Pós-Graduação no exterior: chegou a hora!

Oi pessoal.

Está chegando o mês de setembro e, com isso, o início do ano letivo europeu. Nessa época há uma invasão de estrangeiros começando os cursos nos mais variados níveis acadêmicos.

Passagens na mão, passaporte carimbado, horas de voo e você chega no seu destino, seja ele qual for. Você passa pela imigração, que tem o poder mágico de te causar calafrios mesmo sabendo que está totalmente correto, pega as malas, passa pela alfândega, que tem o mesmo poder da imigração e pronto. Livre para voar no novo país!

A primeira impressão é quase sempre fantástica. Estamos mesmo em outro mundo. O bombardeio de novidades nos deixa estagnados por tempo suficiente para não pensarmos no que estar por vir.  Serão meses – ou até mesmo anos –  no exterior, em contato com uma língua e um padrão cultural diferente.  Dificilmente temos uma idéia do que encontraremos. Tudo que nos move é empolgação.

É nessa hora que toda antecipação ajuda. Você pode escolher ser o aventureiro e simplesmente “se virar” no destino ou vir preparado e poupar um bocado.  De qualquer forma, é bom se informar.

1 – Onde morar?
Achar uma casa pode ser um problema sério e caro! Eu morei 3 semanas em um albergue até me mudar. O sistema imobiliário difere bastante do brasileiro e os custos podem ser altos. Facebook e futuros companheiros de ajudam nessa hora. As moradias estudantis, quando existentes, são uma boa forma de se conhecer muita gente em pouco tempo e gastar menos!

2 – Clima? 
Já procurou saber se onde você vai morar neva? Se é seco demais? Chuvoso demais?

3 – O que trazer na mala?
Saber sobre o clima já ajuda. Se for ficar bastante tempo e o lugar é frio – como aqui em Groningen – não compre nada no Brasil! Se você tem como pegar emprestado, ótimo! Mas se for gastar, sempre haverão lojas em queima de estoque. Não traga muita coisa. Se você não usa uma determinada roupa há algum tempo, não é aqui que você vai começar a usar.

4 – Meios de transporte?
Esse tópico reforça o valor de se investir um tempo arrumando a mala. Se locomover pode ser um problema. Sempre há websites contendo as linhas e os valores de trem, ônibus, barco, metro etc. E tente entender! Ao comprar minha passagem de trem para Groningen foi um tempo até fazer a atendente entender a cidade (e óbviamente ela estava se divertindo com isso) e para ajudar, o trem que eu deveria pegar separava no meio da viagem. Entrou no vagão errado… cidade errada…

5 – Comida?
Ainda bem temos um intenso intercâmbio cultural. Encpntra-se quase tudo. Porém, comer fora é caro! Se a sua universidade não tem bandejão (e você vai implorar para ele existir), o jeito é cozinhar em casa e levar uma quentinha. Todo mundo faz isso e seu bolso agradece. Mas, saiba sobre a culinária local, tente coisas novas. No começo eu demorei para achar os ingredientes que temos no Brasil… Mas hoje, tem até churrasco de picanha e feijoada com carne seca.

6 – Médico? Seguro?
Se informe o máximo que puder. Como é o sistema de saúde? O que é coberto? Não brinque com isso. O sistema de saúde varia muito dependendo do país e não é na hora do sufoco que você desejará ter mais surpresas.

7 – Dinheiro?
Sempre é bom saber como você receberá. Em geral você terá uma conta em um banco do país e receberá por ele. Porém, isso pode demorar até você ter sua documentação organizada. Procure saber dos custos de vida da cidade e quando receberá seu primeiro pagamento. Não ofende perguntar e você pode se salvar de um sufoco gigante!
IMPORTANTE: Se você for pago no Brasil e tiver que transferir, muito cuidado com a flutuação do câmbio. Conheço histórias de pessoas que perderam mais de €700 por conta dos esquemas de pagamento da CAPES/CNpQ.

8 – Cultura?
Leia. Se informe. Não fique buscando ver quem é melhor ou pior.  Faça de cada novidade uma experiência construtiva. É comum ver as pessoas discutindo sobre suas culturas, falando sobre diferenças  e similaridades mas, respeite a cultura local e aprenda sobre ela e mostre a eles o que temos de bom.

Cada país é totalmente diferente e não tem como fazer um guia para cada.
Use a internet!

E você, tem alguma experiência para compartilhar quando foi para fora?
Passou algum aperto?
Alguma dica?

Na próxima semana a gente continua.

Abraços!

By |2016-01-14T16:45:50+00:0025-08-2013|guia|12 Comments

About the Author:

Doutorando em Biofísica pela Universidade de Groningen, na Holanda. Mestre em Física Aplicada – Física Biomolecular pelo Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP) e bacharel em Ciências Físicas e Biomoleculares (IFSC-USP). Escreve todos os domingos para o Posgraduando.com sobre Pós-graduação no exterior. Contato: [email protected]

12 Comments

  1. Excelente post, Victor! Achei bizarro e fantástico o esquema do trem dividir! Só imagino o desespero de ver seu trem indo numa direção e você noutra hehehe

    • Victor Caldas 26.08.13 at 03:45 - Reply

      haha desespero é ver os nomes mudando e você nào entendendo nada do que se passa. Por sorte,,, nunca aconteceu comigo. Mas é uma história bem comum!

