Política e futebol não se discutem?

Política e futebol não se discutem, essa é uma frase dita o tempo todo, a ouço desde os tempos mais remotos de minha infância, e assim, entra ano, sai ano, chega eleição, passa eleição, e a frase permanece como se fosse uma verdade imutável. Mas ela não é verdadeira!

Se lançarmos em uma mesa do bar a opinião “o Sport é o campeão brasileiro de 1987” ou “o mundial de clubes de 2000 não valeu de nada, foi um torneio de verão” surgirão concordantes e desconcordantes, que discutirão por horas, cada qual com “n” argumentos, estatísticas, dados históricos, detalhes de bastidores, etc, etc, etc, que não mudará em nada a vida de ninguém, mas a discussão irá até que o último gole de cerveja seja tomado, portanto, futebol se discute sim.

Por outro lado, a política, essa parece causar alergia ao se iniciar um debate. Nas redes sociais quem ousa tocar no tema é mal visto, muitas vezes é até excluído da rede de contatos. No entanto, os mesmos que dizem que não gostam de política, e que esta não se discute, são os primeiros a republicarem conteúdos apolíticos que envolvem política, como os criados por várias páginas da internet, paradoxal isso né, mas é verdade!

Esta tem sido a forma de atuação dos brasileiros em redes sociais, que é uma coisa calamitosa, a ponto de Mark Zuckerberg dizer que nosso comportamento “estraga tudo”. O que vemos diariamente é uma replicação de frases e imagens alienantes, sem sentido, desprovida de argumentos e o que é pior, sem tocar no cerne do problema.

A copa do mundo que se aproxima foi totalmente politizada (sqn), fala-se dos gastos exorbitantes com a construção de estádios e pede-se educação e saúde nos padrões FIFA. No entanto, foram gastos até agora algo em torno de R$ 8 bilhões em estádios e o orçamento da saúde e educação foram de R$ 800 bilhões, ou seja, a realização do mundial não afeta em nada os investimentos nestes e de outros setores, como segurança e transporte.

É preciso saber onde está ingerência de todo este processo, porque os R$ 800 bilhões não chegam aos hospitais e as escolas, como ele é desviado pelo caminho e quem faz o desvio. E aqui eu digo, todos os partidos estão envolvidos, o dinheiro sai de Brasília pelo PT, chega a um estado de PSDB que repassa para uma prefeitura que pode ser PMDB, PV, PCdoB, etc. A engrenagem do sistema político brasileiro é falha, e definitivamente não está a serviço de nós cidadãos comuns. É preciso trocar essa engrenagem, mas isso não será feito compartilhando imagens com frases idiotas de um tema tão importante como a política!

Se politizaram o futebol, espero que futebolizem as eleições, e que isso gere debates aprofundados como os da mesa do bar descrito no começo do texto.

Política e futebol se discutem sim!

By |2018-12-06T01:56:22+00:0019-05-2014|debates|11 Comments

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Doutorando em Química. Escreve neste blog as quarta feiras concorrendo com o futebol! O conteúdo varia conforme o humor e as atividades da pós-graduação.

11 Comments

  1. Vinicius Ramos 19.05.14 at 06:24 - Reply

    Justamente, a falta de discussão sobre política é, ao meu ver, o que elege todo e qualquer mau politico em nosso Brasil. E não adianta discutir só em ano eleitoral, o debate tem que ser constante!!

  2. Rudney Doglas 19.05.14 at 06:43 - Reply

    Futebol nao se deve discutir, já que a discussão do mesmo nao leva a nada de importante. Mas politica deve-se discutir já que se trata de ideologias e interesses, tanto por parte do partido politico como por parte do eleitor.

  3. G. Marra 19.05.14 at 07:43 - Reply

    Um monte de informações errada nesse texto. Francamente, acho que devia ser excluído do site, ou que deveria haver um mea culpa.

    O Orçamento da União prevê 7,3% do PIB para saúde e 5.3% em educação. Dado o PIB em 2013 (2253 trilhões de Dólares), a soma do que se gastou com saúde e educação é aprox. 284 bilhões, enquanto os gastos com a Copa (aos quais os 8 milhões – na verdade 8,9 bilhões – citados referem-se apenas aos estádios) contando com toda a infraestrutura que também recebem investimentos, já passam dos 10% deste valor.

    Enfim, se quer debater política, faça-o com honestidade sincera, pois senti um cheiro de proselitismo político nesse texto. Muito inadequado para este site.

    • Os dados foram extraídos de um texto do Gilberto Carvalho (PT), publicado na UOL do Grupo Folha (Imprensa)

      Segue os trechos:

      “Nos 12 estádios, que custaram R$ 8 bilhões, o governo federal entrou com R$ 3,9 bilhões de financiamento do BNDES. Mas esses financiamentos serão pagos…”

      “os R$ 25,6 bilhões gastos com estádios e obras ligados à Copa, desde 2010, não são comparáveis aos R$ 825,3 bilhões que o governo federal investiu em educação e saúde nesse mesmo período…”

      O restante dos gastos, na verdade são investimentos importantes para o país ( estradas, avenidas, aeroportos, etc). Como o texto não é uma defesa governista, nem uma defesa da copa do mundo, não fiquei me pautando por estes números. Em nenhum momento utilizo números falsos, e/ou desonestidade intelectual para escrever o texto!

