Cortes na Capes e minha esperança

Muitos de nós, pós-graduandos, ficamos surpresos com o corte de até 75% no financiamento da Capes a projetos de pesquisa. Quando o governo federal assumiu a política de austeridade para combater a crise, eu já estava esperando. Que as bolsas atuais tenham sido mantidas é um consolo, mas não muito.

O objetivo do governo neste ano é cortar 70 bilhões do orçamento, em uma economia que exauriu a estratégia de aumento de consumo interno como motor de crescimento e ainda não engrenou a estratégia de investimento em infraestrutura, somado ao clima de instabilidade política e aos jogos de poder para contê-la, fica uma escolha muito clara e simples aos donos do poder: devemos contingenciar o que é menos importante ou o que dará menos repercussão. E nesse caso, o financiamento da ciência é extremamente frágil.

Em primeiro lugar, não somos organizados o suficiente para fazer barulho. Levamos a produção científica do Brasil nas costas, mas passamos de 2 a 8 anos na Pós-Graduação. Não nos importamos porque não ficaremos lá, temos a esperança de passar em um concurso logo e não questionamos o ritual que nos leva até lá.

Para uma fatia da população que muitas vezes se orgulha de ser a “elite intelectual” do país, somos muito ingênuos. Fazemos nossas disciplinas e nossos experimentos, escrevemos relatórios e contamos com a gratidão de um sistema de pesquisa que nos vê como mão-de-obra barata, de uma sociedade que não nos entende, e um governo estadual e federal que nos vê mais como gasto do que como investimento.

E esse quadro não mudará, a não ser que façamos por onde. As outras peças estão confortáveis demais na situação atual. Por que nos ouvir se não falamos de forma que eles possam entender? Por que nos levar a sério, se não somos uma força política de peso? Por que se importar conosco, se a população que nos sustenta não entende o motivo de existirmos?

Em segundo, nossos programas de Pós-Graduação estão obsoletos há no mínimo uma década. Temos uma Pós-Graduação voltada principalmente para a manutenção do corpo docente. A crise nesse ponto é mundial.

Não deveríamos ser formados como doutores em nosso próprio projeto de pesquisa, especialistas em um subtópico de uma subárea da ciência. Deveríamos ser formados como Cientistas, o projeto como meio, não como fim. Deveríamos ser resolvedores de problemas, peritos em analisar o grande quadro, identificar os pontos-chave e sermos capazes de propor meios de resolvê-los.

As políticas atuais de inovação visam gerar lucro a partir do conhecimento cientifico nacional, isso é necessário, mas ainda é muito pouco e voltado apenas para mercado. E necessário que os programas de Pós-Graduação sejam não apenas centros de treinamento intelectual, mas centros de integração do conhecimento gerado com a sociedade.

É necessário abrir meios de comunicação com a sociedade, entender seus problemas e ser parte da solução. Nem todo doutor será professor universitário, mas todo doutor deveria ter um emprego adequado ao seu nível de educação.

Sem esses canais, sem esse entendimento da sociedade do por quê vale a ela pagar o que se exige, continuaremos tendo situações humilhantes de doutores escondendo seu título para concorrer a uma vaga de mestre em faculdades privadas, já que mestres ganham menos.

Somos frágeis pelo fosso que existe entre a academia e a sociedade e pela nossa falta de organização. Para muitos, somos irrelevantes. Este corte, e a nossa incapacidade de fazer frente a ele, expõe nossa situação.

É necessários nos reinventarmos, é necessário nos organizarmos, é necessário mostrarmos nossa importância. Para que cortes como esse não voltem a acontecer, não só pela dor de cabeça que poderíamos causar, mas para que nosso papel e nossa importância seja tão evidente que medidas como essa não serão nem ao menos levantadas.

Texto escrito por Willian Abraham da Silveira, doutorando em Ciências Médicas – Dept. G.O – FMRP – USP. Ex-presidente da Associação de Pós-Graduandos da USP do Campus de Ribeirão Preto

Nota do Editor (11/07/2015 – 20h40)
Após a forte reação do meio acadêmico ao comunicado da Capes aos reitores informando o corte de 75% das verbas de custeio da Pós-Graduação, com a publicação de cartas de repúdio por várias instituições, o Ministério da Educação recuou e publicou uma nota em que afirma que o corte agora será de 10% das verbas do Proex, Prosup, Reuni e Proap. Entretanto, o corte de 10%, em face à atual situação financeira das universidades estaduais e federais, ainda é preocupante, embora menos absurdo que os 75% iniciais.

É importante ressaltar que o secretário executivo do Ministério da Educação, Luís Cláudio Costa, durante o Seminário realizado pela Andifes em Brasília, afirmou que, em relação ao Proap, haverá uma “liberação de valores em três parcelas, sendo que a última depende da retomada da arrecadação pelo governo“.

Todos os pontos levantados no texto do Willian, entretanto, continuam pertinentes, independentemente do tamanho do corte nos recursos para a Pós-Graduação.

By |2018-12-06T01:56:19+00:0011-07-2015|debates|138 Comments

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138 Comments

  1. Alex Vazzoler 11.07.15 at 15:03 - Reply

    My hope was gone

  2. Pedro 11.07.15 at 15:12 - Reply

    Eu sempre considerei o projeto de pesquisa um meio e nunca um fim.

  3. Sirius Souza 11.07.15 at 15:13 - Reply

    Ótimo texto. Realmente demonstrou minha opinião.

  4. Helen Roberta Amaral 11.07.15 at 15:15 - Reply

    Triste realidade!

  5. Kadu Martins 11.07.15 at 15:17 - Reply

    Daqui a pouco mexem na bolsa

    • Gustavo Marra 11.07.15 at 15:25 - Reply

      Com este corte, pelo menos por hora, quem conseguiu conseguiu. Quem não conseguiu pode desistir.

      Repito: pelo menos por hora,.

    • Kamilla Monteiro 11.07.15 at 15:48 - Reply

      que já estava desde 2013 sem reajuste 🙁 com certeza daqui pro ano que vem vão diminuir o número de bolsas concedidas :/

  6. Karen Milou 11.07.15 at 15:21 - Reply

    Such a pity! I really wanted to do my PhD in Brazil, now I’m not so sure anymore.. :/

  7. Marcus Vinícius 11.07.15 at 15:21 - Reply

    Esperança? morreu!

  8. Eline Tainá Garcia 11.07.15 at 15:24 - Reply

    No GOT Brasuca a pósgraduação é o Tyrion Lannister.

