Uma Odisseia Pós-Doutorado

Por Willian Abraham da Silveira*

Essa história tem um começo que é, infelizmente, muito comum: o fim do doutorado sem nenhuma previsão do que fazer depois. Meu orientador decidiu passar um ano sabático em Cambridge, Reino Unido, e em pouco tempo ficou claro que não daria para eu segui-lo nisso.

O laboratório francês em que eu fiz parte do meu doutorado me queria de volta, mas não tinha dinheiro (ou não queria usar o dinheiro que tinha) para pagar o meu salário, e com a bagunça político-econômica que o Brasil enfrenta, não estava encontrando muitas possibilidades por aqui.

O primeiro baque: a bolsa acaba.

O dinheiro guardado não é muito, aulas não aparecem para serem dadas, a volta para casa dos pais depois de 11 anos fora.

O quarto ainda é seu, praticamente inalterado em uma década (valeu por isso, mãe!), mas a pessoa que agora volta para ele é outra: viu o mundo, pagou contas, teve o coração destruído e espera não ter destruído o de ninguém….

Nem cabelo tem mais.

Aquelas fotos de um menino de cabelos cacheados parecem ser de outra pessoa, outra vida.

Os amigos casaram e tiveram filhos, os primos cresceram quase sem te ver, as crianças mais novas da família não sabem quem você é.

A vida seguiu sem você.

Por sorte, as tias e avós ainda acham que você é uma das crianças que ficou muito tempo sem ir nos almoços de domingo e te tratam como tal.

Você se reconecta com essa vida, mas sabe que ela não é mais sua, não sabe que direção tomar.

Pra que todo o esforço? Do que valeu as viagens, prêmio, dinheiro curto, sacríficos pessoais?

A barba cresce. O dinheiro acaba. Você quase não sai do quarto. Há alguma coisa errada, você deveria saber o que é, e como consertar, mas não sabe.

Um dia cansa.

Autopiedade não resolve a situação.

Faz a barba, raspa o cabelo. Refaz o curriculum. Manda para todas as Universidades e escolas da região.

Nada.

Nature Jobs” e “Science Carreers” viram praticamente sua homepage. Depois de algumas semanas aquelas vagas na Arábia Saudita e em Xangai não parecem assim tão fora do que você quer.

Um e-mail é respondido, entrevista marcada, a primeira, a vaga é em Israel. A entrevista não vai bem, volta-se a rotina de procura. Manda-se mais e-mails, alguns “não” são tão educados, já que a maioria nem responde, que você manda mais um e-mail só para agradecer a gentiliza.

Alguns e-mails são respondidos, entrevistas marcadas e desmarcadas. Mas então em uma você ri, fala o que trabalhou, o que espera trabalhar, os dois lados gostam do que ouvem, te oferecem uma vaga e você aceita.

Você sente alguma coisa estranha, mas deve ser imaginação sua, é uma vaga, nos EUA e para trabalhar na sua área. O que pode dar errado?

Começa a correria da mudança, tira outro passaporte, pede visto, vai no consulado uma vez, vai uma segunda, vai uma terceira. Assina papel, assina mais papel e ainda mais papéis existem para serem assinados.

Gasta-se dois mil reais que você não tem, seu irmão te ajuda. Compra passagem, aluga casa, faz conta de quanto é o mínimo necessário para poder comer – não é uma bolsa da FAPESP, o salário só vem no fim do mês e o primeiro é igual os outros, um só, não dois.

O irmão ajuda de novo, a família também (“putz, quanto tempo eu demoro para poder pagar eles?”).

Você muda. Você chega. Tem algo estranho. Como assim não me disseram nada da debandada de doutores do laboratório no ano passado? Uma vaga foi oferecida para a doutoranda, no singular, e ela não vai aceitar porque o trabalho deixou ela depressiva? A chefe teve duas reclamações formais contra ela? Por que ninguém me falou? Eu perguntei antes de assinar o contrato. E que papel é esse que só me foi entregue agora? Como assim ele define meus dias e horários de trabalho, férias, como minha relação deve ser com a chefe e só me foi entregue agora? Aqui? Algo começou muito mal.

