7 motivos que fazem seu artigo ser recusado pelo periódico

Nada mais frustante do que receber a resposta daquele periódico que seu artigo foi recusado.

Ficamos frustados, indignados e muitas vezes não conseguimos ver com clareza os motivos da recusa.

Afinal de contas, nós, pesquisadores, que desenhamos e planejamos o estudo com tanto cuidado, nos dedicamos aos resultados das análises e preparamos o manuscrito com tanto esmero.

Como lidar, então, com o recebimento de uma resposta quase educada do periódico pretendido, mas cujo conteúdo nos informa que nosso manuscrito não é relevante e/ou não está bem redigido ou adequadamente fundamentado?

Reunimos aqui as causas mais frequentes para a recusa de artigos.

O seu artigo pode ser rejeitado por um editor de periódicos antes mesmo enviado para revisão pelos pares.

E os possíveis motivos para isso são:

  • O artigo não é relevante para os leitores dessa revista.

    Ou seja, não se enquadra no escopo do periódico.

  • O artigo não contribui para novos conhecimentos na disciplina ou na aplicação de conhecimento.
  • O artigo não atende aos padrões éticos estabelecidos pelo periódico.
  • O artigo está mal escrito ou o documento não foi preparado de acordo com as diretrizes da revista para submissão.

Os motivos acima mencionados também podem ser dados pelos revisores de periódicos como razões para rejeitar um artigo uma vez que ele passou pelo processo de revisão.

Os motivos por que um artigo foi rejeitado uma vez revisados por pares ​​são principalmente:

1) Problemas éticos

Se refere a uma conduta inadequada do autor.

De que maneira?

  • Detecção de plágio.
  • Uso exagerado de autocitação ou problemas de não indicação de autorização para pesquisa.
  • O autor emite opiniões, sentimentos desnecessários em artigo científico.
  • O autor deveria ter tido uma distância crítica para analisar a obra.
  • A pesquisa não é objetiva e isenta.
  • Não há informação sobre termo de consentimento informado e aprovação pelo comitê de ética.
  • Falta ética ao nomear o sujeito de estudo (principalmente quando se refere a patologias, por exemplo “crianças down”).
  • As referências utilizadas parecem ser de caráter ideológico e opinativo.

2) Problemas com os objetos ou instrumentos de estudo

Se refere a formulação de questionários e entrevistas, aos objetos ou instrumentos metodológicos utilizados pelos autores.

Por exemplo, há falhas na construção no instrumento de coleta e isso enviesa o resultado da pesquisa.

Ou quando o instrumento de coleta, não possibilita identificar as relações entre o discurso e a prática.

Além do erro na escolha do instrumental da pesquisa, a recusa também ocorre quando há uma inadequação quanto ao objeto da pesquisa.

Seja na descrição, no tamanho da amostra, no objetivo.

3) Problemas de originalidade

Na maioria dos periódicos as normas para publicação exigem que o manuscrito seja original.

No sentido de que não tenha sido apresentado em evento ou outra revista e que se constitua num texto relevante para a área.

Quando o artigo já foi publicado sob outra forma, tais como tese, dissertação, trabalho apresentado em evento, esta informação deve constar no momento da submissão do manuscrito, para que o editor julgue se envia, ou não, para a avaliação.

Vários periódicos não aceitam trabalhos publicados em eventos, ainda que tenham sido expandidos.

Essa é uma questão bastante diversa.

4) Problemas de redação

O trabalho científico é avaliado por sua qualidade de conteúdo e por sua qualidade formal.

Diz respeito aos meios e formas usados na produção do trabalho, de acordo com os ritos acadêmicos.

Nesta categoria, estão relacionados os problemas observados à forma do manuscrito e que comprometem a exatidão, a clareza e a comunicabilidade da mensagem que o autor pretende transmitir.

Erros de redação, digitação, ortografia, concordância verbal, gramática, parágrafos sem conclusão, linguagem telegráfica ou truncada, além de pobreza no estilo e na escrita.

Quando o autor se coloca na primeira pessoa do singular, noutras, no singular, repete termos na mesma frase e deixa os parágrafos sem nexo também é um problema.

Enfim, as orações precisam ser mais bem explicadas para as frases ganharem sentido.

Escrever com clareza é uma aptidão a ser desenvolvida.

5) Problemas de normalização

Se referem ao atendimento, à normalização de um texto cientifico de acordo com as normas do periódico.

E também das regras que visam à qualidade e precisão dos aspectos da comunicação cientifica e que comprometem a qualidade e o desenvolvimento lógico do texto.

São exemplos de problemas com normas que acarretam a recusa do artigo:

  • O resumo não atende as normas.
  • Não atende as normas do periódico.
  • Referências bibliográficas fora das normas, citações incorretas e falta de referências citadas.
  • Foge à política editorial do periódico.
  • A sessão/formato do artigo errada
  • Excessivo número de notas de rodapé, algumas desnecessárias.