  9. Allane Vaz 11.07.15 at 15:28 - Reply

    Triste

  10. Rafaela Barkay 11.07.15 at 15:29 - Reply

    vivas! belo texto!

  11. Bruna Pinheiro 11.07.15 at 15:32 - Reply

    Realmente toda a alegoria de pátria educadora escoa pelo ralo.. Já é difícil fazer uma pós graduação aqui… As cobranças são de primeiro mundo, mas o retorno é cada vez mais escasso! As vezes penso que fiz parte de um grande circo, que agora não vale mais investir… E sem muita cerimônia estão demitindo os palhaços ( nós) no caso

    • Raíssa Accarini 11.07.15 at 16:19 - Reply

      tbm me sinto assim… desanimando da pesquisa 🙁
      ja nem penso mais em fazer doutorado

    • Bruna Pinheiro 11.07.15 at 16:22 - Reply

      Exatamente o que eu estou pensando…. Estou na “entre safra” é realmente vale a pena tanta energia para uma coisa que não é levada à sério?! Tanto trabalho para derrepente não te pagarem mais…anda me questionando bastante sobre isso

    • Raíssa Accarini 11.07.15 at 16:26 - Reply

      Situação complicada. Espero que ao menos não piore! Vontade de sumir do Br!!!

    • Samantha Almeida 11.07.15 at 16:28 - Reply

      Bruna Pinheiro, os seus sentimentos e colocações são os mesmos de milhares de PG…infelizmente. ..tamo junto :/

    • Larissa Pinheiro 11.07.15 at 16:34 - Reply

      Penso da mesma forma. Triste tudo isso meninas..acabei de ingressar no mestrado. Levar os estudos e fazer pesquisa no Brasil está ficando com os dias contados..infelizmente.

    • Lília Cristina 11.07.15 at 17:46 - Reply

      Eu concordo contigo. Pra gente entrar numa pós são inúmeras exigências (publicações em periódicos qualis A) e fazemos nossos estudos em condições precárias, sem bolsa e muito pelo contrário, gastando nosso dinheiro pra realizar a pesquisa (comprando reagentes e fazendo experimentos noutra instituição) e muitos orientadores te querem no programa de pós graduação com disponibilidade integral… Pra no final termos um diploma de doutor e ficamos um bom tempo sub-empregados, viajando Brasil a fora (gastando mais rios de dinheiro) prestando concursos.

      Conheço pessoas que ficaram após o doutorado, fazendo 3 a 5 pós-doc até conseguir a aprovação em concurso na universidade lá das bimbocas… E olha que com um puto currículo lattes!!!
      Concursos públicos pra determinadas áreas chegam a ter quase 100 candidatos… Eu presenciei um que foi assim!

      Não estou aqui pra desmerecer ninguém e nenhum lugar do nosso país, mas a realidade é essa.

      Ser doutor(a) numa determinada área é mais uma realização (satisfação/sonho) pessoal do que profissional e acima de tudo, financeira… Porque se você quiser ser bem sucedido financeiramente, faça uma especialização e vá pró mercado, que possivelmente demore menos pra ter sua independência financeira.

      É vergonhoso, mas esse quadro já vinha definhando até culminar nesses cortes, bolsa de pos-graduação é pra poucos e muitos preferem trabalhar a ganhar essa miséria de bolsa… E ter seu rendimento comprometido por ter que dividir estudos com trabalho.

    • Evelyn Rubert 12.07.15 at 10:42 - Reply

      O desânimo ronda para prosseguir com os estudos acadêmicos sem a perspectiva de bolsa e ao mesmo tempo com as exigências de dedicação exclusiva ao programa de pós graduação, pois poucos programas são flexíveis e então como sobreviver, como se arriscar?? Sabem o que é mais incoerente? Se temos vigorada pelo governo uma lei que determina a abertura de concursos públicos na classe de adjunto, e outras titulações somente em excepcionalidades, como teremos doutores concorrendo??? Como poderão exigir o que será escasso, como consequência desse desânimo? Quem persistirá nas pesquisas até o almejado título exigido em lei? Não precisamos ir muito longe e falar de concurso não, vamos falar de vida universitária pública e privada então. Ao mesmo tempo temos em vigor por dez anos um PNE recente com meta de ampliar na educação superior o número de professores mestres em 75% e doutores em 35%, mas como conseguir tudo isso se desmoronam o que os acadêmicos lutam para construir? Há condições de estimular quem já é da carreira do magistério superior se até eles têm suas pesquisas comprometidas??? E essa ampliação do PNE vale pra Universidade pública e privada, ambas compreendidas no sistema federal de ensino. E como estimular quem ainda deseja trabalhar em Universidades?? Difícil entender que nadamos contra a maré, pesquisando e contribuindo, sendo cobrados, exigidos e no fim das contas a luta ocorre apenas no íntimo, com nossos dilemas, dificuldades e sacrifícios.

  12. Triste mesmo..fiz até o pos-doc sempre recebendo bolsa e $$$ pros projetos, oportunidades e muito trabalho meu, que agradeço muito…mas do jeito que tá acho que vai muita gente pro exterior , pena seriam bons professores e pesquisadores no País! o caos ta instalado!!

  13. Ligia 11.07.15 at 15:40 - Reply

    Triste ler isso. Mas só li verdades.

  14. Alessandro Marques 11.07.15 at 15:44 - Reply

    Realidade de todos. Imaginem seus projetos interrompidos pela pura ganância de quem roubou e agora precisa economizar para estornar. Se existe fim ele já está instalado. Força amigos. Chegamos ao fundo do poço.

  15. André 11.07.15 at 16:00 - Reply

    Pátria educadora MEU OVO.

  16. Felipe Cunha 11.07.15 at 16:02 - Reply

    Aperte “1”, “3” e confirma.

    • Felipe Cunha 11.07.15 at 16:50 - Reply

      Tomara que o corte não seja este noticiado, Leinig Perazolli. No entanto, a situação nas UF`s está crítica. Muitas delas tiveram que dispensar boa parte da sua mão de obra terceirizada… está bem complicado.
      Quanto ao corte, talvez não haja um valor exato até o momento, mas já é confirmado que haverá cortes na educação no governo no qual a bandeira foi “pátria educadora”…. é no mínimo uma bela de uma irônia.

