• Crise de existência na pós-graduação!

Crise de existência na pós-graduação!

Você sabe que tem uma tese/dissertação para entregar, que tem prazos a serem cumpridos, mas quando senta na frente de seu computador passa horas olhando o word aberto,  e não consegue escrever uma linha. Ou então você chega para “trabalhar” (é assim que me refiro às atividades da pós-graduação), liga o computador, acessa e-mail, facebook, site de notícias jornalísticas, de futebol, fofocas, etc, etc, etc, de repente está lendo uma matéria de uma carroça que caiu de uma ponte no Japão, nisso já faz duas horas que você está na faculdade e deveria estar fazendo alguma coisa do seu trabalho, mas não, está navegando em uma viagem longínqua que parece não ter volta, e o word segue aberto.

Ai você sai, da uma volta, conversa com um, conversa com outro, vai até a cantina, toma um café, conversa mais um pouco, volta, lê mais algumas notícias, o ícone do word está ali na barra de tarefas, porque ele continua aberto, mas você nem tocou nele.

Tudo isso pode ser fruto de uma picada do bichinho da procrastinação (não lembro quem inventou o bichinho, mas o termo é ótimo) ao qual estamos todos susceptíveis, mas também pode ser algo mais sério, muito mais sério. UMA CRISE DE EXISTÊNCIA NA PÓS-GRADUAÇÃO!   

Eu não sei as causas, nem vou me atrever a fazer suposições sobre elas, mas o fato é que muitos colegas pós-graduandos tem passado por maus bocados, e o pior, sem ter a quem recorrer.

Uma colega entrou em depressão profunda, tamanha foram às cobranças sobre ela por bons resultados, passou dois meses do prazo para a defesa, e após a defesa desapareceu, arrumou um trabalho e disse que nunca mais volta para o meio acadêmico.

Outro colega, que fez doutorado sanduiche, e há menos de um ano da defesa entrou em crise, disse que largaria tudo, que não dava conta de escrever nada, não conseguia plotar gráficos e muito menos analisá-los. Após muitas conversas e algum tempo de férias, ele voltou e irá terminar.

E o caso mais tenso que vi, foi de um amigo que fez todo o doutorado, foi o aluno que mais publicou no departamento dele durante os quatro anos, mas por conta de uma orientação desastrosa, dessas que o orientador pensa ter uma máquina e não ser humano como orientado, o meu amigo DESISTIU DA DEFESA e não terá o título de doutor.

Como disse acima não é o intuito desse texto encontrar as causas dessas crises, nem tentar entendê-las, também não sei quão recorrente são em outros lugares, mas acredito que sejam bastante, espero que as pessoas deem seus depoimentos sobre o tema, e talvez, quem sabe alguma boa alma da psicologia se inspire após ler esse texto e nos diga de forma técnica o que acontece com os pós-graduandos.

E o word continua aberto…

By |2013-08-14T23:59:06+00:0014-08-2013|debates|47 Comments

About the Author:

Doutorando em Química. Escreve neste blog as quarta feiras concorrendo com o futebol! O conteúdo varia conforme o humor e as atividades da pós-graduação.

47 Comments

  1. Raiana Lira Cabral 15.08.13 at 06:41 - Reply

    Muito bom texto Marlon! esse é um tema que me angustia muito! Experiências pessoais e de amigos próximos, que dada essas cobranças acabam em sérios problemas… Preparei um post nessa linha também que ficará disponível em breve! =] Vou usar o seu como referência. Abraços!

  2. Luiz 15.08.13 at 18:17 - Reply

    Valeu pelo texto. Muito bom saber que não sou o único que está passando por isso!
    Estou há menos de um Mês para entregar a dissertação mas não sai nada! Há duas semanas eu estava bem pior mesmo, querendo fugir do mundo, ficar sozinho, sem olhar pra cara de ninguém e tentar escrevê-la.
    Esta semana comecei melhor, larguei mão de escrever minha introdução e comecei a finalizar os resultados e fazer as figuras e gráficos pra ver se dava uma destravada na mente. Bem, não to o super escritor, mas melhorei bastante e saiu aquele pensamento negativo e a desmotivação acadêmica.
    As vezes desabafar com alguém ajuda, ou mesmo largar o que você prometeu fazer e iniciar outra coisa, até mesmo fora do tema da sua Tese.
    Parabéns pelo blog. Sempre ajudando os pós graduandos.
    Abração à todos que colaboram aqui!