Conversa-se com a chefe, ela fica apreensiva, você mais calmo. As semanas passam, o que foi combinado não é cumprido, o que lhe foi prometido na contratação não lhe é entregue. Preconceito, falta de empatia, se espera que você trabalhe longas horas, não gostam que você leia artigos, não gostam que você questione ou sugira. Gostam que você pipete, que obedeça, que produza e produza o que querem, como querem.

Não há espaço para o crescimento na carreira da forma que você esperava. Difícil dormir (“Voltar para o Brasil? Como eu vou pagar minha família?)”, difícil acordar. O trabalho não rende, a cobrança aumenta, algo que não posso aceitar acontece, nova conversa. Você diz que está em dúvida, pouco mais de um mês se passou.

Você procura ajuda, há esperança, a faculdade toma o seu lado, o que te surpreende. A chefe te dá um ultimato, um ultimato educado (talvez pelo histórico e por saber que haverá consequências ruins), mas um ultimato de qualquer forma. Ela não pode ficar com a dúvida, ela quer certeza, ela quer sua resposta e quer sua resposta agora. Você agradece a oportunidade e diz que, já que é assim, vai embora, melhor para todo mundo. Aviso prévio de 15 dias. Como quebrar o contrato com a casa? Dá para arranjar emprego de garçom? Meu visto não permite. Virar ilegal? Mas se sim, como conseguir emprego em um Universidade nos Estados Unidos depois?

A faculdade tem um departamento para questões assim, conheço o doutor que saiu do mesmo laboratório no ano passado, ele me dá conselhos. Dois dias depois, entrevistas, 4 dias depois e eu já tinha um novo lugar, o novo chefe também é imigrante, irlandês.

Novo lugar. No segundo dia, ocorrem reuniões. Você consegue participar e ajudar a resolver problemas que eles estavam tendo faz tempo. Conversa, dá risada, acha aonde tem café. Começa a fazer amizade. Os projetos que você está te dão a chance de crescer da forma que você quer.

Um dia, você volta cansado para casa, mas percebe que estava cantado pelo caminho, fazia tempo que isso não acontecia. A vida parece ter voltado para os trilhos, você espera que demore para que ela saia deles de novo.

. . .

*Willian Abraham da Silveira, doutor pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP, pós-doutorado na Universidade de Medicina da Carolina do Sul – EUA

By |2016-07-14T16:38:53+00:0013-07-2016|debates|60 Comments

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60 Comments

  1. Fabricio A. Santos 13.07.16 at 16:29 - Reply

    E quando se tem uma filha? putz, não tenho mais tido noites saudáveis de sono.

  2. Triste realidade.

  3. Silvia Moraes 13.07.16 at 17:06 - Reply

    Esse é meu maior medo, pesadelo e vergonha de um dia me sentir assim e ainda continuar amando a pesquisa!

  4. Caroline Silva Danna 13.07.16 at 17:09 - Reply

    Até me emocionou no final, e espero encontrar logo meu final emocionalmente! Essa fase está muito muito complicada.

  5. Obrigado por esse texto

  6. Que agonia! Não aguentei ler até o fim! Kkk

  7. Nathállya Etyenne 13.07.16 at 17:38 - Reply

    O fim é positivo, graças a Deus!

  8. Vivian Hackbart 13.07.16 at 17:40 - Reply

    Triste realidade mesmo! Temos que ir embora do país para podermos ter futuro em nossas carreiras de pesquisadores…e passar por isso duas vezes: aqui no Brasil e fora, no exterior!

  9. Betânia Alvarenga 13.07.16 at 17:44 - Reply

    Estou nessa… Tomara que o meu lugar apareça….

  10. Marco Borges 13.07.16 at 17:54 - Reply

    Sad but true

  11. Alberto Akel 13.07.16 at 18:51 - Reply

    exatamente eu, apenas pelo fato de eu ter feito a opção em pensar em nada após o estressante doutorado. porém esse tempo já passou a alguns meses….