    • Leinig Perazolli 11.07.15 at 16:59 - Reply

      Não se renda, os que destroem destroem para conquistar. Ironia de verdade é mais uma vez povo se deixar enganar na armação de mais um golpe, contra o próprio povo. Tomara que a democracia sobreviva ou o AI-5 será fichinha.

    • Leinig Perazolli 11.07.15 at 17:24 - Reply

      Depois não venha me dizer que não foi avisado….

  17. Angelus Novus 11.07.15 at 16:03 - Reply

    Acho que meu doutorado vai ficar para a próxima década :/

  18. Alex Miranda 11.07.15 at 16:11 - Reply

    Eu vou/ia para o IME-RJ fazer meu mestrado em fevereiro. Agora já não sei o que me espera… Obrigado, Brasil!

  19. Eduardo Gonnelli 11.07.15 at 16:15 - Reply

    Ae rapaziada,

    Relembrar é viver :

    http://www.anpg.org.br/?p=6450

    • Fernanda Paz 11.07.15 at 17:35 - Reply

      Sempre pintando o diabo dos adversários, e o povo caindo igual patinho!
      Só que o PT achava que dinheiro da em árvores, aih roubaram tudo e agora a conta ficou pro povo pagar!
      Mas claro nas próximas eleições ouviremos as mesmas ladainhas, de que os outros partidos querem o retrocesso e só o PT pode nos salvar..

    • Aline Processi 11.07.15 at 18:01 - Reply

      Aff na verdade todos os partidos não estão nem ai para nós!!

    • Fabiola Farias 11.07.15 at 20:37 - Reply

      Pois é, relembrar é viver… PSDB era o diabo pra educação. E olha no inferno que fomos parar..

    • Fernanda Paz 11.07.15 at 21:17 - Reply

      PSDB pelo menos deixou a economia organizada, pq sem dinheiro não tem como ter educação, nem saúde, nem nada..
      Eu não sou idiota para ter bandeira política, mas com ctza o estrago do PT é tão terrível, que agora não temos nem educação e nem uma economia minimamente decente!
      Cuidar das financas do país é o principal para que ninguém sofra, mas agora não adianta, o estrago tá feito, agora só resta colher os frutos podres!

  20. Joao Gabriel 11.07.15 at 17:17 - Reply

    É com grande pesar receber uma notícia tão negativa como esta dentro da comunidade científica.
    Mas não era de se esperar menos, afinal quando um país é governado por analfabetos e corruptos não podemos esperar coisa boa.
    Estou pensando em largar o Doutorado no Brasil e tocar a vida em outro país, poia aqui o tesão morreu faz tempo!
    Abraços e boa sorte para todos nós!

  21. Alex 11.07.15 at 16:18 - Reply

    Estaria ingressando no meu mestrado no Instituto Militar de Engenharia – IME em fevereiro de 2016. Estava bastante empolgado, mas agora temo pelo futuro. Espero ao menos conseguir fazer o mestrado e trabalhar ao mesmo tempo, mas meu sonho não pode morrer.

  22. Leonardo Silva 11.07.15 at 16:19 - Reply

    Entendo perfeitamente a revolta e a necessidade de nor organizarmos. Estamos diante de uma situação que requer isso, qual o próximo passo na sua opinião?

  23. Carolina Silva 11.07.15 at 16:23 - Reply

    Tá tudo virando de cabeça pra baixo. Vou citar meu caso: passei em primeiro lugar no mestrado em Antropologia, beleza, já havia escutado que não ia ter bolsa, isso a época que tava fazendo a seleção, mas pensei: se eu passar em uma boa colocação talvez role! Então eis a minha supresa: passei em primeiro! Ufa!!!! respirei, posso ficar um pouco mais aliviada, eis a segunda surpresa: as bolsas serão distribuídas conforme a distância da residência do estudante em relação à universidade. Vocês podem me dizer se isso procede? Busquei informações em outras pós e o critério é sempre a classificação!
    Enfim, além dos cortes ainda temos que nos haver com as arbitrariedades das instâncias superioras na pós.
    Não acho que sou uma privilegiada, mas olha isso foi um balde de água fria e tô pensando em sair do mestrado!!! Sem mais esse foi meu desabafo!

    • Lília Cristina 11.07.15 at 17:11 - Reply

      Eu sei como eh Carolina. Os programas de pós selecionam pra quem querem dar a bolsa… Fod*

    • A CAPES determina que o programa é responsável pela administração das bolsas. Toda PPG tem um representante discente. Se vc está pronta para abrir mão do seu mestrado (mesmo tendo sido avisada que não haveria bolsa) sem procurar se inteirar das regras do seu programa e do funcionamento da instituição, acredito sinceramente que a academia não perde muito.

      Para seu conhecimento: sou pós da USP. No meu programa as bolsas são distribuídas para os orientadores, em uma lista de prioridades, onde o que recebeu a bolsa mais recente passa ao final da lista. Justo ou não, foi discutido em reunião com os alunos e o acordo foi este.

      Não sei quais são os critérios para classificação em primeiro ou segundo na seleção que fizeste, mas sugiro que pense em questão de necessidade. Você realmente é quem mais precisa desta bolsa? Todos MERECEMOS bolsa, pois ninguém deve trabalhar de graça. Quando vc receber uma, descobrirá que ela não paga todas as suas contas, que vc não tem férias, nem 13o e nem outros direitos que deveria ter como trabalhadora. Bem vinda ao mundo injusto que vivemos. E ao país sucateado em que as suas chances de conseguir uma bolsa só diminuem!

      Pense três vezes antes de fazer sua matrícula, porque não é o último obstáculo VIOLENTO que vc verá em seu caminho.

      • Gustavo 20.07.15 at 23:34 - Reply

        Não senhora, não senhora, mil vezes não senhora pra vc!!! Também sou pós da USP e critério de colocação é o correto e ponto. Onde estou é assim, ainda bem, senão não valeria a pena nem perder tempo. A Carolina fez a parte dela, independente se “as regras” haviam sido definidas antes. Pós graduando não é aluno carente para ter privilégio por distância de casa, que coisa mais esquerdista! Uma mulher inteligente como ela, que passa em primeiro lugar, deveria vazar e procurar alguma escola que a respeite e mereça.

        (**Acabei de ler alguns comentários abaixo, anteriores ao meu**) Juram que esse tipo de critério nojento existe mesmo? Achava que era coisa isolada, que horror!