  3. Aline Sandim 15.08.13 at 19:19 - Reply

    Me vejo muito nessa situação…

  4. Thais 15.08.13 at 20:19 - Reply

    Como me identifico com esse texto, classico esse momento também em frente ao word como o famoso branco existencial. Sabemos das responsabilidades, dos prazos mas é como se algo estivesse paralizando e me impedindo de sair desse estado angustiante. Passou pela minha mente todas essas dúvidas, vale mesmo tanto esforço para você ouvir que precisa buscar a cereja do trabalho pq o que vc ta fazendo não é o suficiente. Passar horas e horas atordoada sem ter a quem recorrer e etc etc etc, ficaria aqui descrevendo… Mas quando faço as contas 4 anos de graduação, 2 de mestrado e mais 3 de doutorado( atualmente) tudo que me dediquei, tudo que deixei então recobro a consciência e vejo que o sonho me trouxe até aqui e que não posso desistir agora.

  5. Laura 15.08.13 at 20:24 - Reply

    Puxa, eu estou exatamente nesta crise…
    Meu prazo para defender está terminando e a minha dissertação não sai de jeito nenhum.
    Talvez um dos fatores que mais me atrapalham é o fato de eu trabalhar.
    Outro fator talvez seja porque me sinto abandonada pelo meu orientador. Nunca responde um email, nunca marca reunião, quando marca imediatamente desmarca ou não comparece.
    ):
    Realmente, quero apenas terminar e continuar a só trabalhar.

  6. Maria da Soledade 15.08.13 at 21:39 - Reply

    Marlon, gostei muito do seu texto! Já presenciei casos similares aos que você relatou na pós-graduação, pessoas que chegaram a adoecer mesmo. Também passei por uma crise existencial, em que fiquei “travada”, com o cursor do word piscando e a página em branco, cheguei a pensar que não conseguiria mais. O que me ajudou foi parar um pouco e lembrar do que realmente me motivou a chegar ao doutorado. Percebi que seria infeliz se deixasse para trás um projeto em que acredito, não conseguiria conviver com isso. Acho que me recuperei rsrsrs

  7. Cristina 16.08.13 at 15:51 - Reply

    Uso a desculpa que em casa eu não consigo produzir (uma vez que trabalho com ciências humanas e meu trabalho é, sobretudo, bibliográfico). Fico dando voltas pela casa, olhando um site e outro, puxando conversa e o dia passa, e eu não fiz nada, as datas chegam e eu … nada.
    Hoje estou a mais de quatro horas na sala do meu orientador, oferecida pelo próprio para que eu estude e me dedique com tranquilidade. Não fiz absolutamente nada. Já contei até o número de persianas das janelas, mas toda hora que tento iniciar a leitura… o cérebro trava, dá um sono e u não consigo.

    E o texto continua me olhando…

  8. Cleberson 16.08.13 at 22:37 - Reply

    Então… Entendo que a crise se torna mais eminente quando você termina a dissertação e, ao ler o conjunto da obra, descobre que o seu objeto de estudo foi deslocado totalmente do centro da discussão. Aí haja café e desepero para consertar o texto, o objeto e… lógico, encontrar o orientador para dar chance ou cabo na situação!

  9. Chico 17.08.13 at 06:28 - Reply

    Um ano depois de um estágio no exterior foi difícil retornar a realidade, passei meses sem conseguir fazer nada. Procurei e descobri que é muito alto o índice de depressão em quem mora fora do país a partir de 6 meses. Quando junta a pressã do do prazo, a incerteza do seu futuro (morei na Europa e agora vou ficar “desempregado”), retorno a realidade brasileira (falta de segurança, transporte público e todas as diferenças do primeiro mundo), família, amigos da um nó na cabeça grande.
    Consegui superar e entregar no prazo (50 min antes de encerrar), e depois fiquei sabendo que um amigo que era o melhor do curso (na qualificado já estava todo pronto, não sabiam porque ele ainda não tinha defendido) não conseguiu entregar, subiu e ninguém teve mais notícias dele.

  10. Muito bom texto, Marlon. Situação real e iminente para cada pós-graduando… conheço alguns casos bem sérios também. Acho que é muito importante ter com quem compartilhar essas crises que vêm e vão (ou a mesma crise que vai e volta?) e buscar ajuda, para mim foi e está sendo fundamental em muitos momentos. Mas por uns textos que tenho lido, a depressão, ansiedade e outras angústias dos pós-graduandos têm começado a ser percebidas como um problema em alguns lugares do mundo, e espero que isso signifique o surgimento de alguma forma de apoio ao longo do tempo.

