• 3 fatores negativos na formação inicial que prejudicam o estudante na pós-graduação

3 fatores negativos na formação inicial que prejudicam o estudante na pós-graduação

O início da graduação faz o aluno entrar em um novo universo de conhecimentos. O período da formação inicial é essencial para consolidar uma base sólida de saberes que os futuros profissionais deverão possuir até o findar desta formação. Contudo, muitos fatores acabam prejudicando a qualidade da formação inicial acarretando problemas na atuação do profissional e na continuidade de seus estudos na pós-graduação. Destaco três fatores que influenciaram negativamente a minha formação inicial:

1 – Professores mal capacitados para ministrarem disciplinas: não somente em minha turma, mas ouvi em outras que muitos professores ministravam disciplinas com pouca instrução na área. Por exemplo, no curso de licenciatura em pedagogia da UEPA há uma disciplina chamada “Tecnologia Educacional” onde os alunos reclamavam que os professores lotados mal sabiam as noções básicas de informática.

2 – Insuficiência ou carência de vivências profissionais no estágio supervisionado: no estágio o aluno tem a oportunidade de acompanhar a realidade de sua futura vida profissional juntamente com o acompanhamento de seus professores, mas no meu caso, estes em grande parte não acompanharam o desenvolvimento das atividades em campo deixando os alunos sem orientação.

3 – Má formação em técnicas de pesquisa científica: muitos discentes da minha turma apresentaram dificuldades na pesquisa científica, pois foram pouco preparados na graduação. Este fato se evidencia quando chegou o período do trabalho de conclusão de curso (TCC) onde os graduandos se deparam com vários requisitos científicos desconhecidos (infelizmente é a realidade).

Estes fatores são apenas alguns dos muitos que ocorrem na formação inicial prejudicando a vida profissional daqueles que procuram evoluir em sua titulação. O que fazer nesta situação? Podemos pensar em diversas soluções, entretanto na posição de aluno que busca um desenvolver contínuo de seus conhecimentos, a alternativa que resta é lutar pela sua carreira, pois sempre haverá fatores defeituosos nas instituições de ensino superior com relação à formação inicial.

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Texto escrito por Eduardo Henrique Silva Rodrigues – Licenciado em Pedagogia (UEPA) e especialista em EaD (SENAC-PA)

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By |2013-07-21T03:44:23+00:0013-09-2012|debates, docência|13 Comments

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13 Comments

  1. Thainá Peixoto 13.09.12 at 10:29 - Reply

    Muito bem elaborado seu artigo Eduardo! Parabéns!

  2. Clovis de Sousa 13.09.12 at 10:38 - Reply

     

    Esta carência de capacitação dos mestres para ministrarem as
    disciplinas é decorrente de um país que pouco investe no sistema educacional. Ótimo
    artigo Eduardo Rodrigues.

    • Jack Farias 13.09.12 at 14:35 - Reply

      A questão não é o quanto se investe, mas sim como se investe; quando o Estado deixar (30% de custos com impostos, por exemplo) as instituições privadas criarem instituições de qualidade, o dinheiro será mais bem investido e a qualidade educacional aumentará.

      • João Paulo Passos 14.09.12 at 14:25 - Reply

        Você diz que as Instituições privadas devem ter mais liberdade do que já conquistaram? Que é isso meu amigo, vá procurar saber o quanto as mesmas conseguiram nos últimos dez anos e dê ao poder público o que lhe é OBRIGAÇÃO. Aliás, você paga muitos impostos por Educação pública de qualidade sabia???

  3. Professor 13.09.12 at 14:57 - Reply

    Falando pelo lado dos professores, as coisas são mais complicadas do que parecem. Muitas vezes, professores novatos são simplesmente jogados em disciplinas que ninguém quer dar, mesmo que o tema delas não tenha nada a ver com a sua especialidade. O resultado, obviamente, são aulas de qualidade bem inferior à que poderiam ter, caso disciplinas e professores fossem combinados através de critérios mais sérios.

  4. Arnaldo_filho 13.09.12 at 21:49 - Reply

    Essa é a dura realidade e a tendencia é piorar cada vez mais. Resta ao aluno ser autodidata…

  5. Krol_alimac 14.09.12 at 08:39 - Reply

    Parabéns pelo texto Eduardo.
    Sou licenciada em Letras e ao ingressar no mestrado vi exatamente esses fatores. 
    Existe uma lacuna enorme entre a graduação e a pós. No meu caso, minha licenciatura não me formou uma conhecedora, nem em seus princípios básicos,da Literatura, coisa essencial no Mestrado.
    Como tentativa de suprir minha deficiência acadêmica, li todos os manuais e livros sobre história e teoria da literatura, ainda que na minha área isso seja considerado ultrapassado.

    Precisamos repensar na qualidade de formação de pesquisador que damos em nossas instituições. 