  12. Que bonito! Mostra bem a vida de quem se dedicou como cientista e depois teve que voltar pra casa. É a vida que ninguém explica pra gente no início da graduação, ninguém ensina na escola quando se escolhem as profissões…

  13. Lisi 13.07.16 at 19:41 - Reply

    Que post maravilhoso! Obrigado por ter escrito estas palavras, foram palavras de esperança. Muito sucesso pra você na nova caminhada!

  14. érika 13.07.16 at 19:47 - Reply

    obrigada pelo texto. !

  15. Patricia 13.07.16 at 19:53 - Reply

    Essa é a realidade de muitos doutores no brasil, e eu me incluo nela. Hoje com filho e casa pra manter, coisas que os anos de estudos agora nao ajudam muito. E como sobreviver…triste

  16. Aline Muniz 13.07.16 at 20:00 - Reply

    Excelente texto.

  17. José Augusto 13.07.16 at 20:29 - Reply

    Fiquei torcendo por um final feliz!

  18. Leiliane Marcatto 13.07.16 at 20:59 - Reply

    Pois é… acho q fez a escolha certa.

  19. Paula Fernanda 13.07.16 at 21:54 - Reply

    Vai dar tudo certo para todos nós ????????????

  20. Patricia Matsumoto 13.07.16 at 22:08 - Reply

    “…mas a pessoa que agora volta para ele é outra, viu o mundo, pagou contas, teve o coração destruído e espera não ter destruído o de ninguém…. Nem cabelo tem mais…” mto bom.

  21. Ly Bianchini 13.07.16 at 22:14 - Reply

    Conheço bem essa história!

  22. Ana Carolina 13.07.16 at 22:23 - Reply

    Então não vale a pena fazer doutorado? Eu estou no mestrado porque já sou professora universitaria e foi quase uma exigência para continuar lecionando. Como arquiteta somente é quase impossível sobreviver e as aulas complentam (e muito) minha renda. Ainda pretendo fazer doutorado…mas vale o calvário?!

    • Willian Abraham da Silveira 15.07.16 at 09:22 - Reply

      Vale a pena, vale muito a pena. Se você já está inserida no mercado é mais tranquilo. Uma coisa que não coube no texto foi minha formação profissional. Originalmente eu posso ser classificado como Biologista Molecular, mas no Doutorado eu fui migrando para a Bioinformática. O problema é que no final eu estava no meio do caminho entre os dois, o que aumentava a gama de lugares que eu podia tentar, mas dificultava me encaixar. No lugar que estou agora minha caractéristica virou força, ao invés de fraqueza, já que eles são muito bons na bioinformática, mas estavam tendo problemas de comunicação com o pessoal do Laboratório, já que são duas culturas diferentes e complicadas de se entender. Mas o Doutorado foi um crescimento pessoal e profissional imenso. O período que eu descrevo no texto é de aproximadamente 6 meses, foi complicado, não era o que eu queria, mas foi razoavelmente curto.

      • Priscila Santos 16.02.17 at 19:15 - Reply

        Obrigada, Willian! Era a resposta que eu precisava… valerá a pena…tenho fé.

      • Maria Fernanda 24.11.17 at 11:49 - Reply

        Olá William, tudo bem???

        Acabei de ler seu texto e amei! Finalizei meu Doutorado semana passada e estou me sentindo como vc! Espero que tenha o mesmo final feliz!
        Gostaria de saber se posso pegar seu contato, para conversarmos e eu er uma luz do que eu posso fazer no meu futuro, minhas opções pq estou me sentindo muito perdida!!!
        Muito obrigada!
        Maria Fernanda

  23. Bárbara Dos Santos 13.07.16 at 22:45 - Reply

    E essa é a vida dos bravos que encaram qualquer coisa para viver a vida que foram chamados

  24. Ana 13.07.16 at 22:46 - Reply

    Boa sorte! Passei por situação similar, mas a mudança foi pra dentro do Brasil mesmo. Somos muitos juntos nessa batalha e iremos colher os frutos. Tenhamos fé!

