Pós-graduação: rir para não chorar

Desde que eu entrei no mestrado um novo mundo se abriu.

Desculpem, eu tive que começar com essa frase piegas e clichê.

A verdade é que durante a graduação vivemos numa bolha de inocência, alimentamos sonhos, expectativas e  mesmo que tenhamos experiência com iniciação científica, temos apenas uma leve ideia do que se passa no lado escuro onde o Rei Leão te disse pra não ir da pós-graduação. Ao entrar no mestrado e com o passar do tempo descobrimos uma série de limites (internos e externos) a serem superados.

Auto-confiança, perseverança, persistência, esperança e superação entram no seu dicionário. Frustração, negação, autoridade, obediência, também. Mas entram no seu facebook, twitter e links favoritos referências a blogs, perfis cômicos, páginas de sátiras relacionadas a esse universo. Cria-se uma espécie de espelho (local/pessoa que reflete o que eu sinto) ou comunidade (pessoas que mutuamente se apoiam frente às dificuldades desse novo mundo) no qual o pós-graduando pode anonimamente ou discretamente se sentir melhor. E advinha?! a maioria de sites nesse estilo tratam essas situações com humor (ácido, muitas vezes). A zuera criatividade não tem limites e eu já vi de tudo, desde quadrinhos especializados (PhD comics), passando pelos diversos “pesquisadores” (baby, Paola, Tony Stark, Miranda Priestly, ∞), perfis do facebook (tipo nós do posgraduando.com) até musical (sic! Tesis: el musical). Vejam que os sites internacionais nos lembram que alguns problemas não tem fronteira.

Por que rimos tanto? Por que nos identificamos, damos likes, marcamos nossos amigos, damos retweets? Pra não chorar, eu diria. E pra extravasar. Tem situações tão tragicômicas  e realidades tão digamos promotoras de crescimento relacionadas ao universo da pós-graduação, que só muito humor na causa pra evitar o “surto” coletivo. É saudável, aliviador e rende boas doses de endorfina muitas vezes.

E qual o ponto? Tem problema nisso?

Claro que não. Temos mais que rir pra não chorar, amigos.

Mas lembremo-nos que somente risada não resolverá todos os nossos problemas. Muito daquilo que é destacado pelas páginas de humor reflete problemas graves ainda pouco discutidos entre os pós-graduandos fora do âmbito “cafezinho” ou sessão de terapia em grupo. Precisamos não só rir e passar para próxima mensagem… Mas, cobrar, agir, conversar e nos preparar melhor para essa fase, usando os meios que forem necessários. Discutir temas relevantes como remuneração, falta de programas de seguridade social para os pós-graduandos, desenvolvimento de problemas de saúde física e psicológica durante a pós-graduação, relação orientador-orientado, relação órgão de fomento-orientador-orientado, posturas de programas de pós-graduação, posicionamento do governo federal frente ao ensino superior… é atual e muito urgente. Aí, talvez, o número dessas páginas diminuíssem, o que seria uma pena, mas ganharíamos em qualidade de vida e trabalho.

Vamos rir, mas vamos pensar e agir também.

By |2018-12-06T01:56:19+00:0008-01-2015|debates|73 Comments

About the Author:

Bióloga pernambucana e doutoranda em Ecologia e Recursos Naturais (UFC). Escreve crônicas "desde que se entende por gente" para registrar e refletir sobre o universo ao seu redor. Aprecia os pequenos prazeres da vida e é uma otimista incorrigível.

73 Comments

  1. Gleici 08.01.15 at 16:08 - Reply

    Olá Raiana, ótimo texto. Realmente precisamos não só rir dos percalços, mas também agir para mudá-los. Falta engajamento entre nós pós-graduandos.