  2. Everton 29.08.13 at 16:15 - Reply

    Muito bom seus posts Victor. Eu tenho muita vontade de fazer o doutorado pleno no exterior, mas tive que desistir por um simples motivo: inglês. Pois é, nunca tive oportunidade (leia-se grana) pra fazer um curso e o que sei (que é até bastante, visto que o meu inglês é o de escola pública..kkk) não é o suficiente. Mas ainda tenho vontade de após o doutorado fazer o pós-doutorado, ate lá conseguiria treinar mais o inglês e ter uma grana porque todo esse processo é muito caro e exige paciência. Mas acho muito legal e importante essas dicas pois ajudam quem têm dúvidas. Abraço e bom estudo!

    • Victor Caldas 30.08.13 at 08:54 - Reply

      Oi Everton, Eu fiz o curso básico em inglês (2 anos e pouco) e o restante eu aprendi na internet, vendo seriados, lendo e procurando cursos on-line. Ter um certificado como o TOEFL é caro e isso pode pesar. Além disso… muitos livros que usei na graduaçào e no mestrado e todos os artigos científicos são em inglês. Procure algum simulado e veja como você se sai. Boa sorte!

  3. anne 30.08.13 at 18:14 - Reply

    Fazer doutorado no exterior nao e facil
    ..quanfo cheguei em paris, marco deste ano, passei muitos perrengues..
    Principalmente com a questao de moradia e adaptacao. .
    Mas no final vale a pena

  4. Luana Cruz 30.08.13 at 18:20 - Reply

    Penso em fazer o doutorado sanduíche, mas me preocupo com a questão financeira. É possível viver com a bolsa no exterior?

    • Victor Caldas 31.08.13 at 12:27 - Reply

      Oi Luana, a bolsa é sim mais do que suficiente para viver. Paga-se todas as contas. Não sei se em outras cidades o custo de vida é muito mais caro que aqui mas, a Holanda é um dos países mais caros e mesmo assim, se vive muito bem.

  5. Lúcia 30.08.13 at 19:07 - Reply

    Muito bom o artigo, vou agora em Setembro para Portugal (se Deus quiser, aiiiiii, dá até um frio na barriga), fazer um Mestrado e esse artigo veio mesmo à calhar.

  6. Caroline 30.08.13 at 19:46 - Reply

    Olá Victor, parabéns pelo seu post. Ótimas dicas.
    Para o próximo ano, pretendo cursar mestrado, fora do país (ainda estou escolhendo o país, pois quero trabalhar com Biologia Forense e não são todas as Universidades que oferecem esse mestrado). Contudo, necessito de bolsa para estudar, o CsF só oferece bolsa de graduação (a qual me permitiu cursar 1 ano lindo em Barcelona 😉 ) ou pra doutorado, pra mestrado não achei nenhuma instituição financiadora. Como você está estudando fora, penso que pode me ajudar neste sentido. Um abraço.

    • Victor Caldas 31.08.13 at 12:30 - Reply

      OI Caroline, talvez seja o fato de você pensar com mais calma sua estratégia. O mestrado é um curso rápido e, não creio que você terá tempo para aprender e amadurecer uma carreira complexa dessas em pouco tempo. Talvez seja interessante você iniciar um mestrado no BRasil já na área forense e durante seu mestrado, buscar um doutorado no exterior. Ainda, não se limite a bolsas do CsF. Existem bolsas aqui fora e elas são sim acessíveis. Dê uma lida nos meus outros posts que ;á tem algumas dicas para começar essa busca. Boa sorte!

  7. Andrea 30.08.13 at 23:58 - Reply

    Oi Victor! Poderia nos falar um pouco mais sobre essa parte do “dinheiro”. Que caso foi este em que alguém perdeu 700,00 euros por conta da flutuação de câmbio e do sistema de pagamento da CAPES/CNPq?

    • Victor Caldas 31.08.13 at 12:35 - Reply

      Oi Andrea, a Capes e o CNPq pagam as vezes em esquemas de trimestre, dependendo do tipo e duração do programa. O que aconteceu é que parte da bolsa é paga no Brasil (já que você ainda não tem conta no exterior) e em reais, o que é muito bom pois te ajuda a se mudar (inclui passagens aéreas e auxilio deslocamento). Entrentando, a bolsa que é paga para doutorado ;e de 1300 euros – um bom valor. Acontece que, se são pagos os valores em reais, você tem que converter para euro e a flutuação do cambio varia. Ainda, a cotação que você vê nos jornais é praticamente inacessível para pessoas normais.. nessas contas, você perde de 10 a 15 centavos na conversão e somando ao montante de dinheiro, perde-se muito. Veja que não é um dinheiro que não te deram. Eles deram, porém o cambio varia. Pagar 1300 euros é uma coisa. Te dar 1300 euros em reais para você converter para euro.. é outra completamente diferente.

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