  25. Bruna 13.07.16 at 22:48 - Reply

    Infelizmente essa é a triste realidade que vivemos … Parabéns pelo texto e pela persistência William. Fiquei feliz em ver que o texto era seu!! Mtuito sucesso para vc!!!

  26. Fagner França 13.07.16 at 23:03 - Reply

    Tô nessa também. Recebendo “não” todo dia e tentando manter a esperança.

  27. Ótimo texto!

  28. Marianne 14.07.16 at 02:03 - Reply

    Muito obrigada por esse relato William…
    Minha vida está exatamente assim, mas ainda estou na parte de que voltei para a casa dos meus pais e o Nature jobs é minha página principal no computador..
    Vamos ver o que me está reservado.. E boa sorte para vc no novo trabalho!

  29. Ageu Sousa 14.07.16 at 07:31 - Reply

    Excelente texto. O melhor que já li sobre o assunto. É triste, sem dúvida, mas retrata muito bem a realidade de tantos pós-graduandos.

  30. Lu 14.07.16 at 08:42 - Reply

    Parabéns, não desistiu, foi humilde pedindo ajuda quando precisou, não se contentou com as primeiras migalhas, reconheceu que tem potencial e foi a luta! Vc é corajoso e digno de muitas medalhas. Outros teriam desistido antes de começar! Muitas felicidades nessa sua trajetória!!!

  31. Alice Barbosa 14.07.16 at 09:33 - Reply

    Amém!

  32. Walter 14.07.16 at 09:47 - Reply

    Muito bom o texto! Sucesso em seu novo desafio profissional!

  33. Rafael 14.07.16 at 09:56 - Reply

    Muito bom texto, aposto que faz parte da realidade de muitos, trocando os nomes dos laboratórios apenas.

    Que bom que teve um bom final, mesmo que temporário !

  34. Sensacional…Nostálgico…

  35. Enrique 14.07.16 at 10:57 - Reply

    Obrigado por compartilhar a sua experiência

  36. Denise 14.07.16 at 11:18 - Reply

    Isso é o legal de morar no EUA. Fecha-se uma porta, outras se abrem (moro nos EUA há 15 anos). Bom texto!

  37. Luiz 26.07.16 at 17:02 - Reply

    Cacete Daniel

    • Daniel 28.07.16 at 19:12 - Reply

      Você não viu 1%

  38. Luc... 28.07.16 at 19:04 - Reply

    Otimo texto! Muito bom ver esse final feliz. Eh praticamente o que aconteceu comigo em Boston, mas nao mudei de laboratorio. Decidi ficar e enfrentar tudo aquilo (nao q quem saia esteja errado, apenas escolhi diferente). As coisas mudaram e agora tudo vai bem. Minha familha tambem me ajudou bastante na fase de mudanca. Isso me mantem humilde pq sei que nao teria chegado ate aqui sem a ajuda deles.

  39. Daniel 28.07.16 at 19:09 - Reply

    E aí vem mais problema… Se você acumular habilidades, capacidades, treinamento, conhecimento, dirão que você quer aparecer. Se você for o mais discreto ser vivente dirão que você está simulando humildade. Se você tentar ensinar de todas as formas possíveis, dirão que está querendo ser líder. Se você se afastar, dirão que quer ser especial pra mostrar que outros precisam de você. Tudo que tem nesse meio é roubo de bolsas, perseguições, processos que “desaparecem” de forma muito conveniente.

    As pessoas em todo lugar só dominam uma arte hoje em dia: a de arranjar briga tentando definir quem é petralha ou reacionário. Sentem uma necessidade visceral de apontar e separar todos em grupos e depois iniciar uma guerra ou no mínimo deixar definidos os grupos para a guerra. Se no café do intervalo você disser que a disciplina típica dos colégios militares poderia melhorar a educação te chamam de pró-ditadura. Se você disser que o Ciência sem Fronteiras é uma boa ideia, mas mal executada e sem rigidez de regras, te chamarão de petralha. Nada faz sentido.