  2. Luizianne Alves 08.01.15 at 16:15 - Reply

    Raiane Lima Naiara Pirahi
    Rir para não chorar rss

    • Raiane Lima 08.01.15 at 17:59 - Reply

      Kkkkkkkkkkkkkk
      Fatooo Luizianne Alves!!!!
      Remuneração, falta de seguros. ..desenvolvimento de doenças ou agravamento das mesmas (sabemos bem) não são discutidos e o governo Dilmatico pouco liga p a pesquisa nacional

    • Naiara Pirahi 08.01.15 at 20:41 - Reply

      Rir pra não chorar… Chorar… chorar.. e rir de novo

  3. Monalisa Soares 08.01.15 at 16:18 - Reply

    Fernanda Lamede, Léa Medeiros, Bárbara Soares, Zé Geraldo,

  4. Jozi Beatriz 08.01.15 at 16:20 - Reply

    Vamos rir, mas vamos refletir e discutir também! Gostei!!!

  5. Nataly Kim 08.01.15 at 16:29 - Reply

    A coisa tá feia.. .

  6. Eloize Kamei 08.01.15 at 16:34 - Reply

    Joel Dutka

  7. Jhonatan Guedes 08.01.15 at 16:36 - Reply

    Realmente, esses temas são importantíssimos. A formação dos pesquisadores no Brasil ainda é vista como um “favor”, onde você é um privilegiado por receber uma bolsa para estudar. Junta-se isso ao fato de que a passagem pelo mestrado e doutorado é uma fase “transitória” e que exige foco, muito foco, perde-se mais ainda a capacidade de realizar-se mobilizações em prol de melhorias para os pós-graduandos. Algo que tem me preocupado bastante é o número cada vez crescente (aos meus olhos) de pós-graduandos que abandonam ou dão uma pausa nos cursos por problemas psiquiátricos/psicológicos. Não é somente a sociedade brasileira perdendo investimentos em formação, mas uma pessoa que está sofrendo algo que afetará sua vida por muito tempo! E vejo isso sendo simplesmente ignorado (há notificações para isso? acredito que não, pois não há nada oficial como uma seguridade social que permita-se coletar dados e realizar análises das ocorrências. Tudo está arquivado em pastas emboloradas nos arquivos dos PPGs).

  8. Maria Fernanda Casalechi Rezende…..rs, se prepare!

  9. Tatiana Fidalgo 08.01.15 at 16:40 - Reply

    Aline Letieri, todo mundo passa por isso, está vendo… risos Animo e vamos que vamos!! 😉

  10. Mariúcha Nóbrega

  11. Não tem como não concordar. Quando entrei na pós meu mundo se abriu também. E para melhor. Aprendi muito e me apaixonei. O que dói é que muitas das frustrações, correrias, ansiedades e tristezas poderiam ser evitadas com um pouquinho de boa vontade e colaboração. Metade das piadinhas da pós poderiam nem existir!

  12. Heder Dorneles 08.01.15 at 17:08 - Reply

    Só queria receber minha bolsa…

  13. Eu tb Heder Dorneles rsrs

  14. Patrícia Meireles 08.01.15 at 17:19 - Reply

    Erika Cavalcanti Camila Barros Natália Lefosse Leidiane Francis Thais Silva Bárbara Brito Aluska Mirtes Queiroz adoreeeeeeei o texto meninas! Tão nóssss rsss Saudades do grupo!

    • Marlon Panizon 09.01.15 at 10:56 - Reply

      #Partiu pedreiragem, sair do lab e procurar serviço… as contas nao param

  15. Paula Bigogno 08.01.15 at 17:20 - Reply

    Lúcido!

  16. Rodrigo 08.01.15 at 17:40 - Reply

    O texto reflete a realidade de forma superficial, ao mesmo tempo que chamou minha atenção para a seguridade social do estudante de mestrado e doutorado. Sem dúvida deveria haver programa específico para esse público, que precisa se dedicar integralmente à essas atividades de trabalho, que rambém é mal remunerado. A seguridade social representaria uma segurança, além de compensação, face aos desafios físicos, psíquicos e sociais dos mestrandos e doutorandos. Ao final, quando retornam ao mercado de trabalho, tiveram seus 2 ou 4 anos de trabalho acadêmico acrescentados à sua história profissional.

