Perguntas sobre o doutorado direto

Recebemos nos posgraduando.com muitas perguntas e sugestões de artigos sobre o doutorado direto. Por isso, elaboramos uma lista de perguntas freqüentes sobre o tema. Ressaltamos que cada programa de pós-graduação tem autonomia para determinar suas próprias regras. O que apresentamos aqui é o que geralmente acontece na maioria dos programas, apenas com o intuito de desmistificar esse assunto que interessa a tantas pessoas. Mas não se assuste se encontrar exceções.

1. O que é o doutorado direto?
Considera-se doutorado direto quando o aluno matriculado no programa de doutorado não possui o título de mestre. O curso de doutorado em si é o mesmo para todos os alunos. O que muda é forma de ingresso.

2. Como é a forma de ingresso?
O aluno pode ter obtido o título de bacharel (graduação) e solicitar sua inscrição no doutorado direto. Essa situação é pouco freqüente e geralmente acontece com pessoas graduadas e que trabalham com ensino e/ou pesquisa há algum tempo. O mais comum é que alunos do mestrado solicitem o ingresso no doutorado direto antes do término do curso de mestrado.

3. Quais são os critérios de seleção?
Cada instituição e cada curso possuem suas próprias regras. Por esse motivo, converse com um possível orientador ou com o coordenador do programa sobre essa possibilidade. Mas o comum é que o candidato tenha excelente desempenho acadêmico no curso precedente (graduação ou mestrado), iniciação científica com aproveitamento satisfatório (desejável) e publicado trabalhos na área.

4. Quais são os documentos exigidos?
A maioria dos programas exige o currículo comprovado, o histórico escolar do curso precedente, uma proposta de trabalho/projeto de pesquisa e uma carta do orientador, fundamentada no mérito e na originalidade do trabalho de pesquisa, no desempenho do candidato e na maturidade intelectual (uau!) do pós-graduando.

5. Quais são as etapas do processo de seleção?
Todos os programas irão enviar a solicitação de ingresso no doutorado direto a uma comissão, que pode ser designada especificamente para tal fim, ou para a Comissão de Admissão e Bolsas ou até para o Colegiado (Coordenação) do programa. A comissão/coordenação do programa irá analisar a proposta e, se aprovada, o aluno entra na próxima etapa do processo seletivo. Alguns

[raros] programas possuem vagas exclusivas para o doutorado direto, onde apenas candidatos a essa modalidade competem entre si. Na maioria dos casos, após aprovada a solicitação, o candidato irá competir com os outros candidatos do programa de doutorado, que possuem o título de mestre. E o ingresso é determinado pela ordem de classificação geral versus número de vagas.

6. Existe diferença entre o curso de doutorado e o doutorado direto?
Não. O que muda é a forma de ingresso, onde os alunos não possuem o título de mestre. O curso de doutorado é o mesmo.

7. Quais as principais dificuldades encontradas?
Em toda instituição ocorre “panelinhas” e/ou beneficiamento de alguém. Se o orientador é bem relacionado no programa é mais fácil de conseguir do que se ele não for. Nem todo processo seletivo é justo. Além disso, o mestrado é um treinamento em pesquisa, metodologia científica e, principalmente, redação científica. Por isso, alguns alunos do doutorado direto encontram dificuldade na hora de escrever e discutir os dados.

8. Existe bolsa para quem faz doutorado direto?
Sim, inclusive os órgãos de fomento, como o CNPq e a Fapesp, possuem bolsas específicas e diferenciadas para esses alunos.

9. Não estou conseguindo desenvolver minha tese. Posso passar/voltar para o mestrado?
Geralmente não. Os programas consideram a promoção irreversível. Ou seja, não será possível reverter para condição de mestrando, depois de obtida a promoção. Considera-se que a promoção é um risco que o aluno deve estar ciente e assumir.

By |2018-12-06T01:56:53+00:0029-11-2010|guia|14 Comments

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Criador e editor de conteúdo do blog, é portador de uma imaginação hiperativa e de uma necessidade patológica de estar sempre bem-humorado. Acredita que a Pós-Graduação, como tudo na vida, pode ser interessante, divertida e descomplicada.