  11. Ana Caroline 17.08.13 at 21:03 - Reply

    Acho que uma das causas desse sentimento (estou atualmente na psicóloga e no psiquiatra, tomando antidepressivos) é a falta de perspectiva após o doutoramento. A velha pergunta: “O que vou fazer depois?

  12. Pedro 22.08.13 at 18:38 - Reply

    O seu colega foi o que mais publicou no departamento e desistiu da defesa ?? Isso não faz o menor sentido… qual a pior coisa que poderia acontecer na defesa ? Ele ser reprovado ? E não participando da defesa não foi pior do que ser reprovado ?

  13. Pedro, fui no lattes do meu amigo, ele entrou no Doutorado em 2009, de lá pra cá tem :
    7 artigos em periódicos, 5 trabalhos completos em congressos e 10 apresentações de trabalho, uma boa atividade acadêmica, correto? Na minha opinião o prejuízo de não defender com certeza é muito grande, mas foi o que aconteceu, era pra ter defendido no começo desse ano, não defendeu e está em casa plantando alface e estudando para concursos públicos. Pra mim isso é muito bizarro, e como disse fruto de uma orientação desastrosa.

  14. Paty 01.09.13 at 14:33 - Reply

    Ótimo texto… também não sei exatamente o que acontece, só sei que já estive assim. Entrego minha dissertação escrita semana que vem e estou mais calma porque coloquei na cabeça que já fiz o melhor que podia – agora estou apenas revisando e arrumando o que dá pra arrumar. Falta a defesa. Por sorte minha orientadora é muito compreensiva. Mas realmente… não é fácil encarar essas crises. A história do seu amigo é bizarra, com um currículo brilhante desses, como é que abandona o barco na reta final? Tem que ter muita coragem… muito mais do que para entrar. Penso que por mais doida que esteja ficando, é preciso ir até o fim, concretizar o objetivo a que me propus. Meu incômodo seria maior se eu não concluísse… boa sorte a todo mundo que tá na mesma! E agora volto ao trabalho, que o cursor do Word tá aqui piscando…

  15. Maria 30.09.13 at 14:27 - Reply

    Engraçado é encontrar tanta gente com problemas similares e perceber que não estamos sozinhos no mesmo barco… hehe Lidar com essas crises se torna insuportavelmente inevitável quando pessoas que estão de fora acham que você está “enlouquecendo”. Mas o bom é saber que toda crise vem acompanhada de um tempo que passa e desperta passos para novas crises do qual temos de estar preparados sempre, não ansiosamente, mas esperançosos de que algo bom vem a acontecer. Acho que também não devemos julgar o amigo que desistiu da defesa, cada um tem um universo dentro de si, com pontos de vistas diferentes e visões de mundo diferentes. Os motivos que ele deve ter tido superaram o fato dele querer receber um título de doutor. Acredito que, mesmo tardiamente, ele deve ter aprendido a lição 🙂

  16. carol 05.04.15 at 13:00 - Reply

    encontrei esse post cuja data de publicação coincide com meu ingresso no mestrado, bem como num cargo público. estou a menos de 24 horas da entrega do relatório da qualificação para minha orientadora, que quer revisar a primeira versão, e a um mês do depósito. pedi férias para escrever, pois minha primeira tentativa, em novembro último (estou em abril de 2015), em meio a um contexto de estresse por essa e outras causas, rendeu até ataque de pânico. neste momento, estou a 8 páginas do piso (de 50) prescrito pela minha orientadora, travada no capítulo mais teórico do relatório, o mais basal, a medula do trabalho. ele está na metade, todo truncado, para não dizer trucado: parece colagem do gerador de lero lero. sempre que dá essa crise – é o caso de hoje – parece que não li o suficiente para escrever.

  17. O Cético 05.04.15 at 14:14 - Reply

    Discordo que a culpa é do bichinho da procrastinação. Aliás, procrastinação é uma termo bem-difundido no meio acadêmico – quase como dizer “data venia” nos meios jurídicos. O que chamamos de procrastinação eu entendo que seja da natureza humana, ou melhor, da maioria dos humanos. Na academia há uma certa exaltação do perfil autista. De fato, pessoas muito focadas e pouco sociáveis costumam se dar bem na academia. É como se seus metabolismos produzissem altas doses de ritalina naturalmente.

