Pós-Graduação no exterior parte II: A chegada e as aulas.

Depois de mais de um mês afastada, volto para continuar minha planejada sequência de textos sobre minha experiência com estudos no exterior.  A essa altura, meu curso já acabou, já apresentei a banca (e fui aprovada, ufa!) e estou passando por um período que me parece um tipo de “limbo”, onde ainda não vejo resultados do trabalho feito, nem bem ainda sei quais os próximos passos a seguir, mas isso é um assunto pra outro post desabafo.

Voltando a falar de minha experiência, como já falei nesse post, ganhei uma bolsa para cursar um mestrado na Espanha, mais especificamente na Catalunya. Até o momento da preparação para o visto e as questões práticas pré-embarque não tinha sentido nenhuma diferença prática entre Espanha e Catalunya, apenas o site da Universidade ser originalmente escrito em catalão.

A cidade de Girona  é universitária e por isso ali vivem muitos estudantes estrangeiros, mas ainda assim, como não estávamos ali pelo Erasmus que é o programa de intercâmbios padrão, a nossa vida foi bem dificultada em relação à documentação e a efetivação da matrícula. Por alguns outros problemas, chegamos à cidade quando já se haviam passado mais de 20 dias do início das aulas, os apartamentos de estudantes já estavam todos alugados, perdemos as datas de inscrição para os cursos de idiomas e o período de adaptação às aulas.

O curso poderia ser terminado em um ou dois anos letivos, dependendo de escolha por um curso full ou part-time. Como estávamos ali para estudar apenas, escolhemos a opção de fazer em um ano, com os horários das aulas que variavam entre tarde e noite, de segunda a quinta-feira. Um dos problemas iniciais foi a questão de que as aulas eram todas em catalão, mas quando os professores se davam conta de que eu estava em sala (éramos em apenas 13 na turma), alguns falavam em espanhol, a alguns quando falam o catalão com a intenção de se fazer entender é bem possível compreender tudo. Em menos de um mês já era capaz de fazer as anotações das aulas, mas somente escrevendo em português.

A divisão de disciplinas ali era diversa da que estamos acostumados, pois dependendo da quantidade de créditos, existiam aquelas que estavam completas com duas semanas de aula. Em um período de 6 meses de aulas presenciais, cursei um total de 17 disciplinas, e o que pude perceber foi o olhar prático dado à profissão, não tão voltado para a academia quanto nos mestrados acadêmicos aqui do Brasil. Escolhi o Itinerário Profissionalizador (assunto que já abordei nesse post), mas nossa grade tinha apenas uma disciplina diferente daquela do itinerário acadêmico. Durante os seis primeiros meses de aulas eram as aulas teóricas, e os outros seis meses eram destinados à realização do estágio obrigatório e à elaboração do Trabalho Final de Master. No fim, a validade do diploma é a mesma, e a diferença maior foi na apresentação do trabalho final.

Realizei meu estágio em um instituto da Universidade, relacionado à minha ideia de projeto para o trabalho final e a experiência foi ótima. Os meses em que estive (e ainda estou) em contato com o pessoal deste instituto foram aqueles que me aproximaram mais das pessoas da cidade e pude ter contato com experiências incríveis, daquele tipo de experiências práticas que valem muito mais do que horas de sala de aula. Só tenho a agradecer àqueles que me ajudaram e ajudam até hoje, e saí de lá com vontade de voltar e continuar os estudos que iniciamos ali.

Em breve espero escrever sobre o processo de receber o diploma e ir atrás da revalidação, aventura esta que ainda não iniciei e depois divido com vocês. Quem tiver informações e perguntas fique a vontade para participar nos comentários!

By |2018-12-06T01:56:29+00:0004-11-2013|guia|0 Comments

About the Author:

Professora de História, mestranda em Gestão do Patrimônio Cultural pela Universitat de Girona, na Espanha e buscando especialização na área do turismo cultural e gestão de empresas culturais.

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