  17. Karla Samara 08.01.15 at 17:59 - Reply

    Pois é né?! Alice Oliveira Philippe de Castro

  18. Raiane Lima 08.01.15 at 18:01 - Reply

    Elcid Dobloni
    Guilheane Barbosa…. vão aprendendo. ..

  19. Guilheane Barbosa 08.01.15 at 18:02 - Reply

    Uiiiiiiiii to chegando

  20. Tássia Oliveira 08.01.15 at 18:06 - Reply

    Ótimo texto…com certeza o pós-graduando brasileiro precisa receber uma atençao mais adequada em nosso país, precisamos ser reconhecidos como pesquisadores que somos e não continuar sendo tratados apenas como estudantes, sem falar na bolsa que está longe de ser justa.

  21. Duda Belem 08.01.15 at 18:18 - Reply

    Eliana Calientte

  22. Danilo Damous 08.01.15 at 19:21 - Reply

    Winnie Silva

  23. Fernanda Rocha 08.01.15 at 18:47 - Reply

    Nesse tb Claudia Regina Vieira Rocha

  24. Anna Léa Silva 08.01.15 at 19:02 - Reply

    “Sobrevivi” ao mestrado e ao doutorado…consequencias…hipertensao arterial e sessoes semanais de terapia…mas faria tudo de novo! Amo!

  25. Gaio Guedes 08.01.15 at 19:31 - Reply

    Informe CAPE$: aos bolsistas com bolsa em atraso ou que não receberam bolsas do ano passado, a oportunidade do momento é vender sua arte na
    praia.

  26. Karla Ribas 08.01.15 at 19:31 - Reply

    Ana Christ Priscila Rosa

  27. Perfeito.

  28. To pensando em escrever um livro c as historias da pós

  29. Infelizmente o amor pela ciência não paga as contas. Precisamos mostrar a importância da nossa profissão para a sociedade, não somos simples estudantes apesar de sermos tratados dessa forma.

  30. Gabrielle Pereira 08.01.15 at 20:36 - Reply

    Luciana Varella Paula Fonseca Andreia Varela Ana Cecília Galvão Ivanice Bezerra Larisa Lima Thaciane Soares Fernanda Santos Emerson Siqueira Júlia Morais Fernandes

    • Paula Fonseca 08.01.15 at 21:48 - Reply

      “só muito humor na causa pra evitar o surto coletivo”
      Disse tudo.

  31. Gabriela Machado 08.01.15 at 21:49 - Reply

    Lembrei de vcs Rafaela Rocha, Larisse Barbosa, Kássia Kiss, Lorena Cavalcante, Laísy Nunes, Anna Beatriz, Linda Meira Meira

  32. Arissa Felipe 08.01.15 at 22:07 - Reply

    Só ver que bolsistas CAPES estão sem receber, muitos há 2 meses, e cadê mobilização?
    Enquanto isso criamos um ‘evento’ no Facebook pra lamuriarmos juntos pela falta do dinheiro e acúmulo das dívidas. Seria trágico, se não fosse cômico!

  33. Bárbara 09.01.15 at 06:44 - Reply

    Texto muito interessante,parabéns.
    Realmente neste temos por hábito empurrar muitos problemas deste universo para debaixo do tapete. Se faz necessário rediscutir critérios de concessão de bolsa – sua ampliação ou organização de outro método que dê suporte ao pesquisador e principalmente, impulsionar a pesquisa na graduação, para que realmente o curso universitário traga mudanças reais e palpáveis para a sociedade.

  34. Aline Letieri 09.01.15 at 07:43 - Reply

    Perfeito, Tatiana Fidalgo. É isso mesmo!! Trabalhamos duro mas damos boas risadas também! Hehe. Vamos que vamos!! 🙂

  35. Gustavo Gimenes 09.01.15 at 09:27 - Reply

    A procura da Bolsa da felicidade!!!