14 Comments

  1. Gustavo Nakamura Alves Vieira 29.11.10 at 17:25 - Reply

    Olá! Descobri o site há alguns dias e achei bem interessante. Vou visitar sempre!
    Vou contar o meu ex-possível caso com doutorado direto:
    Estou no final da graduação em Eng. Química na UFSCar e já nesse último ano, decidi pela pós-graduação, mesmo não tendo feito um estágio em indústria. Sim, passei pelo dilema “Será que mestrado é pra mim mesmo?” que todos passam. E pior: precocemente!
    Enfim, entrei como aluno especial no mestrado, pois ainda não terminei a graduação. Como tal, pude cursar parte das disciplinas básicas e a disciplina específica da área de pesquisa.
    Aqui no PPG-EQ UFSCar, se a gente consegue notas altas nas três disciplinas básicas obrigatórias (dois conceitos A e um B) e se o orientador consentir com a decisão, a gente pode fazer doutorado direto. No meio da loucura do final da graduação e começo do mestrado, eu consegui dois B no mestrado, suadíssimos! Mas sabe quando fica aquela sensação de “poderia ter dado mais de mim”? Pois é. Eu acho que daria pra conseguir A, se eu tivesse tempo (lembrando que eu tinha que conciliar final de graduação e disciplinas da pós!)
    Como eu fiz essas disciplinas como aluno especial, e não regular, eu posso fazer de novo, se quiser.
    Perguntei ao meu orientador se cursar a terceira disciplina básica como regular e repetir outra era uma boa ideia, atrás de dois A (dois A, mais um dos B que eu já tenho = doutorado direto). Não que ele tenha repudiado a ideia, mas ele disse que seria melhor pra mim se eu fizesse o mestrado “normal” – se é que entrar no mestrado antes de terminar a graduação é “normal”! – e depois o doutorado. Afinal, eu possivelmente vou apresentar a dissertação em janeiro ou fevereiro de 2012, e eu não ganharia tanto tempo assim fazendo doutorado direto. Eu já estou adiantando quase metade do mestrado ao antecipar disciplinas da pós mais parte da pesquisa já nesse finalzinho da graduação. Acho que não valeria a pena.
    Mesmo que eu tenha feito IC por dois anos e meio, eu acho válido “perder tempo” no mestrado, não só pelo “treino” em metodologia científica, mas também porque ter dois títulos é melhor que “só” doutorado em um concurso público.
    É bem o que está escrito no texto: no meu caso, acho que não valeria o risco. Imagina se eu não consigo os dois A! Além de ter “perdido tempo estudando para as disciplinas”, eu teria que correr muito para conseguir qualificar no final de 2011.
    Eu acho que conseguiria os requisitos. Mas optei pelo mestrado. Eu vou com calma.

  2. Paulo César 29.11.10 at 18:57 - Reply

    Como percebemos que não há seleção justa, e só se consegue entrar em pós-graduações através de “panelinhas” ou cartas marcadas, melhor não perdermos mais tempo em conseguir uma PG!!!

  3. Márcio 05.12.10 at 09:42 - Reply

    Eu fiz doutorado direto e foi tranquilo. O programa de pós-graduação do qual que fazia parte tem um processo de seleção justa, não depende de panelinhas.

    Eu fiz uma prova de seleção para o mestrado, entrei, cursei um ano e meio e provei por A+B que o meu projeto de mestrado podia facilmente se transformar em um de doutorado.

    Cursei todas as disciplinas com bom aproveitamento, fiz um projeto de expansão para mostrar o que eu queria continuar a fazer no doutorado, apresentei para uma banca e ela julgou que meu pedido era pertinente.

    Pronto, não tenho o título de mestre mas economizei dois anos da minha vida.

    Recomendo ao pessoal mais apressadinho. Agora, se vai ser fácil ou não, depende muito do seu programa de pós-graduação.

    • Luciana 05.11.15 at 11:47 - Reply

      Oi, tudo bom? Onde vc cursou?

    • Debora 16.10.17 at 12:45 - Reply

      Ola vc tinha bolsa? Converteu a bolsa tbm?

  4. Flávio 24.03.11 at 18:10 - Reply

    Por mais que existam “panelinhas”, os concursos de seleção para programas de PG constumam ser muito mais justos e éticos que a maioria das seleções de estágio, trainee e afins vistas no mercado de trabalho.

  5. Karen 30.05.11 at 18:11 - Reply

    Esse ano ingressei no curso de doutorado direto na USP, em engenharia,e digo a todos que vale tentar, não é impossível !

  6. Diego 07.05.12 at 10:38 - Reply

    Como se dá a transferência do Mestrado para o Doutorado Direto com relação à Bolsa Capes de Demanda Social?

  7. Pedro 27.03.13 at 16:38 - Reply

    Eu entendi que não tem como reverter a promoção, tudo bem. Mas, vamos supor que eu faça meu Doutorado Direto, conclua, recebo meu título de Doutor. Se, no futuro, eu quiser lecionar em Universidades, eu precisaria tirar título de Mestre? E, se tiver que tirar, será possível já tendo o Doutorado? Grato.

    • Pedro 28.07.16 at 22:48 - Reply

      É possível lecionar já tendo o título de doutor. Não precisa fazer o mestrado.

