E a entrevista chegou!

“Uhuuuul!!! Parece que esse dia nunca chegaria! Você olha sua caixa de mensagens e vem uma sensação de felicidade e medo. Você não sabe nem o como responder àquele e-mail pedindo para marcar uma entrevista.

É, com as facilidades que a internet nos trouxe, hoje podemos conversar diretamente com nossos possíveis orientadores no conforto de casa. É uma ótima oportunidade para ambos se conhecerem e ver se os perfis casam. É normal que a insegurança apareça com força. O que faço?! O que não faço?! E se perguntarem algo que eu não sei? Enfim… a lista de perguntas não tem fim.

Eu fiz várias entrevistas quando buscava uma vaga de doutorado. Não tem fórmula mágica. Cada orientador tem um perfil de perguntas e interesses, procura por alunos com diferentes comportamentos. É importante que você também se sinta confortável na conversa. Lembre-se: serão quatro anos, pelo menos, da sua vida nessa relação. Mas, escolhi enumerar alguns pontos que acho relevantes:

    • Comunique-se com fluência. A língua internacional é o inglês. Haverá programas que exigem francês, alemão entre outras… a essa altura, você já deve estar familiarizado com isso.
    • Tenha certeza que seu computador está funcionando bem e que sua internet provê a banda exigida. É horrível ter o som cortado ou voz de robô em uma entrevista. Além do óbvio, escolha um local calmo em que você possa conversar sem ser interrompido. Pense também na luz e o que aparecerá no fundo. Olhe para a câmera, ou posicione-a de forma que seus olhos não fiquem perdidos. Detalhes que podem melhorar a impressão que terão de você.
    • Prepare-se como se fosse uma entrevista real. Esteja arrumado, mas naturalmente. A academia não é conhecida por ser um desfile de moda. O que conta aqui são suas habilidades de comunicação, conhecimento sobre o tópico, naturalidade, não o seu terno. Converse com algum amigo antes e peça para ele apontar possíveis falhas.
    • Esteja pronto para os “Por quês”. Por que você quer seguir um doutorado? E por que naquela instituição? Por que no meu grupo?  Conheça as publicações recentes do grupo. Faça uma visita ao site da universidade, do laboratório. Informação nunca é demais.
    • Seja capaz de discutir qualquer tópico do seu curriculum. Saiba explicar sua dissertação ou TCC, os trabalhos em que você participou e suas contribuições.
    • Pense fora da caixa. Você deve saber o contexto em que seu tema de pesquisa está inserido. Nem sempre é exigido um projeto escrito pelo aluno, mas os grupos seguem linhas de pesquisa e você deve ser capaz de se localizar. Não há problema em mudar de área.  Mas defenda/sustente  suas idéias de forma convincente.
    • Seja profissional. Profissionais saberão a medida certa entre seriedade e informalidade aceitas em uma conversa.
    • Se for confrontado e não souber uma resposta, não há problema em responder “Não sei”. Não é esperado que você saiba tudo, mas é esperado que você pense por si próprio, sabendo argumentar e defender ideias. Não há mal em discordar de proposições feitas.
    • Procure por “Academic Interviews”. Informação nunca é demais, de novo.
    • Dinheiro importa, sim! Quando você tiver a oportunidade de perguntar, pergunte como é o financiamento e quem vai te pagar. Se você terá uma bolsa do Brasil ou externa. Qual o tempo médio em que um aluno completa o doutorado.
    • Pergunte sobre a frequência das reuniões de grupo. A existência de “Journal Clubs”, “Work discussion”. O trabalho é em grupo, ou cada um tem seu projeto?
    • “Você está tentando vaga em outros grupos também?” Pergunta seu possível orientador. E agora? Seja simples e direto. Quando fizeram essa pergunta para mim, não só respondi que sim, como citei o nome dos outros possíveis orientadores. Dependendo da área, há grandes chances de eles se conhecerem e isso corrobora com o seu interesse pela área.
    • E por último, nunca encare os conselhos de ninguém como algo definitivo e completamente verdadeiro. 😉

Lembre-se que o doutorado é uma etapa que requer pró-atividade. Mostre-a na entrevista.

E você, tem alguma experiência para compartilhar?

By |2018-12-06T01:56:29+00:0002-12-2013|guia|0 Comments

About the Author:

Doutorando em Biofísica pela Universidade de Groningen, na Holanda. Mestre em Física Aplicada – Física Biomolecular pelo Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP) e bacharel em Ciências Físicas e Biomoleculares (IFSC-USP). Escreve todos os domingos para o Posgraduando.com sobre Pós-graduação no exterior. Contato: [email protected]

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