  36. angeli rose 09.01.15 at 08:49 - Reply

    Fique tranquila,pois no discurso de posse da presidente Dilma, ela foi bem direta e clara ao dizer que “continuaria a apoiar as universidades”.As questões que se abrem são: “que tipo de universidade?;”o que na universidade?”;”dentro de que política apoiaria a universidade?”E por aí vai…
    (Profa.Dra.Angeli Rose)

  37. Breno Amorim 09.01.15 at 08:54 - Reply

    #CadeMinhaBolsa

  38. Izabel Almeida Alves 09.01.15 at 09:29 - Reply

    Fernando Carreño Bruna Torres Jaqueline S. Izolan Fabricio Priscila Bernardi

  39. Marcelo Menezes 09.01.15 at 09:50 - Reply

    #PartiuCursoNoSenai

  40. Karime Rodrigues 09.01.15 at 10:30 - Reply

    Pessoal, não recebi ainda deste mês! Mês passado eu recebi. Alguém mais não recebeu deste mês?

  41. Jackeline Soares 09.01.15 at 12:13 - Reply

    Pessoal liguei na Capes ….Eles disseram que não há previsão de pagamento ..Estou aguardando e-mail do suporte técnico para que eles possam pelo menos informar um prazo de pagamento

  42. Jackeline Soares 09.01.15 at 12:14 - Reply

    Ouvi falar que o pessoal da Fiocruz já recebeu ….outros amigos disseram que vamos receber somente em fevereiro …vamos aguardar ..tudo vai dar certo

  43. Luiz Fellipe Rocha 09.01.15 at 12:16 - Reply

    Curti!

  44. Suênia Lima 09.01.15 at 13:28 - Reply

    Larissa Brito e Regina Benevides

  45. Bruna Oliveira 09.01.15 at 17:57 - Reply

    Pessoal, sou bolsista capes e até agora nada dela cair. Quem mais tem capes e está na mesma que eu? Preciso pagar a pesquisa. Rs

    • Isaias Frederick 10.01.15 at 15:56 - Reply

      somos 2. outros orgãos de fomento de pesquisa estão na mesma, infelizmente.

  46. Hercules Dias 09.01.15 at 18:28 - Reply

    Partiu Pronatec

  47. Luidhy Santana 10.01.15 at 08:09 - Reply

    atrasar a tese em um dia somos punidos

  48. Eu quero é saber se eles acham que temos de morrer de trabalhar e pesquisar de graça? E vejo um monte de dinheiro sendo desviado nas inúmeras denúncias de corrupção!

  49. Gustavo 10.01.15 at 18:38 - Reply

    Olha, um bom texto!

    E veio em uma hora, que vou te falar… estou aqui em pânico, porque nada que quero escrever sai…
    E a solução? Foi vir aqui refrescar a cabeça kkkkkk

    Espero que resolva! Saberei mais pra frente…

    Abraços

    • carol 05.04.15 at 14:21 - Reply

      de fato, diretórios como este são pro pós-graduando em crise refrescar a cabeça!

  50. Aretusa Cardoso 12.01.15 at 09:20 - Reply

    Aqui na FMUSP nada de bolsa ainda. Ninguém recebeu. Acho justo um ato na Avenida Paulista…

  51. Suanne Martins 12.01.15 at 15:17 - Reply

    Alguém já esta com a bolsa?

  52. Bete Novaes 13.01.15 at 09:44 - Reply

    Olá equipe do Pós-Graduando. Não consigo entrar no site de vcs. Dá erro. Fiz pesquisas por matérias específicas do site e nada entra. Agradeço a atenção.

  53. Renato 30.01.15 at 18:45 - Reply

    Não seja mais uma pessoa dizendo “qual é o ponto?”, por favor… :/

  54. Ulisses Mattes 12.04.15 at 21:01 - Reply

    Ótimo texto!