  6. Luciana Mello 14.09.12 at 10:19 - Reply

    Eduardo concordo com você especialmente no que se refere ao terceiro problema apontado. Realizei minha graduação em uma universidade privada no Rio de Janeiro, curso Administração de Empresas. Embora não tenha enfrentado problemas que mereçam destaque no que diz respeito à formação e qualidade dos professores, não tive qualquer orientação para iniciação científica. Este fato não me atrapalhou durante minha vida profissional, para dizer a verdade mal me dei conta disso até o momento em que fui fazer uma especialização em uma universidade pública com forte orientação acadêmica e não para o mercado de trabalho. Fui obrigada a “correr atrás do prejuízo” para equiparar meus conhecimentos com o restante da turma e evitar que meus trabalhos ficassem abaixo da média. Foi um esforço árduo mas felizmente consegui, o que pode muitas vezes, por diversas razões, não acontecer para outras pessoas.
    Com referência à qualificação/preparo dos professores, especialmente no que diz respeito à vivências profissionais, sempre me espantou muito, a falta de experiência “de mercado” de grande parte dos professores de ensino superior. Infelizmente a comunidade acadêmica tende a fechar-se em “seu mundo teórico” e acaba por ignorar que estam preparando, na maioria das vezes, profissionais para o mercado de trabalho. É certo que muitos alunos de graduação seguirão a carreira acadêmica mas arriscaria dizer não tratar-se da maior parcela dos graduandos.
    Um abraço!

    • Fernando 15.09.12 at 06:19 - Reply

      Universidade não é cursinho técnico. Se o cara quer um curso profissionalizante é melhor fazer um curso de tecnólogo no SENAC.

      • Antonio 15.08.14 at 19:38 - Reply

        Caro Fernando, formação profissional não é sinônimo de “cursinho técnico” e formação universitária não é sinônimo de teorias sem fim e sem nenhuma aplicação ao mundo real e/ou profissional. Um curso pode ser profissionalizante sem precisar ser “tecnólogo no SENAC” (que reducionismo grosseiro). Na verdade, embora seja extremamente difícil perceber, mesmo os cursos mais “teóricos” de qualquer universidade também formam profissionais. Exemplo bobo: um cidadão faz filosofia, antropologia, história da arte ou algo desse estilo e vai morrer desempregado? Certamente ele terá alguma atuação profissional. E mesmo que ele resolva seguir carreira acadêmica, o termo “carreira” já deveria dizer algo. Um abraço.

  7. Thais Santos 14.09.12 at 13:07 - Reply

    Caro Eduardo e demais colegas leitores do Pós-graduando,

    Partindo de uma perspectiva enquanto aluna de pós-graduação, as dificuldades encontradas na graduação que resvalassem na pós-graduação são inúmeras. Ciente, da carência da Educação no Brasil, seja na educação básica ou superior, as possíveis soluções são concursos públicos para professores efetivos, estes tendo mais oportunidades e possibilidades de financiamento são motivados a ministrar aulas bem mais elaboradas, desenvolvimento de pesquisas, assim como concentrar mais alunos para desenvolvê-las. Oportunidade que tive em minha graduação, tanto nas atividades de extensão, monitoria e iniciação científica. Claro, essa não seria a solução de todos os problemas. Entretanto, o processo educativo parte de diálogos múltiplos entre o professor e o aluno. Cabendo também, dessa forma, que o aluno tenha e expresse o seu interesse em melhor aproveitar as oportunidades que são oferecidas na academia, que consequentemente, o habilita eficazmente aos processos seletivos de pós-graduações.

    Em um ponto de vista de professor, o qual tenho a oportunidade de atuar, como já foi citado por um colega: o corpo docente é composto de parcela significativa de professores substitutos e/ou estudantes de pós-graduação que são direcionados a ministrar conteúdos/disciplinas que não são de sua especificidade de conhecimento. Acarretando em lacunas na aprendizagem do estudante. Além disso, tais profissionais não são motivados em recursos financeiros, seja pelo salário, ou em investimento na produção científica.

    Dessa forma, devemos enxergar o problema pelas duas vertentes: as implicações discentes e docentes do processo ensino-aprendizagem.

  8. João Paulo Passos 14.09.12 at 14:30 - Reply

    Neste artigo, Eduardo Rodrigues trata de uma realidade, infelizmente, muito comum na nossa Universidade e em tantas outras com certeza.
    Parabéns meu caro, me orgulho de ter feito parte de sua formação, mesmo sabendo que, como teu professor, também passei por parte de tais dificuldades apontadas por ti.

  9. Brunalibras 05.11.12 at 18:07 - Reply

    Adorei o artigo!!!  Parabéns!!! Meu artigo de Iniciação ao mestrado é justamente este a formação dos professores universitarios, a falta de didatica dos mesmos e a realidade
    nas universidades!

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