    • Carolina Silva 12.07.15 at 08:05 - Reply

      Olha, eu realmente preciso dessa bolsa, como disse não acho que devo ter privilégios, mas preciso sim, sei que esse não é o primeiro e nem o último obstáculo. De fato não foi discutido com os discentes sobre os critérios, mas já havia ouvido falar, antes da seleção, ouvi pela boca miúda, a questão é que não serei só eu, mas mais dois alunos que estão dispostos a sair da pós por conta disso, e se isso não fizer nenhuma diferença, em um programa, então sinceramente não sei mais o que faz diferença! Eu já fiz o primeiro semestre, e o que penso é trancar a matrícula, arrumar um emprego e depois se der retornar ao programa, se não fazer em outro lugar, em que pelo menos me garantam o mínimo de dignidade para continuar a pesquisa, porque para mim assim como para os outros colegas, foi e está sendo humilhante não ter nem dinheiro para pegar condução para ir às aulas.
      Pode parecer complacência, mas não essa é a realidade da pós aqui no Pará!!!

      • Nayara 12.07.15 at 10:29 - Reply

        Carolina, sou mestranda no Programa de Pós Graduação em Administração da UFPR e esse critério tbm é usado para distribuição das bolsas: na minha linha de pesquisa, primeiro os estudantes que são de fora e mudaram para Curitiba para estudar e apenas na sequência, se ainda houverem bolsas disponíveis, a colocação no processo seletivo.

        Geralmente perguntam se vc está disposta a cursar mesmo sem bolsa na seleção, e prioridade é pra quem teria mais dificuldade de se manter em outra cidade (já que quem está aqui muitas vezes mora com os pais, tem família próxima e etc).

    • Fiz um ano e meio de pós sem bolsa, pagando minhas contas com plantão noturno… Morando fora da casa dos meus pais, em uma das cidades mais caras do país e comendo ração! Quando te digo que não é exclusividade tua, vc não está entendendo! Estou falando de programa CAPES 7. Vai procurando alguém que te garanta bolsa… Com a CAPES tendo suspendido a concessão de novas bolsas? Muito boa sorte amiga…

    • Carolina Silva 12.07.15 at 10:32 - Reply

      Eu te entendo sim, perfeitamente, também tô fazendo muita coisa pra me manter, só quis externalizar não só a minha, mas a revolta dos outros amigos que estão na mesma situação, e estamos todos no mesmo barco, estamos preocupados e estupefatos diante de tal situação, principalmente por terem cagalizado com a ordem de classificação, sem prévio aviso e até hoje sem uma explicação plausível. Desejo sorte não só a você como a todos que estão passando por dificuldades. Valeu!!!

  24. Larissa 11.07.15 at 16:27 - Reply

    Sempre me senti particularmente inquieta com essa questão da divulgação científica. E acho que isso tem direta influência no nosso reconhecimento perante a sociedade. Como você bem explicou no texto, como vão se importar conosco se a população em geral nem entendem o que fazem, se nem nos fazemos entender?
    Triste é essa medida adotada. Triste é saber que vai nos custar muito superar essa crise. Mas tenho esperança de que essa dificuldade estimule as ideias, as ações. Como poderemos nos organizar? Eis a questão.

  25. Carol Gremelmaier 11.07.15 at 16:41 - Reply

    Migrando para a Fapesp em 3,2,1….

    • não se iluda …
      a FAPESP foi a primeira a cortar verbas de projeto e agora as bolsas …

    • Aline Processi 11.07.15 at 18:04 - Reply

      E a faperj esta em crise tb

    • Carol Gremelmaier 11.07.15 at 20:33 - Reply

      Na área de pesquisa em fomento público a verba não foi reduzida.

      • All 13.07.15 at 08:10 - Reply

        A FAPESP está sumariamente não aprovando todas a bolsas, auxílios e projetos pedidos. A razão é corte de custos. O candidato ganha de ótimo a excelente em todos os quesitos, mas a resposta é padrão: não há verbas.

  26. Anthony Ferreira 11.07.15 at 16:49 - Reply

    É o falecimento de um doente que estava em como induzido por anos… desligaram os aparelhos!

  27. A corda arrebenta no lado mais fraco, infelizmente

  28. Mila Souza 11.07.15 at 17:01 - Reply

    Triste.. Depois quer que avancemos em alguma coisa. Decepção

  29. Ana Paula 11.07.15 at 17:19 - Reply

    Vota 13 de novo! Patria educadora cheia de intelectoides.

    • Eu também votei e continuaria votando. Não gostei da decisão, mas entendo.

    • Ana Paula 11.07.15 at 19:10 - Reply

      Eu nao votei e nao votaria depois dessa

    • Fabiola Farias 11.07.15 at 20:35 - Reply

      Seria bom se esse tipo de decisão do governo atingisse somente quem teve a genial ideia de votar no PT. Mas como a democracia é assim, vamos todos no bolo

    • Michael Scolfield 11.07.15 at 22:06 - Reply

      continuaria votando? que loucura hein?! não ta vendo que o atual governo não tem competência

    • Tem gente que não enxerga mesmo que foi enganado, que o governo maquiou números pra fazer o caixa bater e que quem vai pagar a conta somos nós! O que eu sinto frente a isso é bem mais que desgostar… Repense o conjunto da obra Willian.

  30. Helaine Pires 11.07.15 at 17:28 - Reply

    Infelizmente, é a nossa realidade. É triste!! Ando bastante desanimada..

  31. Borges Gustavo 11.07.15 at 17:30 - Reply

    Corte inédito,,, Assim os PPG ficam lascados…. Os PPGs é educação , ciencias, tecnologia e inovação, são instituição de pesquisa… A educação ou a pesquisa estão indo abaixo….. PPGs sempre formarão mestres e doutores. Creio que novos pesquisadores, iniciativas de pesquisa serão de responsabilidade de empresas privadas em conjuntos com orgãos de desenvolvimento e pesquisa do governo ….

  32. Arthur 11.07.15 at 17:30 - Reply

    O problema é que se amanha resolvemos parar tudo, não vão se importar, pois o que geramos (ciência) é colhido a longo prazo. Precisávamos pensar em uma maneira de parar, não aceitar esse corte, negociar com o Governo. Só conseguiríamos isso com o apoio das Universidades, dos programas de Pós.

  33. Semíramis Alencar 11.07.15 at 17:34 - Reply

    Graças a Deus – The Dream is Over! – acabei de crer que o mais importante é o ensino básico, presencial e privado. Melhor esquecer dessa besteirada que o academicismo traz porque, na realidade, o que acontece mesmo é só um desfile de egos exaltados e de estudos que ninguém lê. Na prática uma perfeita enganação

    • Sumaya Cecilio 11.07.15 at 17:37 - Reply

      E é justamente por não lerem – esses estudos e nada na verdade- que as coisas andam a passos de formiga.