  55. Daniel 22.08.16 at 00:50 - Reply

    VERGONHA DE TER FEITO DOUTORADO

    Eu desisti e me faz mal só de ter insistido em conviver com as pessoas que convivi e tratar todos bem.
    Universidade é uma farsa! Ilusão e sabemos disso! Persiste-se em pesquisa e na busca de um título de doutorado ou vaga de professor universitário por puro viés de confirmação (querer acreditar acima de qualquer coisa). Alguns suportam fazer pesquisa para rechear o currículo para concursos e outros suportam dar aulas esperando um dia entrar numa universidade federal para fazer pesquisa (baita ilusão), já que dar aulas do nível médio pra baixo é pedir pra morrer (infelizmente as crianças chegam a universidade com quase a mesma cabeça e comportamento). Fiz graduação, mestrado e doutorado numa universidade federal, um ciclo de 10 anos. Sofri, vivi, assisti, e fiquei sabendo de todo tipo de trapaça, mesquinharia, molecagem, fofoquinhas, difamações, perseguição pra afetar meus orientadores, que não podiam ser afetados diretamente e tiveram seus orientandos atacados, ao melhor estilo “quebrem as pernas deles”.

    Tive trabalhos roubados (artigos e patentes), mesmo ajudando a tantas pessoas pelo bem do princípio da multiplicação do conhecimento e colaboracionismo. Fiz parcerias com pessoas de outras instituições federais e tudo isso é um lixo. O meio acadêmico é uma mistura de Game of Thrones com Senado Federal. Só não rola dinheiro fácil. Muita sujeira, esquemas e conspirações a troco de nada (até parece que vão ganhar o Nobel). Não adianta trabalhar sério, vão te definir pela aparência, dinheiro, poder que acham que você tem (se tiver ao lado de um pesquisador de nome), e enquanto tiver utilidade (que te fará ser muito “querido”).

    O meio acadêmico universitário não é um modelo para a sociedade. Não é um ambiente mais maduro, consciente, honesto, evoluído ou respeitador. É um reflexo da sociedade. Muitos dirão “mas em todo lugar é assim”. Questão então de avaliar o custo benefício, pois, de gari ninguém quer trabalhar (embora como gari você não gere ilusões, tem essa vantagem). Não se pode esperar nada de salvador para o país vindo desses “cérebros” que estão mais para intestino grosso da nação.

    Nesse ambiente tem mais respeito o professor que pega as alunas, o que exige ser chamado de doutor até pra tomar um café, o que acumula cargos pra praticar assédio moral, o que fala palavrão, o que faz festinhas e participa de grupos de whatsapp com os alunos sem finalidade científica ou acadêmica, o que rouba ideias e pesquisas até de alunos PIVIC, o que enrola a aula com recortes de figurinhas e colagem em nome da “didática” imbecilizante aprendida na licenciatura (onde por sinal boa parte do tempo se ensina a reduzir o conteúdo a 10% do total ou se faz propaganda comunista).
    Licenciatura que por sinal não tem cadeiras de oratória, não prepara o professor para situações hostis em sala de aula, e vive bitolado em Paulo Freire como se o modelo dele ou ele próprio fosse um deus com resposta pra tudo. Hoje tenho um currículo até bom (todos dizem e tenho criticismo pra saber) para concorrer a uma vaga numa federal, mas desisti. O resultado nunca é proporcional ao esforço muito por culpa dessas trapaças a que se é vítima quando não se aceitar entrar em esquema.

    E nem falei das seleções de mestrado onde o valor da prova cai para 50% da nota (os outros 50% são de um currículo biônico montado pelos orientadores do aluno que já está na federal), tornando impossível um aluno que venha das particulares fazer mestrado numa federal.

    De nada vale ganhar o mundo e perder sua alma. A cada concurso que vejo está mais concorrido. Se em 2006 eram 5 candidatos por vaga eu já cheguei a ver 80 (claro que a maior parte desiste da prova no dia). Concursos arranjados (até os professores revelam aos alunos de confiança) numa frequência que deveria ser denunciado ao Fantástico (já que tem mais visibilidade nacional) só para usarem suas câmeras escondidas e deixar os senadores brasileiros menos desamparados nesse mar de lama. Secretários que roubam bolsas, ou exigem o primeiro mês da bolsa de cada aluno do PIBIC ao doutorado e deixam alunos de mãos atadas sem poder denunciar por medo de ficar sem renda ou para evitar que um conhecido ou parente perca a bolsa. Alunos de iniciação científica imbecis que compram brigas de seus orientadores e deixam de falar com os colegas que são orientados por outros professores. E pior, acham que se não agirem de acordo com essas práticas estão sendo otários, e a coisa assim se eterniza, nascendo mais um criminoso que foi incubado para o próximo concurso montado. E aí vem mais um(a) metido(a) a esperto(a) com seus recortes de figurinhas, palavrões, paqueras, faltas, trapaças, propaganda do currículo e dos títulos.