    Isso quando não aparecem as feministas reclamando de tudo. Eu queria ver as feministas criticando as colegas de pesquisa que de propósito (muitas vezes declarado e com orgulho se achando espertas) engravidam para que os colegas terminem suas teses e dissertações. O que elas têm a dizer das que fazem isso de propósito (não das inocentes, claro, sem querer)?

    E das que tiram sarro dos colegas homens que gostam de falar de temas relacionados a ciência (como é de se esperar de quem estar na universidade), chamando-os de nerds (um termo besta importado de estudantes imbecis americanos)? Maduras como são, ainda os acusam de não gostar de mulher. Bem maduro, não?

    O que elas diriam de mulheres que confundem o pessoal com profissional e tratam mal as outras colegas de pesquisa que são gordas, ou não penteiam os cabelos, ou usam uma roupa que não combinam com o sapato?

    Não falta leitura e luta pelo futuro pra quem mora distante de casa e come mal, dorme mal, mora onde não quer. O que elas têm a dizer de mulheres que convidam os colegas homens para sair e mesmo que os caras digam que precisam estudar, são queimados pelas colegas em rodinhas de conversa femininas onde o sujeito ganha fama de v… só por isso? Isso é ético? Isso é respeitoso ou honesto? Não dizem e não fazem nada, só ocupam uma vaga na universidade que praticamente se torna ociosa.

    A vida desse pessoal é postar foto fútil no facebook pra um monte de pseudoamigos elogiarem, se comportando como adolescentes imaturos.

    • AD 04.01.17 at 16:36 - Reply

      Cara, de boa, acho que este não é o lugar pra vc ficar reclamando da sua vida pessoal e afirmando que 50% da humanidade está contra você especialmente quando você é tão cético e sinistro em sua avaliação da aparência dos outros. Se sua roda de conhecidos é de gente ruim, vai procurar gente melhor. Gente ruim é gente ruim, não importa o sexo, e se não valorizam sua competência científica, talvez seja porque você não está mostrando que tem esse conhecimento ao atribuir esse comportamento ao sexo e não à ignorância.

  40. Ainda penduram o cara proibindo ele de ser prof substituto por 2 anos. Vamos fazer um avaaz para reduzir o período para 6 meses.

  41. Lucas Rodrigues 04.08.16 at 13:36 - Reply

    dinheiro guardado? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  42. ANGELI ROSE 17.08.16 at 09:19 - Reply

    Apesar da newletter estar chegando muito depois dos post ter sido postado e não ter regularidade alguma no envio,vale comentar mais este tema.Acho que há uma questão mais séria em relação ao pós-doutorado,especialmente,nas ciências humanas e letras e Artes que é : 1o. a total subjetividade nas seleções e /ou encaminhamentos de profissionais para o pós-doc.São decisões de política pura na modalidade politicagem;2o.,mesmo quando se consegue o ingresso,a certeza de bolsa é quase nula;3o.atualmente,os periódicos levam até 1 ano para publicarem os artigos,o que conta na produção acadêmica;4o.editais de pós-doc pouco divulgados,quando são;enfim,até chegar-se ao périplo apresentado pelo colega,temos uma deficiência estrutural que mascara a “genialidade” de quem consegue ante os que ficam de fora.Ao final,o pesquisador ou candidato a é tomado como inapto,quando sabemos que o funil tem critérios nem sempre técnicos.tenho colegas no 2o.pósdoc com bolsa,enquanto alguns de nós são excluídos com as mentiras de que não há vagas.

    Aliás,aproveito para dar uma sugestão de tema: como lidar juridicamente com instituições que enrolam para expedir documentos de direito do profissional e/ou se negam a fazê-lo,mesmo sendo um direito do acadêmico?(sabemos que tal procedimento nada ético tem implicações graves sobre as condições de concorrência e de candidaturas em editais públicos,por exemplo, para pós-doc.

