos de whatsapp com os alunos sem finalidade científica ou acadêmica, o que rouba ideias e pesquisas até de alunos PIVIC, o que enrola a aula com recortes de figurinhas e colagem em nome da “didática” imbecilizante aprendida na licenciatura (onde por sinal boa parte do tempo se ensina a reduzir o conteúdo a 10% do total ou se faz propaganda comunista).
    Licenciatura que por sinal não tem cadeiras de oratória, não prepara o professor para situações hostis em sala de aula, e vive bitolado em Paulo Freire como se o modelo dele ou ele próprio fosse um deus com resposta pra tudo. Hoje tenho um currículo até bom (todos dizem e tenho criticismo pra saber) para concorrer a uma vaga numa federal, mas desisti. O resultado nunca é proporcional ao esforço muito por culpa dessas trapaças a que se é vítima quando não se aceitar entrar em esquema.

    E nem falei das seleções de mestrado onde o valor da prova cai para 50% da nota (os outros 50% são de um currículo biônico montado pelos orientadores do aluno que já está na federal), tornando impossível um aluno que venha das particulares fazer mestrado numa federal.

    De nada vale ganhar o mundo e perder sua alma. A cada concurso que vejo está mais concorrido. Se em 2006 eram 5 candidatos por vaga eu já cheguei a ver 80 (claro que a maior parte desiste da prova no dia). Concursos arranjados (até os professores revelam aos alunos de confiança) numa frequência que deveria ser denunciado ao Fantástico (já que tem mais visibilidade nacional) só para usarem suas câmeras escondidas e deixar os senadores brasileiros menos desamparados nesse mar de lama. Secretários que roubam bolsas, ou exigem o primeiro mês da bolsa de cada aluno do PIBIC ao doutorado e deixam alunos de mãos atadas sem poder denunciar por medo de ficar sem renda ou para evitar que um conhecido ou parente perca a bolsa. Alunos de iniciação científica imbecis que compram brigas de seus orientadores e deixam de falar com os colegas que são orientados por outros professores. E pior, acham que se não agirem de acordo com essas práticas estão sendo otários, e a coisa assim se eterniza, nascendo mais um criminoso que foi incubado para o próximo concurso montado. E aí vem mais um(a) metido(a) a esperto(a) com seus recortes de figurinhas, palavrões, paqueras, faltas, trapaças, propaganda do currículo e dos títulos.

    Para sobreviver você sempre precisará de um favor, que mais tarde será cobrado por um dos muitos secretários de satã que vive nas universidades federais e te farão de otário para o resto da sua vida a acadêmica, que já dá demonstrações do inferno que pode ser ainda no estágio probatório SE você conseguir passar em um concurso. E você se verá com mais idade dizendo o que já ouvi de muitos professores: “eu devia ter seguido outra carreira”, “eu devia ter feito direito”, “eu devia ter investido na bolsa”, “eu devia ter aberto um comércio”, “eu devia ter feito medicina”.

    E aí vem mais problema… Se você acumular habilidades, capacidades, treinamento, conhecimento, dirão que você quer aparecer. Se você for o mais discreto ser vivente dirão que você está simulando humildade. Se você tentar ensinar de todas as formas possíveis, dirão que está querendo ser líder. Se você se afastar, dirão que quer ser especial pra mostrar que outros precisam de você. Tudo que tem nesse meio é roubo de bolsas, perseguições, processos que “desaparecem” de forma muito conveniente.

    As pessoas em todo lugar só dominam uma arte hoje em dia: a de arranjar briga tentando definir quem é petralha ou reacionário. Sentem uma necessidade visceral de apontar e separar todos em grupos e depois iniciar uma guerra ou no mínimo deixar definidos os grupos para a guerra. Se no café do intervalo você disser que a disciplina típica dos colégios militares poderia melhorar a educação te chamam de pró-ditadura. Se você disser que o Ciência sem Fronteiras é uma boa ideia, mas mal executada e sem rigidez de regras, te chamarão de petralha. Nada faz sentido.
    Isso quando não aparecem as feministas reclamando de tudo. Eu queria ver as feministas criticando as colegas de pesquisa que de propósito (muitas vezes declarado e com orgulho se achando espertas) engravidam para que os colegas terminem suas teses e dissertações. O que elas têm a dizer das que fazem isso de propósito (não das inocentes, claro, sem querer)?

    E das que tiram sarro dos colegas homens que gostam de falar de temas relacionados a ciência (como é de se esperar de quem estar na universidade), chamando-os de nerds (um termo besta importado de estudantes imbecis americanos)? Maduras como são, ainda os acusam de não gostar de mulher. Bem maduro, não?
    O que elas diriam de mulheres que confundem o pessoal com profissional e tratam mal as outras colegas de pesquisa que são gordas, ou não penteiam os cabelos, ou usam uma roupa que não combinam com o sapato?

    Não falta leitura e luta pelo futuro pra quem mora distante de casa e come mal, dorme mal, mora onde não quer. O que elas têm a dizer de mulheres que convidam os colegas homens para sair e mesmo que os caras digam que precisam estudar, são queimados pelas colegas em rodinhas de conversa femininas onde o sujeito ganha fama de v… só por isso? Isso é ético? Isso é respeitoso ou honesto? Não dizem e não fazem nada, só ocupam uma vaga na universidade que praticamente se torna ociosa.
    A vida desse pessoal é imaginar as coisas, falar (quando deveriam se calar), inventar problema e postar foto fútil no facebook.

    O bem eu não sei se existe, mas o mal eu tenho certeza absoluta e não é teoria científica. Desistir dessa carreira amaldiçoada não é morrer na praia, é simplesmente não aceitar aportar em qualquer praia minada e com tubarões. Desejo ardentemente voltar no tempo e fazer outra coisa. Como eu desejo que Deus exista pra me fazer esse milagre!

    • nilson 30.12.17 at 23:41 - Reply

      por um momento, pensei que eu tive escrito….

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