    • Dani Dani 11.07.15 at 18:27 - Reply

      Que pensamento é esse ? Vixe Maria ! Morri !

    • Leonardo Fontes 11.07.15 at 18:30 - Reply

      Apologista da ignorância? Jesus!

    • Leonardo Fontes 11.07.15 at 18:35 - Reply

      O pior é q a criatura é professora! Valei-me!

    • Laila Rayssa 11.07.15 at 19:03 - Reply

      Como se esse dinheiro que tão cortando fosse pro ensino básico – A really big dream.

    • Ricardo Gonçalves 11.07.15 at 19:04 - Reply

      Lamento seu pensamento Semíramis. Acho que a “pátria educadora” está afundando porque tem muita gente pensando como você.

    • Priscila 11.07.15 at 20:06 - Reply

      As pessoas podem até não ler, mas o mundo só é o que é graças à pesquisa acadêmica. Você usa antibiótico? Lava cabelo com shampoo, já tomou um simples remédio anti gripal? Se sim, então dê graças aos céus pelos “egos inflados” que proporcionaram isso pra VC. Que pensamento atrasado viu…

    • Juliana Lameiras 11.07.15 at 20:20 - Reply

      Estudos que ninguém lê? Só se forem os teus, pois os meus estão publicados. Vê-se, logo, que você não sabe o que é fazer pesquisa científica de verdade!

    • SomosPalhaços 11.07.15 at 20:55 - Reply

      Muito difícil investirem em educação básica, esse governo quer levar o país a idade das trevas

    • Juliana, quanta inocência achar que estar publicado é sinônimo de ser lido… Acha mesmo que se a colega Semíramis tivesse acesso ao teu estudo estaria fazendo este juízo de nós?
      Quanto à vc Semíramis, lamento que vc não leia. Acho que realmente a culpa é parcialmente nossa, como o texto bem colocou, que somos invisíveis pra você. Eu lamento que sejamos invisíveis inclusive ao corpo docente do país. Lamento que não seja possível reconhecer os inúmeros avanços obtidos através da pesquisa (ou “academia”), porque isso demonstra que também é parcialmente culpa sua, educadora de base, que não lê e se atualiza, o abismo entre nós e o público.

      Lamentável em muitos níveis e aspectos. Se você acha que o sonho acabou, eu preciso concordar. O sonho de ver um país crescer. Abra bem seus olhos, porque aqui conseguimos medir com precisão quanto está sendo retirado da educação. Na sua educação básica, o corte irá acontecer também, em proporções semelhantes e vocês terão grande dificuldade em medir ou provar.

      Na pratica, Semíramis, a conseqüência do que vês agora é que vc vai ter menos acesso, e quando precisar, vai ter q ler em inglês, pesquisa feita fora do país, para atender interesses de outras nações, feita por mãos brasileiras.

    • Ricardo Gonçalves 12.07.15 at 08:37 - Reply

      Gente, os resultados das pesquisas não precisam necessariamente serem lidos por um grande público, pois a maioria das pessoas não saberia interpretá-los corretamente. Resultados científicos específicos são produzidos para a própria ciência. E quem irá ler este material publicado? Claro, os pesquisadores da área. Só nas mãos deles esses conhecimentos seríam úteis para construir quebra-cabeças científicos e proporcionar avanços tecnológicos. O que não podemos fazer é negligenciarmos a pesquisa como fez a inocente Semíramis, mas também não podemos querer que os leigos leiam nossos resultados sem a mínima capacidade de entendê-los. Muita pesquisa foi investida, por exemplo, para que o sistema aério funcionasse como conhecemos hoje, porém, 0,0000001% da população chegou a conhecer algumas das descobertas. No entanto, 100% da população viu o resultado final: o avião voando, etc. Mas acho que não sabem que esse resultado final foi resultante das pesquisas que parecíam insignificantes.

    • Ricardo Gonçalves 12.07.15 at 08:59 - Reply

      Entendo seu pensamento Aline e concordo parcialmente com você. Mas pocha, Semíramis saiu do nosso meio e é formadora de opinião, como pode pensar assim? Eu esperaria este comentário de um analfabeto ou alguém que não teve oportunidade de se graduar, porém de uma “professora”… isso não. Tenho dó dos alunos que ela está formando.

  34. Mari Pavesi 11.07.15 at 17:41 - Reply

    Mas só nossos ilustres educadores acreditavam em algo diferente disso. Foram eles que os puseram lá, eles que os tirem.

  35. O corte é real. Chegou documentação da CAPES na universidade informando o corte e pedindo para fazer a realocação de recursos.

  36. Semíramis Alencar 11.07.15 at 17:42 - Reply

    Um ponto que gostei bastante no artigo: “Nossos programas de Pós-Graduação estão obsoletos há no mínimo uma década. Temos uma Pós-Graduação voltada principalmente para a manutenção do corpo docente. A crise nesse ponto é mundial.” Nem os orientadores entendem o que estão pedindo – estou passando por isso em duas pós de universidades federais (lato sensu, a situação não é muito diferente no stricto, mas mascaram melhor)

    • Isso é realmente algo que não entendo. O PPG que participo está em pesquisa de ponta, conveniado com universidades do mundo todo, desenvolvendo parcerias de qualidade… Certamente não há nada de obsoleto nisso! Também é seu papel saber qual o conceito e qualidade do curso que está se envolvendo… Vc me parece meio perdida colega.

  37. Esta na hora de cobrarmos um pouco a Capes, só exigências cada vez maiores e condições que é bom nada.

  38. Gera Dantas 11.07.15 at 17:44 - Reply

    Mas isso e o Pronatec foram bandeiras fortes da Dilma!!!

  39. Procurem alguma forma de se fazerem ouvir. Procurem os jornais, revistas, programas de televisão e coloquem a boca no trombone. Lutem, não desistam. Boa sorte à todos.

  40. Eu acho que esse fosso entre a universidade e a sociedade é muito mais produto da regulação do que da postura dos acadêmicos.