    Eu não sei se isso é bom. Eu me acho bom, no sentido de ser uma boa pessoa, bom trabalhador, bom estudante, bom curioso dos mistérios do mundo. Mas não tenho esse suprimento infinito de ritalina necessário para se tornar o queridinho do laboratório. Nem faço questão, na verdade. O que me incomoda é não ser aceito como sou, com minhas limitações em relação à tal de “produtividade”. Acho que o problema, de um lado, está na academia em esperar que todos os estudantes sejam autistas. De outro lado, está na esperança do estudante de que a experiência na pós-graduação lhe traga um conhecimento acima da média, com um mercado de trabalho promissor e amplo reconhecimento da comunidade.

    Todo ser humano é inerentemente medíocre, e isso não é uma ofensa. Temos muito mais em comum do que em diferenças. É claro que tentamos demonstrar que possuímos habilidades que nos tornam brilhantemente diferentes, e daí surge a angústia. A academia não facilita em nada este processo de nos reconhecermos como mortais. Na verdade, ela pune a mortalidade. Quando o estudante finalmente alcança uma meta, seja concluindo um trabalho ou apresentando sua dissertação ou tese, ele descobre que o sofrimento não foi recompensado com uma aura de imortalidade.

    A crise, portanto, é oriunda da nossa fé, como estudante, de encontrar a sabedoria e a glória transcedental durante o processo, mas também se origina na própria instituição acadêmica, quando nos pune por não desejarmos a transcendência suficientemente, mesmo sabendo que esta é inalcançável. É só olharmos para os professores dos institutos. Pouquíssimos se tornam as lendas que prometem nos tornar, caso sejamos obedientes e disciplinados.

  18. Amilson 29.05.15 at 11:34 - Reply

    Já ouvir falar sobre Coaching Acadêmico. Este profissional poderia auxiliar no processo de “destravamento”. Alguem sabe alguma coisa? Um abraço.

  19. S 14.05.16 at 11:40 - Reply

    Talvez a crise esteja relacionada ao temor do fim da tese e não a própria tese em si. É o não saber o que será da sua vida após terminar a tese e, portanto, fica adiando, adiando… para não ter de enfrentar o final.
    O medo do depois pode estar relacionado ao mercado de trabalho, pois não é garantido que vá conseguir um trabalho condizente com a formação ou também pode ser pessoal, pois se isolou tanto durante a vida acadêmica para dar conta de todos os trabalhos que no final se encontra sozinho(a) e não tem mais a tese, que era a única coisa que estava dando sentido a sua vida.

    • Tania 02.06.17 at 12:12 - Reply

      Verdade, um vazio, uma tristeza tão grande, isso chama-se”DEPRESSÃO APÓS DEFESA DE TESE” o que fica é apenas choros, uma tristeza enorme, ficamos como se fosse um “bagaço”. Muito stresse acumulado.

  20. Paulo 26.09.16 at 01:14 - Reply

    Eu me perdi no processo. Por um conjunto de fatores, que incluem auto boicote e depressão; além da falta de empenho e dedicação. Me vejo a poucas semanas (3, pra ser exato) da defesa e sem um capítulo fechado sequer (um eu nem iniciei). Sei que não vou ser aprovado (até pq dificilmente conseguirei entregar) e tô tentando digerir isso. Tenso demais. Percebi que o Mestrado não era pra mim já no primeiro ano, mas insisti e ainda solicitei prorrogação nesses últimos meses. De nada me serviu. Sensação de fracasso e desespero dominam. Vontade de me enfiar num buraco e só sair daqui um bom tempo.
    Muitos aqui reclamam do orientador, mas no meu caso foi o extremo oposto. Eu não soube ser orientado. Não tive maturidade pra aceitar as sugestões e direcionamentos, e ao mesmo tempo fugi das orientações por não ter nada consistente pra mostrar. Espero não me afundar ainda mais na depressão quando a desgraça toda se consolidar.

