Como se sair bem em uma pós-graduação fora da sua área

Para aqueles que pretendem seguir a carreira acadêmica, ou que querem apenas ampliar seus estudos, após terminar a graduação, é hora de escolher uma pós-graduação, no caso da stricto sensu, geralmente o mestrado.

Primeiro é preciso elaborar uma lista das possibilidades, a partir de diversas variáveis, como temática, viabilidade geográfica e financeira, e outras. Inspirados talvez pelas ideias de Morrin, os programas de pós-graduação estão ficando cada vez mais transdisciplinares, e isso ajuda, ou não. Uma pessoa, por exemplo, graduada em Comunicação Social pode candidatar-se a diversos programas dentro das Ciências Sociais Aplicadas.

Se você escolher sair do seu campo de estudos e aventurar-se em outras áreas do conhecimento, não se preocupe, pois não será nenhuma batalha invencível, basta seguir alguns caminhos. Daremos a seguir dicas simples, mas que podem ser um norte na hora de desbravar lugares desconhecidos.

1 – Conheça bem o Programa

Isso vale para todos os candidatos a uma vaga no mestrado. Antes de começar todas as etapas é preciso conhecer bem as linhas de pesquisas, ler com atenção o edital, compreender quais as temática serão trabalhadas ao longo do curso e as possíveis bibliografias/autores que serão estudados.

2 – Elabore um projeto que faça uma boa ligação entre as áreas

Se você não pretende se desligar totalmente da sua formação, elabore um projeto que permita um link entre os dois campos (o da graduação e o do mestrado), de maneira que as disciplinas cursadas possam se complementar com os conhecimentos já adquiridos na graduação. Por exemplo: se você é graduado em Comunicação Social e faz mestrado em Serviço Social você pode propor um projeto que relacione Mídia e Estudos de Gênero.

3 – Conheça a bibliografia básica

Não dá para focar somente na sua área e ficar “voando” na da concentração do mestrado. É importante que você conheça os principais autores e obras que norteiam os estudos da pós-graduação escolhida.

4 – Participe de eventos na área do mestrado

Além de ler a bibliografia básica é imprescindível participar de eventos que abordam as temáticas estudadas no mestrado. Em espaços como estes você pode conhecer outros trabalhos, às vezes, trans/interdisciplinares como o seu e estabelecer contato com outros estudantes.

5 – Participe de grupos de pesquisa

Geralmente cada linha do programa possui pelo menos um grupo de pesquisa. Procure participar das discussões e atividades desses grupos.

6 – Não se sinta coadjuvante. Participe!

As turmas de mestrado são formadas, normalmente, por alunos do mesmo curso. Usando o mesmo exemplo citado acima, a maioria da sala seria formada por alunos de Serviço Social. Mas não se intimide ou se sinta deslocado. Participe, contribua, seja protagonista!

7 – Contribua com as conhecimentos da sua área

Sempre que possível tente fazer colocações que estabeleçam ligações entre as duas áreas, pois assim você não fugirá da sua formação e poderá também ampliar os conhecimentos da turma.

8 – Escreva artigos para revistas que pontuem para as duas áreas

Atualmente aconselha-se que os estudantes de pós-graduação escrevam para revistas científicas. Procure revistas que pontuem para as duas áreas, pois, caso no futuro, você pretenda seguir os estudos no campo da graduação, isso ajudará a ingressar em um doutorado, por exemplo.

E a dica mais valiosa: estude e dedique-se!

By |2018-12-06T01:56:40+00:0001-07-2013|guia, primeiros passos|10 Comments

About the Author:

Graduada em Comunicação Social (UEPB), Especialista em Comunicação Digital, Mestranda em Serviço Social (UEPB) e graduanda em Administração de Empresas (UFCG). Além de feminista em construção.

10 Comments

  1. Guilherme 09.07.13 at 19:49 - Reply

    Muito bom. Estou fazendo mestrado em uma área diferente e escolhi sem conhecer muito, fui mais na empolgação e hoje sinto a diferença. Minha dica, caso a pessoa queira fazer fora, sem ter muito conhecimento é estudar durante um semestre as referências da área para só depois entrar, ou só entrar depois de ter o mínimo de conhecimento da matéria. Vale mais a pena adiar um ano do que ficar “patinando” durante o mestrado inteiro.