    Para sobreviver você sempre precisará de um favor, que mais tarde será cobrado por um dos muitos secretários de satã que vive nas universidades federais e te farão de otário para o resto da sua vida a acadêmica, que já dá demonstrações do inferno que pode ser ainda no estágio probatório SE você conseguir passar em um concurso. E você se verá com mais idade dizendo o que já ouvi de muitos professores: “eu devia ter seguido outra carreira”, “eu devia ter feito direito”, “eu devia ter investido na bolsa”, “eu devia ter aberto um comércio”, “eu devia ter feito medicina”.

    E aí vem mais problema… Se você acumular habilidades, capacidades, treinamento, conhecimento, dirão que você quer aparecer. Se você for o mais discreto ser vivente dirão que você está simulando humildade. Se você tentar ensinar de todas as formas possíveis, dirão que está querendo ser líder. Se você se afastar, dirão que quer ser especial pra mostrar que outros precisam de você. Tudo que tem nesse meio é roubo de bolsas, perseguições, processos que “desaparecem” de forma muito conveniente.

    As pessoas em todo lugar só dominam uma arte hoje em dia: a de arranjar briga tentando definir quem é petralha ou reacionário. Sentem uma necessidade visceral de apontar e separar todos em grupos e depois iniciar uma guerra ou no mínimo deixar definidos os grupos para a guerra. Se no café do intervalo você disser que a disciplina típica dos colégios militares poderia melhorar a educação te chamam de pró-ditadura. Se você disser que o Ciência sem Fronteiras é uma boa ideia, mas mal executada e sem rigidez de regras, te chamarão de petralha. Nada faz sentido.
    Isso quando não aparecem as feministas reclamando de tudo. Eu queria ver as feministas criticando as colegas de pesquisa que de propósito (muitas vezes declarado e com orgulho se achando espertas) engravidam para que os colegas terminem suas teses e dissertações. O que elas têm a dizer das que fazem isso de propósito (não das inocentes, claro, sem querer)?

    E das que tiram sarro dos colegas homens que gostam de falar de temas relacionados a ciência (como é de se esperar de quem estar na universidade), chamando-os de nerds (um termo besta importado de estudantes imbecis americanos)? Maduras como são, ainda os acusam de não gostar de mulher. Bem maduro, não?
    O que elas diriam de mulheres que confundem o pessoal com profissional e tratam mal as outras colegas de pesquisa que são gordas, ou não penteiam os cabelos, ou usam uma roupa que não combinam com o sapato?

    Não falta leitura e luta pelo futuro pra quem mora distante de casa e come mal, dorme mal, mora onde não quer. O que elas têm a dizer de mulheres que convidam os colegas homens para sair e mesmo que os caras digam que precisam estudar, são queimados pelas colegas em rodinhas de conversa femininas onde o sujeito ganha fama de v… só por isso? Isso é ético? Isso é respeitoso ou honesto? Não dizem e não fazem nada, só ocupam uma vaga na universidade que praticamente se torna ociosa.
    A vida desse pessoal é imaginar as coisas, falar (quando deveriam se calar), inventar problema e postar foto fútil no facebook.

    O bem eu não sei se existe, mas o mal eu tenho certeza absoluta e não é teoria científica. Desistir dessa carreira amaldiçoada não é morrer na praia, é simplesmente não aceitar aportar em qualquer praia minada e com tubarões. Desejo ardentemente voltar no tempo e fazer outra coisa. Como eu desejo que Deus exista pra me fazer esse milagre!

    Isso é uma M%#@#

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