  41. Lília Cristina 11.07.15 at 17:48 - Reply

    Eu concordo contigo. Pra gente entrar numa pós são inúmeras exigências (publicações em periódicos qualis A) e fazemos nossos estudos em condições precárias, sem bolsa e muito pelo contrário, gastando nosso dinheiro pra realizar a pesquisa (comprando reagentes e fazendo experimentos noutra instituição) e muitos orientadores te querem no programa de pós graduação com disponibilidade integral… Pra no final termos um diploma de doutor e ficamos um bom tempo sub-empregados, viajando Brasil a fora (gastando mais rios de dinheiro) prestando concursos.

    Conheço pessoas que ficaram após o doutorado, fazendo 3 a 5 pós-doc até conseguir a aprovação em concurso na universidade lá das bimbocas… E olha que com um puto currículo lattes!!!
    Concursos públicos pra determinadas áreas chegam a ter quase 100 candidatos… Eu presenciei um que foi assim!

    Não estou aqui pra desmerecer ninguém e nenhum lugar do nosso país, mas a realidade é essa.

    Ser doutor(a) numa determinada área é mais uma realização (satisfação/sonho) pessoal do que profissional e acima de tudo, financeira… Porque se você quiser ser bem sucedido financeiramente, faça uma especialização e vá pró mercado, que possivelmente demore menos pra ter sua independência financeira.

    É vergonhoso, mas esse quadro já vinha definhando até culminar nesses cortes, bolsa de pos-graduação é pra poucos e muitos preferem trabalhar a ganhar essa miséria de bolsa… E ter seu rendimento comprometido por ter que dividir estudos com trabalho.

  42. Ney Lemke 11.07.15 at 17:53 - Reply

    Senhores,

    O sistema de PG em vigencia no Brasil não foi obra do acaso, ele foi construído por gerações de pesquisadores e pós-graduandos que se mobilizaram para instituir o sistema de bolsas, a avaliação da pós-graduação entre outros. Quem contribuiu para essa construção: as sociedades científicas, a ANDES e a ANPG entre outros que eram muito mais atuantes há 20 anos passados. Infelizmente junto com a relativa estabilidade veio uma crescente desmobilização, mas o imobilismo não é algo que esteja inscrito nos nossos genes e muito menos consequencia do clima tropical. O caminho a seguir é a pressão em nossos representantes, o uso da midia entre outras estrategias. E não adianta ir embora do Brasil, por que no resto do mundo também está vivendo uma crise, com cortes em recursos para a pesquisa.

    Por que não organizar um manifesto no Avaaz? Isso já poderia ter algum efeito.

  43. Marcelo Prado Rosa 11.07.15 at 17:58 - Reply

    Gostei do texto. De fato, somos incapazes de comunicar nossa importância para a sociedade. Parabéns ao autor.

  44. Aline Processi 11.07.15 at 17:58 - Reply

    Na minha pós graduação foi comunicado a todos os pós graduandos sobre o corte orçamentario da capes.

  45. Jamillemf Martins 11.07.15 at 18:25 - Reply

    E mais uma vez o poder decide cortar a corda do lado “mais fraco”. Quando vamos nos organizar e mostrar a sociedade a importância do nosso trabalho? Vergonha da política vira-lata!

  46. Marcos Cunha 11.07.15 at 18:55 - Reply

    Excelente texto.

  47. Dikson Dibe 11.07.15 at 19:03 - Reply

    Enquanto isso o “ciências” sem froteiras está a todo vapor… Lacra o 13!

  48. Não podemos reivindicar os nossos direitos sem admitirmos que a causa de sermos os primeiros atingidos por esses cortes vem do fato da classe científica não ser reconhecida pela sociedade. Precisamos nos reinventar, pois a ciência brasileira precisa ser popularizada.

  49. Lamentável

  50. Leinig Perazolli 11.07.15 at 19:35 - Reply

    Saiu o comunicado… Tem corte sim de 10% e não de 75%… Vamos nos mobilizar ou vamos perder nossas conquistas destes últimos 12 anos.

  51. Alan 11.07.15 at 20:19 - Reply

    Essa é a pátria educadora da mãe dilma; vi muitos de vocês fazerem campanha para ela em outubro, até mesmo com agressividade. Agora ACEITA QUE DÓI MENOS!

    Só tenho comiseração por aqueles que não merecem passar por isto, agora o resto…

  52. Marcela Pompeu 11.07.15 at 20:35 - Reply

    Infelizmente vivemos em um país em que a pesquisa não é levada a sério.
    A grande parte da população acha que receber bolsa de Mestrado, doutorado entre outros e sinônimo de ‘ não fazer nada’.
    Não somos reconhecidos. E muitas vezes isso começa dentro da própria Universidade.
    Somos visto como menos importantes, é a consequência são essas cortes de verbas,
    Afinal de contas pra que serve a pesquisa!!
    Eu terminei meu mestrado, agradeço todo o conhecimento adquirido, todas as oportunidades que esse título me proporcionou, mas se perguntarem se quero fazer doutorado?
    Minha resposta é : doutorado não é nesse momento minha prioridade, não que eu ache não seja bom… Mas por razões muito pessoais, optei por essa decisão.
    Tenho todo respeito por todos aqueles que fazem doutorado, e que são doutores meus amigos, colegas de Universidade que se dedicam a pesquisa, eu espero que todo os esforços, noites sem dormir, artigos, projetos sejam reconhecidos da forma como todos merecem.
    Que um dia todo pesquisador receber o real reconhecimento pelo seu trabalho.

  53. Fico feliz com a notícia, mas mantenho a opinião sobre a fragilidade de nossa situação.

  54. Camila 11.07.15 at 20:41 - Reply

    Pessoal, informações contraditórias! Vejam:

  55. Patricia Fox Machado 11.07.15 at 21:10 - Reply

    Lá vem os “robozinhos humanóides” tentando defender o indefensável… Não cortarem as bolsas não é algo para se celebrar. Os cortes atingem de forma profunda toda a estrutura da pesquisa… (Estou falando dos posts feitos em série nos comentários aqui. Pelamor, será que dá pra ir além dos dogmas partidários e realizar uma crítica madura sobre as ações do governo?
    #cegueiraautoimposta