    • camila 01.10.17 at 19:24 - Reply

      olá Paulo, como você está agora. Espero que tenha superado tudo isso. Estou a 6 meses para finalizar o doutorado, mas decidi não mais continuar. Estou desde o primeiro semestre lutando contra depressão e ansiedade crônica. Sei q poderia, se saudável, dar o gásssss e tentar finalizar, mas não tenho essa força e esse fôlego, além do mais, tenho muito forte dentro de mim que esse não é mais o meu caminho, não quero seguir nessa carreira. Sinto que posso até piorar meu quadro clínico toda essa pressão e estresse, para no final valer de que? Mais um título? Um título para uma carreira que não vejo alegria em seguir? Pois é…amanhã terei que comunicar ao programa meu desligamento e a partir daí, focar na recuperação da minha saúde. Só queria compartilhar com vcs…

  21. Edna Sousa de Almeida Miranda 18.04.17 at 11:12 - Reply

    Olá.Passeando pela internet para obter ajuda, encontrei este post interessante.Eu estou me sentindo exatamente assim, com um desespero incontrolável.Já consegui escrever o primeiro capítulo de minha dissertação, mas agora no segundo que trata da teoria que embasa meu trabalho, tenho sofrido muito com os constantes travamentos da mente.Tem horas que não sai nada e o word fica piscando…Os tais prazos nos afligem e a cobrança pela produtividade também é cruel.Praticamente somos autodidatas.Espero retomar a inspiração, é o que preciso!

  22. Ana de Macedo 21.04.17 at 07:45 - Reply

    Estou passando por algo parecido. Eu faço doutorado no exterior com uma bolsa do governo e sei que muitos gostariam de estar no meu lugar. Por isso, sinto uma enorme culpa de não gostar de estar aqui! A verdade, é que eu fiz o mestrado e o doutorado pensando na bolsa, simples assim! A vida acadêmica foi a melhor solução no meu caso específico, que não posso trabalhar exageradamente por conta de um problema de saúde. Para muitas pessoas, bolsistas ganham mal, mas como minha família é de origem humilde e eu consegui chegar onde ninguém conseguiu, para mim, era mais do que um sonho ir morar fora e ser paga para estudar! Sempre gostei de ciências! Consegui passar na USP, fiz o mestrado com mérito e por conta disso tudo e de minhas notas altas, consegui esta bolsa, mas desde o primeiro ano do doutorado no exterior, eu entrei em crise e em depressão. Eu não suporto o meio acadêmico. Não suporto a arrogância e as pessoas que acham que sabem tudo. Não suporto as risadinhas quando um colega assume que pensa diferente da maioria do meio. Agora, eu estou no quarto ano e terminando. Nem sei como cheguei até aqui! Foram anos de depressão e ansiedade! Tive vários problemas de saúde no meio e eu só me mantinha de pé porque eu não tenho como devolver a grana para o governo se desistir. Para minha orientadora, nada é suficiente! Tudo tem que ser excepcionalmente excelente e eu fico pensando para quê? Não faz sentido na minha cabeça uma excelência que me lembra o livro “O processo”, do Kafka, onde existe uma espécie de detalhismo sem limites, que te prende em uma espécie de labirinto sem saída, mas que não serve para nada no final! Depois deste doutorado, eu penso em desistir para sempre da academia. Quero sumir, como alguns casos deste texto. Eu ainda temo que a minha agência de fomento me obrigue a trabalhar no meio acadêmico, pois tem uma cláusula que diz que eu deveria continuar a trabalhar no meio por mais quatro anos. Não sei nem se isso é legal, mas no Brasil, tudo pode! Sinceramente, eu não sei se aguentaria continuar na academia, tamanha é minha depressão e falta de esperança com este meio. Sinto que assinei um contrato com o diabo!

    • camila 01.10.17 at 19:32 - Reply

      Oi Ana, como vc está? Como ficou sua história com o doutorado? Não julgo você. Compreendo perfeitamente sua escolha da academia como fonte de rende, a bolsa. Sinto por essa dor que você passa. Estar presa em algo tão competitivo e exigente estando com uma doença tão séria, a depressão e não menos a ansiedade. Espero que esse ciclo se encerre bem. Em relação a devolver o valor recebido pela bolsa, sei que algumas das empresas de fomento, não entra com processo para devolução da bolsa em alguns casos, e a depressão é um deles. Se informa a respeito da sua, isso pode te ajudar a tirar um pouquinho dessa carga que estas a carregar. Boa sorte.

  23. Is 04.06.17 at 12:07 - Reply

    Socorro. Essa sou eu. Preciso finalizar a minha dissertação essa semana, pois minha defesa será em exatos 18 dias. Mas não consigo acabar… isso porque já estou no mestrado há 3 anos pois sempre acabo pedindo prorrogação. Não tem mais como prorrogar, preciso acabar com isso. Mas o word esta aqui piscando e eu só consigo olhar sites de coisas que eu gostaria de estar fazendo agora, mas não posso. Como não travar? Como prosseguir? Sério, isso não é vida!