  2. Danilo Vizibeli 27.07.13 at 09:48 - Reply

    Fantástico seu texto! Me vi dentro dele. Também sou da área de Comunicação Social – Jornalismo e fiz Mestrado em Linguística. Comigo o processo foi meio diferente pois fui conhecendo a área aos poucos, fiz disciplina como especial, frequentei grupo de estudos, para só depois ter certeza que queria algo na área. Gostei tanto que optei por fazer uma Graduação a Distância em Letras. Todas suas dicas são ótimas, principalmente as de conhecer o programar, ler a bibliografia básica e frequentar eventos da área. Outro ponto a ser salientado é que em algumas áreas é difícil permanecer dentro do campo da graduação inicial, pois por exemplo a área de Comunicação oferece poucos programas no Brasil e como você disse temos que analisar vários fatores. O meu a localidade me fez desistir da área de Comunicação, todos que tinham eram muito longe.

    • Gabriela 11.07.14 at 14:51 - Reply

      Danilo,sou o oposto: cursei Letras Port./Ing. e agora faço especialização em Jornalismo Cultural. Não me arrependo da minha escolha!

  3. Gabriel 04.10.13 at 20:57 - Reply

    A Educação é exceção aí. Tem muita, mas muita gente de outras áreas.

  4. Ramon 05.11.13 at 22:32 - Reply

    Um dos aspectos interessantes em relação a entrada em programas de pós-graduação tem a ver com a falta de conhecimento, não do programa em si, mas do corpo docente. Um orientador é um ser humano como um aluno qualquer. Este está sujeito a problemas psicológicos assim como alunos “problemáticos”. Histórias de professores que infernizaram ou até aniquilaram a vida acadêmica de alunos por interesses pessoais é pouco comentada. Mas existem alguns relatos nos meios acadêmicos de histórias parecidas. Portanto, além de conhecer o programa é fundamental conhecer bem o seu futuro orientador. Infelizmente, as cartas de recomendação só servem para que os professores conheçam os seus futuros alunos, mas os alunos não tem cartas biográficas de seus futuros orientadores. Logo, é super importante todo cuidado para se precaver de futuros problemas decorrentes de disputa de egos entre professores “problemáticos” de um mesmo departamento. Ou mesmo se você foi orientado em sua graduação por um professor malquisto no programa da pós-graduação a qual você está disposto(a) a se inscrever. Todo cuidado é pouco! O maior interessado pelo seu sucesso em uma pós-graduação deve ser você.

  5. Gabriela 11.07.14 at 14:49 - Reply

    Cursei Letras e agora sou pós-graduanda em Jornalismo Cultural. Fico impressionada como a galera da minha turma é muito mal informada sobre cultura em geral. Descobri que estou à frente deles,rs!

  6. Marcia 13.07.15 at 19:01 - Reply

    Sou formada em Biologia, e atualmente estou fazendo o 6ºsemestre de Direito, gostaria de fazer um pós em Direito do Trabalho , posso iniciar agora esse pós ?

  7. Marcio 07.06.16 at 23:09 - Reply

    Obrigado pelo texto. Muito bom. Sou bacharel em Gestão Ambiental e faço mestrado em ecologia. É um curso procurado por biólogos, agrônomos, oceanógrafos e até por matemáticos… Tive disciplinas de ecologia na graduação e tinha uma ideia da área quando entrei na pós. Ainda cursei duas cadeiras como aluno especial na instituição em que pretendia ingressar no mestrado (recomendo!).
    Quanto ao orientador, é um tiro no escuro. Eu, felizmente, tive muita sorte com minhas orientadoras.
    Dá muito trabalho se apropriar de outra disciplina, mas mesmo com todas as dificuldades é prazeroso. Acredito que se não der prazer e for sofrido, então é a área errada.
    Na verdade, acho que não interessa em que área foi a graduação, o importante é que na pós graduação a nossa pergunta possa ser respondida com a utilização das ferramentas teóricas da disciplina escolhida, no meu caso, por exemplo: a teoria ecológica.

  8. Kelly Sales 21.09.16 at 08:28 - Reply

    Fiz comunicação social com habilitação em jornalismo. Descobri uma facilidade e gosto por composição de remédios. Será q consigo entrar em uma pós de farmácia?

  9. Felipe Tadeu Fiorini Gomide 01.08.17 at 11:34 - Reply

    Aprendi muito fazendo meu doutorado em Engenharia Química, sendo biólogo com mestrado em Bioquímica e Imunologia, mas nem tudo são mil maravilhas. Nosso mercado não está maduro e saudável financeiramente o suficiente para absorver pessoas com formação mais alta, sobretudo em uma crise como essa. Mas piora quando a pessoa faz essa migração. Concursos? Fica ainda pior… Geralmente se pede formação em “A”, mestrado em “A”, doutorado em “A”. Fugiu da regra? Ficou de fora. Essa situação também revela nossa imaturidade institucional. Me sinto completamente preparado para exercer diversos cargos e funções para as quais não posso sequer concorrer. F-R-U-S-T-R-A-N-T-E

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