6) Problemas de aprofundamento teórico

Ao elaborar o texto, o autor demonstra o que leu e aprendeu sobre o assunto, descrevendo seu referencial com base nos autores lidos.

Os avaliadores também procuram observar o “diálogo” que o autor promove entre os teóricos incluídos no artigo e a coerência no uso das teorias selecionadas.

Dentre os principais pontos considerados motivos para a recusa podemos citar:

  • Conteúdo confuso. Ou seja, o autor não consegue expressar suas ideias com clareza.
  • Suporte bibliográfico reduzido.

    O artigo poderia ter uma bibliografia mais atual e original.

  • Pouca consistência teórica.

    Quando falta teoria para fundamentar as ideias expostas no artigo.

  • Imprecisão conceitual.

    Ou seja, o autor não consegue definir os conceitos que cita no texto.

  • Não cita autores e trabalhos importantes no tema ou cita de modo equivocado.
  • Incoerência interna do texto: qual a base filosófica em que o autor se apoia?
  • O texto não constitui diálogo entre os autores apresentados.

7) Problemas de Metodologia científica

São pontos que causam uma avaliação negativa:

  • Metodologia inadequada, frágil, ou quando não é clara.
  • Enfoque metodológico superficial.

    Ou seja, a metodologia não condiz com os objetivos ou produz dados insuficientes.

  • Falta profundidade nas discussões.
  • Dados empíricos não sustentam a discussão pretendida.
  • Carece de dados empíricos para a discussão.
  • Falta tabelas e gráficos para explicar melhor o texto.
  • Conclusões frágeis.
  • Trabalha pouco os dados.
  • Não alcançou o(s) objetivo(s) proposto(s).
  • Não esclarece os procedimentos adotados para análise.

Um artigo recusado é sempre uma possibilidade de aprimoramento.

E passada a frustração inicial é hora de retomar o trabalho.

Uma dica para evitar artigos recusados é antes de submeter conferir se:
  •  A questão da pesquisa é significativa e o trabalho é original?
  • Os instrumentos demonstram ter uma confiabilidade e validade satisfatória?
  • Os resultados estão claramente relacionadas às variáveis ​​com as quais a investigação se preocupa?
  • O projeto de pesquisa prova totalmente e sem ambiguidade a hipótese?
  • Os participantes são representativos da população para a qual são feitas generalizações?
  • A pesquisa está em estágio suficientemente avançado para tornar a publicação de resultados significativa?
By |2018-12-06T01:56:12+00:0019-03-2018|guia, redação científica|2 Comments

About the Author:

Autora dos blogs Ponto Didática e Ponto Biologia, é graduada em Ciências Biológicas (licenciatura) pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais e mestre em Ciências (ênfase em Ensino de Biologia) pela Universidade de São Paulo.

2 Comments

  1. Renan 30.03.18 at 08:19 - Reply

    Olá!

    Sei que não é assunto desta postagem mas alguém poderia me esclarecer:

    1. Há exigência (por parte do MEC) de tempo mínimo para realização do curso de pós (lato sensu). Não me refiro a carga horária, que sei que o minimo é de 360hrs, me refiro à possibilidade de realizá-la em tempo curto, como 2 meses, já com tcc e prova final.

    2. Há exigência (por parte do MEC) de provas presenciais e TCC presencial, ou pode ser feito tudo via on line?

    Muito obg!

  2. Elaine dos Santos 01.05.18 at 00:24 - Reply

    Oi, Teresa! Sou professora doutora em Letras, já orientei trabalhos de diferentes níveis e, atualmente, trabalho com revisão de textos acadêmicos (artigos, monografias, dissertações, teses), observo que, em geral, como vivemos uma grave crise no ensino e, em particular, no uso da língua materna, há textos escritos mesmo por doutorandos que são sofríveis do ponto de vista linguístico. Já aconteceu de, diante de uma suposta tese de doutorado, questionar-me se era um “trabalhinho” de ensino de médio. Parece-me que alguns orientadores poderiam ser mais exigentes com os seus orientandos, literalmente como diz o gaúcho, “chamando-os na chincha” ou, como queira “apertando-os”, fazendo uma peneira, escolha o termo que melhor lhe aprouver.

    Por outro lado, observo uma terrível resistência ao cumprimento das normas da ABNT. Ontem, dizia para um graduando do meu círculo pessoal de relações que está fazendo um trabalho monográfico e declarava que não havia normatizado o texto: “faça-o antes de começar a digitar, evite dissabores a posteriori”, mas eles nos olham como se fôssemos ETs. De minha parte, quando começo um artigo, a primeira providência é formatar a página conforme as normas expressas em diretrizes para autores na página virtual da revista.

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