  56. Barbara Esteves 11.07.15 at 21:38 - Reply

    Acho que muitos colegas não entenderam o espírito do texto. O ponto principal aqui não é apenas o corte de investimentos: o principal foco do autor é mostrar o quanto somos invisíveis a sociedade e por isso descartáveis. Nossa formação é toda errada: enxergamos a tese com fim. O que de fato não é. Nosso senso critico e a habilidade e treinamento para detecção e resolução de problemas que é o grande objetivo da pos graduação. Profissionais com doutorado não podem viver em uma bolha; devem conversar entre os mais diversos campos do conhecimento e se inserir na sociedade. Não como semi deuses… ou acima… mas como cidadãos os quais foram investidos muito tempo e dinheiro. Não sinto essa auto aceitação. Nem mesmo percebo a maturidade de se ver como um investimento. Da impressão que apenas se formam para passar no concurso. Uma vez obtido o objetivo, trabalham de maneira muitas vezes sem expressão, indo do nada para lugar nenhum, com a mentalidade que só necessitam publicar a qlquer custo; não importando o impacto (ou a falta de para a sociedade)… alimentando este sistema funesto…

  57. Barbara Esteves 11.07.15 at 21:42 - Reply

    E parabéns ao autor pelo texto. Tem anos que falo com meus colegas exatamente isso…

  58. Higor Spineli 11.07.15 at 21:59 - Reply

    Infelizmente esse já não é o primeiro corte, mas esse é o corte anunciado geral! Meu programa de pós graduação reduziu o número de bolsas em mais de 50% esse ano e eu fui um dos que ficaram sem, mas a esperança era que a Fundação de apoio a pesquisa do estado soltassem bolsas as quais eu concorreria, porém a pouco noticiaram (boca-a-boca) que essa fundação não fornecerá bolsas pra esse ano. A outra esperança era que no próximo ano seríamos contemplados com a bolsa e tudo se ajeitaria, mas vejo que não acontecerá! Agora te pergunto, moro a 2100 km de casa, pago aluguel, uma faculdade desestruturada que trata pós-graduando como funcionário público e não oferece benefício extra algum. Se quiser terminar o mestrado, devo trabalhar, mas pra conseguir o valor próximo ao da bolsa e me manter, tenho que trabalhar 8h por dia… como se trabalhar 8h por dia, gerencia sua pesquisa, publica artigos de acordo com o solicitado pelos programas, escreve sua dissertação… isso sem contar as coorientações e PIBIC’s da vida. Estamos fadados a afundar o ensino no Brasil e, como disseram alguns por aí, não tenho ânimo pra seguir com os estudos, doutorado vai ficar só numa vontade passageira, dessa maneira. Triste fim da pós no país…

  59. Náthali 11.07.15 at 23:27 - Reply

    Qual o próximo passo?
    Precisamos que algo grande seja divulgado na página, para que alcance uma quantidade razoável de pessoas.

  60. Daniel João 11.07.15 at 23:53 - Reply

    Entendo o ponto de vista expresso em todos os comentários acima, porém penso que quem os fez não leu ou pelo menos não entendeu a intenção do autor do presente texto. Meus colegas Pós-graduandos, deveríamos nos unir, discursos pessimistas e autodestrutivos não iram nos ajudar. Reflitam, entramos em cursos de Pós-graduação por opção, por ver realizado um sonho, para obter conhecimento e sim ser a elite intelectual desse país. Mas me pergunto, que elite intelectual é está que está se vendendo por uma bolsa? Sim, ela é necessária a nossa subsistência neste período mas ao contrário do discurso “Brasil, ame-o ou deixe-o!” deveria ser “Pós-graduação, ame-a ou deixe-a!”. Digo isso pois acredito que se decidimos por estar aqui, dependendo financeiramente de um Governo que não nos valoriza, é por que queremos mais que dinheiro. Digo isso pois se estamos aqui, nesta situação deve ser por amor a camisa. Qualquer coisa ao contrário disto é balela! Então meus estimados colegas Pós-graduandos, vistamos a camisa da Pós-graduação, sejamos resolvedores de problemas da sociedade, e de nossos próprios é claro, sejamos unidos, não joguemos a toalha e sim a usemos para enxugar o suor do trabalho duro, e esse sim a única resposta para nossas queixas!!!

    • Gustavo 20.07.15 at 23:49 - Reply

      Mais ou menos Daniel… Um professor da minha banca de mestrado, pra citar apenas o mais relevante que ouví, disse que na época dele entrou na pós pq não conseguiu emprego. “Ame-a ou deixe-a (nota: desde que tenha pai rico que segure as pontas por uns bons meses até arrumar emprego)”. Esta é a frase completa!

  61. Ana 12.07.15 at 04:34 - Reply

    Um país que é o 13o. em publicação e 67o. em inovação, que efetivamente é o indicador do quanto a pesquisa chega à sociedade, não pode dizer que tem ciência de qualidade. Infelizmente o que vejo na grande maioria são pós graduandos alienados, ignorantes do seu papel na sociedade, que são incapazes de resolver problemas. Muitos usam os cursos de pós, vários de nível 2 e 3, como empregos. Resultado de uma educação básica e universitária sem estrutura, onde o indivíduo não arruma emprego e então resolve fazer uma pós. Meus caros, não sou a favor de cortes, mas que esse seja o momento de refletir se é nesse tipo de ciência (do reinventar roda, com raras exceções) que o Brasil deve continuar investindo. Eu fiz meu mestrado trabalhando, dormi várias vezes na USP pra fazer experimento, num mestrado CAPES 7. Dei aula durante anos, prestei concurso e hoje faço meu doutorado dentro da área que trabalho. Não é impossível trabalhar e estudar. O que não podemos é continuar com um país cheio de pesquisadores alienados. É tempo de se refletir…

  62. Leandro Berti 12.07.15 at 06:11 - Reply

    Já passou do tempo dos pós-graduandos realizarem trabalho informal, precisamos imediatamente mudar essa situação exigindo que as universidades paguem através da CLT com todos os direitos. Quando isso acontecer não terá como qualquer Governo cortar esses custos sem ao menos ter uma bela dor de cabeça. Afinal apesar de não ser nem contabilizado como emprego o trabalho realizado é de alto nível e imprescindível para o desenvolvimento nacional.

  63. João Augusto 12.07.15 at 09:37 - Reply

    Ótimo texto, retrata bem a situação em que nós pós-graduandos estamos inseridos no Brasil!

  64. Bruno Vilela 12.07.15 at 09:47 - Reply

    Cortar verba política nunca corta, um absurdo esse tanto de “auxílio” que o Brasil paga para essa corja.

  65. Lucas F. Nascimento 12.07.15 at 10:08 - Reply

    É a Pátria educadora, meus caros.