  8. Andrews 12.02.15 at 11:14 - Reply

    1. O que é o graduação direto?
    “Considera-se” graduação direto quando o aluno matriculado no programa de graduação não possui o título de ensino médio. O curso de graduação em si é o mesmo para todos os alunos. O que muda é forma de ingresso.

    2. Como é a forma de ingresso?
    O aluno pode ter obtido o título de ensino fundamental completo (educação básica) e solicitar sua inscrição na graduação direto. Essa situação é pouco freqüente e geralmente acontece com pessoas com ensino fundamental completo e que trabalham com ensino e/ou pesquisa há algum tempo. O mais comum é que alunos do ensino médio solicitem o ingresso na graduação direto antes do término do curso de ensino médio.

    3. Quais são os critérios de seleção?
    Cada instituição pública e cada curso possuem suas próprias regras de como fazer uso do dinheiro público na educação. Por esse motivo, converse com um possível orientador ou com o coordenador do programa sobre essa possibilidade. Mas o comum é que o candidato tenha excelente desempenho acadêmico no curso precedente (ensino fundamental ou médio regular), iniciação científica com aproveitamento satisfatório (desejável) e publicado trabalhos na área.

    4. Quais são os documentos exigidos?
    A maioria dos programas exige o currículo comprovado, o histórico escolar do curso precedente, uma proposta de trabalho/projeto de pesquisa e uma carta do orientador, fundamentada no mérito e na originalidade do trabalho de pesquisa, no desempenho do candidato e na maturidade intelectual (uau!) do estudante de ensino médio-técnico.

    5. Quais são as etapas do processo de seleção?
    Todos os programas irão enviar a solicitação de ingresso na graduação direto a uma comissão, que pode ser designada especificamente para tal fim, ou para a Comissão de Admissão e Bolsas ou até para o Colegiado (Coordenação) do programa. A comissão/coordenação do programa irá analisar a proposta e, se aprovada, o aluno entra na próxima etapa do processo seletivo. Alguns [raros] programas possuem vagas exclusivas para a graduação direto, onde apenas candidatos a essa modalidade competem entre si. Na maioria dos casos, após aprovada a solicitação, o candidato irá competir com os outros candidatos do programa de graduação, que possuem o título de ensino médio completo. E o ingresso é determinado pela ordem de classificação geral versus número de vagas.

    6. Existe diferença entre o curso de graduação e graduação direto?
    Não. O que muda é a forma de ingresso, onde os alunos não possuem o título de ensino médio completo. O curso de graduação é o mesmo.

    7. Quais as principais dificuldades encontradas?
    Em toda instituição ocorre “panelinhas” e/ou beneficiamento de alguém. Se o orientador é bem relacionado no programa é mais fácil de conseguir do que se ele não for. Nem todo processo seletivo é justo. Além disso, o ensino médio regular é um treinamento em pesquisa, metodologia científica e, principalmente, redação científica. Por isso, alguns alunos da graduação direto encontram dificuldade na hora de escrever e discutir os dados.

    8. Existe bolsa para quem faz graduação direto?
    Sim, inclusive os órgãos de fomento, como o CNPq e a Fapesp, possuem bolsas específicas e diferenciadas para esses alunos.

    9. Não estou conseguindo desenvolver meu trabalho de conclusão de curso em formato de monografia. Posso passar/voltar para o antigo segundo grau?
    Geralmente não. Os programas consideram a promoção irreversível. Ou seja, não será possível reverter para condição de estudante de ensino médio, depois de obtida a promoção. Considera-se que a promoção é um risco que o aluno deve estar ciente e assumir.

    • Alexandre Falcão Sanseverino 18.01.17 at 19:00 - Reply

      Bela piada! Saiba que Doutorado Direto existe de fato.

    • Marcos Blasques 25.02.17 at 23:35 - Reply

      Essa crítica por analogia é inconsistente.
      Ensino Médio, Ensino Superior, Mestrado e Doutorado são todos processos diferentes.

      Quanto ao mestrado e o doutorado, não há uma hierarquia ou necessidade de ter um para ser capaz de conduzir o outro. Acredito que uma boa iniciação científica durante a graduação já possibilita a inserção no doutorado sem qualquer dificuldade. Alunos dedicados o fazem com desenvoltura. Os descrentes certamente sofrem “dor de cotovelo”. Seguramente fizeram mestrados sofridos e não concebem e nem suportam observar os casos de sucesso no doutorado direto. Esses pesquisadores tem medo da concorrência. São inseguros. Tenho pena deles.

  9. Debora 16.10.17 at 12:44 - Reply

    Para transferir mestrado p doutorado direto, precisa só emplementar o projeto de pesquisa do mestrado ou reescrever um projeto totalmente diferente?

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