      • G. Marra 19.05.14 at 15:16 - Reply

        Que motivos o Gilberto Carvalho tem para ser crítico em relação aos valores gastos com a Copa?
        Então devemos investir em estradas, avenidas e aeroportos somente por causa da Copa?
        Então o Brasil só pode obter esses avanços se for para abrigar um grande evento?
        Você pode referenciar as fontes, que você com certeza consultou (estamos num ambiente cheio de pesquisadores que se prezam), que fazem críticas negativas e com propriedade acerca destes números? Eu não acredito que o autor tenha sido tão negligente a ponto de pesquisar somente numa fonte tão parcial quanto a que foi mencionada.

  4. José Paulo 19.05.14 at 08:59 - Reply

    1. Evolucionismo x Criacionismo
    2. Médicos Cubanos: ação, reação e a quebra de paradigmas
    3. Rosas
    4. Nossa sociedade está doente?
    5. Política e futebol não se discutem?

    Marlon, nada contra você ou seus textos, mas acho que você ainda não entendeu a temática do blog.

    Vai aí uma dica: “Pós-Graduando”

    • Roberto 19.05.14 at 09:52 - Reply

      Matou a pau, José Paulo!

      Pelo título do texto e pelo site em que foi publicado, comecei a ler na expectativa de encontrar algo sobre os avanços das pesquisas políticas e das pesquisas esportivas, as recentes contribuições das pesquisas nestas áreas, ou ainda algo sobre as dificuldades de quem pesquisa e estuda estes temas na Pós-Graduação…

      A impressão que tive é que algum amigo do autor compartilhou uma atualização do TV Revolta no Facebook e que, ao invés de ir “xingar muito no Twitter”, ele resolveu utilizar este site sobre Pós-Graduação para defender o governo.

      Como disse o G. Marra, “muito inadequado para este site”.

  5. buca 19.05.14 at 09:23 - Reply

    parabéns pelo texto! não entendo comentários dizendo que um site de pós-graduação não seria o local para discutir isso. oras bolas (com o perdão do trocadilho do futebol), a maioria de nós é bolsista do governo. conhecemos de perto a educação. sabemos que ela tem seus problemas, mas que tem avançado bastante nos últimos anos (inclusive o valor das bolsas de pós-graduação que subiu). mas a educação não melhora com uma imagem de “eu apoio 10% do pib para a educação”. é preciso se discutir no que investir. educação de base? como fazer o dinheiro chegar aos municípios de forma mais segura? e se for no ensino superior, o que priorizar?
    nós, que usamos o rigor científico em nossas pesquisas devemos ter o mesmo cuidado com o que propagamos na internet 🙂

    • G. Marra 19.05.14 at 15:25 - Reply

      Senhor, por favor não confunda as coisas. Em que se relaciona ao tópico o fato de aqui haverem bolsistas? Entenda: ser bolsista não significa ser dependente do Governo, subalterno do Ministério da Educação, corroborador das práticas do Estado nem nada disso, muito menos abster-se de criticar a Copa do Mundo e outras presepadas do PT. Bolsa de pós-graduação não é um “cala a boca”. Muito antes pelo contrário. É um investimento em ciência que o país faz (ciência é feita por humanos, certo?). Os que conseguem, o fazem por MÉRITO. Não é assistencialismo barato. É um grave erro colocar todas as bolsas num grande “saco” e afirmar que todos os beneficiários são iguais e deveriam ver no Governo a mão provedora que dele dependem as suas respectivas vidas.

      E para terminar, o ajuste no valor das bolsas não foi parte de algo que tenha “avançado bastante”. Ele mal cobre a inflação do período sem reajuste. A maioria dos beneficiários não consegue fazer pesquisa de ponta com este valor, nem o mesmo estimula as pessoas a se manterem com ele durante a pós-graduação em boa parte das áreas (em Engenharia, por exemplo, porque você iria se dedicar a um Mestrado de 2 anos se os ESTÁGIOS DE GRADUAÇÃO às vezes pagam mais que os 1500 reais de bolsa? Como corolário, nossos avanços científicos em engenharia são bastante humildes frente à comunidade científica internacional.)

  6. Augustinho Borsoi 19.05.14 at 12:19 - Reply

    bem certo ne meu filho, escreveu seu texto tendo como base o texto do Gilberto Carvalho…. aí é bunituuuu… kkkkkkkkkkk

  7. Caio Lopes 21.05.14 at 11:05 - Reply

    Se você tivesse discutido política e futebol o suficiente pra saber, afinal, por que “política e futebol não se discutem”, não teria postado esse texto, aqui e assim.

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