  43. Daniele El-Jaick 31.08.16 at 00:16 - Reply

    Nossa, tô na mesma. Fase bem difícil agora. Nem sei…

  44. Gustavo 26.09.16 at 00:33 - Reply

    Eu já vi muito do que você viveu. Eu decidi que não quero isso para mim, não. O tempo está passando e eu quero ser feliz. Quero viajar com minha esposa tranquilamente, estar com minha filha. Não ficar final de semana escrevendo artigo, levar esculacho de orientador que não concorda com suas conclusões, ficar restrito ao ambiente depressivo e falido das universidades. Quero isso, não. Quero ser feliz. Não quero conviver com gente doente mental que na vida aqui fora, não sobreviveria, morreria de fome por incompetência mesmo.

  45. Maiara 23.10.16 at 14:19 - Reply

    Senti um nó na garganta do início ao fim! Isso que eu estou no segundo ano da graduação e no segundo projeto de pesquisa, na minha cidade, perto da minha família e com a vida social estável, entretanto já sei que mais cedo ou mais tarde essa realidade vai mudar e essa minha tranquilidade não irá mais existir. É um caminho árduo…

  46. AD 04.01.17 at 16:31 - Reply

    Ótimo texto. Que bom que no fim as coisas entraram nos trilhos para o autor. Sorte e trampo

  47. ANA PAULA 17.02.17 at 17:32 - Reply

    Me identifiquei, tô na fase voltando pra casa dos pais, mas ainda é só o mestrado. Indo pra fase: Será que consigo uma bolsa de doutorado?

  48. Rubelmar Neto 19.05.17 at 01:28 - Reply

    Obrigado pelo texto.

  49. Manuella Pessoa 26.07.17 at 06:28 - Reply

    Muito obg pelo texto!! Fico feliz por vc e torcendo para meu “sim” chegar tb. Abç

  50. La 16.08.17 at 12:11 - Reply

    A realidade de muitos que recém terminaram o doutorado é a mesma, ou um pouco pior com a atual situação, com um prazo de espera por um emprego bem maior do que 6 meses. Muitas vezes a alternativa acaba sendo pegar qualquer coisa que aparece (quando consegue, pelo currículo muito qualificado para a vaga), fora de sua área de formação e fora da pesquisa, para conseguir pagar as contas.

  51. Fulano de Tal 25.09.17 at 22:23 - Reply

    Eu larguei o doutorado e certamente foi a melhor coisa que eu fiz depois que entrei para o mestrado. Estou trabalhando, ganhando 3x o valor que eu tinha de bolsa (como salário inicial) e aprendendo muito mais do que no doutorado. Muitos me julgaram pela decisão, mas olhando agora não me arrependo! A academia está tomada por pessoas malucas e perdidas! Não sabem o que estão fazendo, apenas levam a vida. Quando o doutorado termina e precisam ir para o mundo, acontece isso.

    Minha dica para você que está pensando em abandonar o doutorado: procure um emprego e escute o que vão te dizer. “Infelizmente precisamos de alguém com experiência”. Foi a frase que mais escutei.

    Me iludi totalmente quando entrei no mestrado achando que as empresas iriam me contratar imediatamente. Grande ilusão. Mestrado ou Doutorado não valem NADA no mercado de trabalho do Brasil. Ou você irá para outro país trabalhar com pesquisa ou empresas que reconhecem (longe da sua família, amigos, etc..) ou irá dar aulas aqui no Brasil (isso se conseguir uma vaga…).

    Enfim! Boa sorte se você continuar…

  52. Maria Fernanda Campagnari Bueno 24.11.17 at 18:36 - Reply

    Olá William! Obrigada pelo relato!
    Acabei de Defender meu doutorado e estou me sentindo perdida e gostaria de um final feliz assim como o seu!!! Poderia pedir seu contato para conversarmos, pegar dicas e tudo mais???
    Ficaria grata!!!

    Bjos
    Maria Fernanda

  53. como eliminar manchas no rosto 07.03.18 at 16:36 - Reply

    Muito bom o seu artigo…parabéns

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