  66. Lucas Ferreira do Nascimento 12.07.15 at 10:47 - Reply

    Com ou sem cortes, o modo como nosso país encara a pesquisa, o desenvolvimento e a ciência me desencantaram há tempos. O que adianta você dedicar-se exclusivamente aos seus projetos de pesquisa e extensão se quando tudo acaba você é só mais um na fila do desemprego? É patético mas é verdade. Em um país quebrado como o nosso a mão de obra demandada tende a ser cada vez mais barata, o que vai no sentido oposto do que nós fazemos ao nos especializarmos. E mais. Caso os senhores não tenham acompanhado a saga dos professores nas últimas greves, mesmo a mobilização da classe as vezes não basta para demover o governo de seus planos de cortes. Fazer a sociedade nos ver como uma classe profissional relevante demanda tempo e investimento em educação e uma profunda mudança nas leis que regem os pós-graduandos. Inserir o vínculo empregatício aos cursos públicos de Mestrado e Doutorado é uma das diversas bandeiras hasteadas há tempos no sentido de fomentar essa valorização da classe. Pela acepção do termo, nem mesmo somos cientistas! Posto que saímos da condição de estudante de pós graduação para a de professor ou qualquer outra coisa… É difícil, mas se queremos ser ouvidos por nossos néscios políticos, penso que essa batalha tem de ser feita politicamente através de representação no Congresso e MEC e atuação de nossos órgãos e pró-reitorias.

  67. Juliana Martins 12.07.15 at 12:55 - Reply

    A maioria não entendeu o texto, e isso explica em parte, por que somos irrelevantes para a sociedade.

  68. Adriana Corrêa 12.07.15 at 16:21 - Reply

    Concordo muito com o texto, mas uma consideração: Não é por que somos “fracos” e desorganizados politicamente que devemos continuar assim. Esse método individualista que nos faz baixar a cabeça, produzir sem reclamar e que nos torna mão-de-obra barata e descartável (como foi publicado por este blog sobre as demissões da Aguanguera) não deve continuar.

    Temos uma enorme entidade, a ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos) e pessoas que a constroem de forma crítica e autônoma. Amanhã parte da diretoria da ANPG estará em São Carlos-SP na reunião da SBPC e falará publicamente contra os cortes! Estaremos lá fazendo barulho, como disse o autor do texto. Mas o barulho será maior se sairmos da frente do comutador e pensarmos um pouco além da nossa tese/dissertação!

    Segue o convite a todos para fazer barulho e mostrar que a pós-graduação está longe de ser frágil!
    https://www.facebook.com/events/1119154361432950/

  69. nete 12.07.15 at 15:40 - Reply

    Neste exato momento acredito que muitos que contribuíram para que o corte fosse efetivado, estão rindo de ver pessoas que realmente se importam com a educação, se degladiando… eles estão rindo, rindo da nossa insensatez!!

  70. Gustavo de Oliveira 12.07.15 at 20:26 - Reply

    Só eu estou vendo esse comunicado de que o corte é de 10% como manobra? O que recebemos aqui no Inst. de Física da UNICAMP foi que, além do corte de 75% no PROAP, haveria corte de 70% no PROEX. Este último pode ser usado inclusive para oferecer mais bolsas aos alunos, ou seja, seu corte poderia implicar até mesmo em redução do número de bolsas que um programa oferece.

    Mas o que estou dizendo é que a primeira informação é que haveria esses cortes nesses dois programas específicos (PROAP e PROEX), agora vem um recado dizendo que o corte será de 10% no total de PROAP+PROEX+REUNI+PROSUP. Em nenhum momento diz-se que o corte seria de 75% total, mas no PROAP (e 70% no PROEX). Enfim, estou achando muito estranho esse comunicado, pelo que sei terça-feira haverá reunião da CPG aqui do IFGW, se tiver mais informações tento repassar aqui.

    • Pós-Graduando 12.07.15 at 20:42 - Reply

      Ou pode ter ocorrido o recuo do governo devido à repercussão negativa do comunicado inicial, em um momento de baixa popularidade e grande crise política do governo. Vamos ter que aguardar para ver. Se tiver alguma informação nova, compartilhe com a gente!

  71. Essa é a Pátria Educadora !!!!!

  72. Rafael K. Arakaki 12.07.15 at 23:56 - Reply

    Texto extremamente lúcido, parabéns.

  73. Francy Lisboa 13.07.15 at 18:53 - Reply

    Toda essa situacao me faz perceber o quanto somos dependentes do Estado. Muitos de nos pregamos meritocracia pedindo menor participacao do estado na atividade alheia. Porem, quando a coisa aperta gritamos como se fosse o fim do mundo. Isso mostra que nao podemos fazer coro com o desmonte do Estado.

  74. Glauber 13.07.15 at 22:12 - Reply

    Antes das eleições tinha uns “intelectuais” na acadêmia defendendo a pátria educadora, pois toma a pátria educadora!!!

  75. Bruno de Paula 13.07.15 at 23:47 - Reply

    Na minha opinião, nossa falta de organização exposta reflete uma certa carência de ideal, o qual evoco: de que serve a ciência, se não para aliviar a miséria da existência humana?
    Ao contrário do que deveria ser o comportamento de pessoas tão instruídas, vejo a muitos dos pesquisadores e aspirantes à pesquisadores pensando apenas no próprio umbigo! Infelizmente, Willian Abrahan, não existe classe pois não existe sequer cuidado com os pares. Existe estímulo à competição e posso dizer por experiência que vejo muito dentro dos corredores de unidades de pesquisa e entre grupos de pesquisa, não cooperação e pasmem: fofocas… É impressionante como a classe de pesquisadores gostam de fofocar… rs… Tem jeito de haver união, politização, luta? Infelizmente, duvido… Não quero generalizar, não são todos, porém esta é uma realidade.

  76. Raphael 17.07.15 at 12:23 - Reply

    Eu só sei que “brigas” internas não resolvem nada, todos entenderam o texto, só que alguns preferem comentar de corte de verba e não apenas que a sociedade não enxerga o meio acadêmico e suas pesquisas. Não é somente a Capes que esta ruim, tenho amigos engenheiros desempregados, então a crise é geral. O texto foi muito bem elaborado. O problema do Brasil é o famoso “eu sei e ele não sabe”.

  77. Caio 21.07.15 at 14:22 - Reply

    Aqui na UNICAMP já cortaram a verba de auxilio a congressos para os que recebem Bolsa CAPES. Logo, se um bolsista quiser ir a um congresso e não ter reserva técnica, então ele terá que tirar do seu bolso para arcar com todas as despesas de sua ida ao mesmo.

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