  24. s 30.07.17 at 15:14 - Reply

    Já ouviram falar na técnica do Pomodoro? Eu estava nesta situação e ajudou bastante.

  25. Kariane Paula Druzian T5 - S08 10.08.17 at 16:19 - Reply

    Me representou!

  26. Erik 13.10.17 at 22:45 - Reply

    Ótimo texto, Marlon! Estou no segundo semestre do mestrado em filosofia, e desde o início venho me sentindo “por fora” da academia. Tive que mudar de filósofo por não haver orientação naquele que abordei no TCC, começando do zero. Não me adaptei ao outro que escolhi, e nem ao orientador. Agora, no segundo semestre, arrisquei mudar de filósofo de novo e pegar outro orientador, e estou curtindo mais. No entanto, desde o início me bate a angústia de não saber o que estou fazendo, se é isso mesmo que quero, me sentindo muito inferior a outros colegas que já estão publicando e participando de congressos. Detalhe que consegui uma bolsa de isenção de taxa pela CAPES, e agora preciso ir até o fim para não ter que devolver o dinheiro da bolsa; o que desespera ainda mais pois tenho uma obrigação de entregar algo. Quanto à procrastinação, antes eu achava que era, mas comecei a usar o método pomodoro e não procrastino tanto, mas mesmo assim não consigo escrever nada, e fico enchendo meus cadernos de anotações, fazendo fichamentos, mapas mentais pra me organizar, e etc. Enfim, lendo o post e os comentários, é bom saber que não estou sozinho nesse barco. Obrigado!

  27. Ariana 16.11.17 at 09:20 - Reply

    Se eu pudesse voltar no tempo eu não teria entrado no Doutorado.
    Pior que nem dá para desistir!
    Não vale a pena, essa é que é a verdade.

  28. Alex 26.11.17 at 15:32 - Reply

    Estou na mesma situação. Curso mestrado em Física. No início do mestrado eu já me assustei, pois eu fiz licenciatura e fui pro mestrado acadêmico sem ter visto as disciplinas do bacharelado. Não fui bem nas disciplinas e a medida que o tempo passava eu via que aquilo não era o que eu queria. Academia não é o que eu quero, definitivamente. Sou bolsista na universidade, e vivo nessa pressão de devolver bolsa caso não termine o mestrado. Não estou gostando da área que estou pesquisando, acho um saco ter que ler um monte de artigo que não me dão prazer nenhum. E falta menos de quinze dias pra qualificação e eu só fiz dois parágrafos. Estou desanimado, angustiado, me sentindo fraco e um nada. Acho que vou procurar ajuda de um profissional.

  29. Daniel 04.12.17 at 13:27 - Reply

    Eu entendo o cara que desistiu da defesa, eu entreguei minha tese a tempo, tudo certo mas estou a 1 semana da defesa e nao consigo lidar… Nao consigo falar nada, bloqueio… Se fosse exame escrito era tranquilo, agora uma apresentaçao e perguntas ORALMENTE? Nao consigo

  30. Finha Loren 08.12.17 at 19:30 - Reply

    Tantas histórias tristes….A minha é a seguinte; fui uma ótima aluna na graduação, mas no TCC, minha orientadora pegou pesado comigo e disse que procrastinei muito e que meu trabalho não estava bom (NÂO concordei com ele no fato que o trabalho estava ruim), mas fui aprovada. Na mesma época do tcc, fui fazer a seleção para o mestrado, no qual passei em 2 programas, um muito afim á minha área e o outro nem tanto. Optei pelo diferente. Foi aí que me dei mal. Meu orientador nunca fez nada por mim, criou um tema qualquer de repente 4 meses antes de apresentar a dissertação. Ou SEJA, EM 4 MESES FIZ MINHA DISSERTAÇÃO com UM TEMA QUE NUNCA VI (fiz tudo laboratório, análise de dados , escrita , tudo neste tempo). Entreguei para meu orientador corrigir e ele nem olhou para o papel, mal leu o título e mandou entregar banca…NÃO CORRIGIU MINHA DISSERTAÇÃO NENHUMA LINHA. Cheguei na apresentação cheia de erros no trabalho e conceituais, fiquei com mta vergonha, mas a banca aprovou. Um ano depois, passei no doutorado no mesmo programa, me colocaram com o mesmo orientador. E agora estou sofrendo mais que anteriormente, meu orientador continua alheio e me deu um tema superrr difícil , aí eu disse que não iria fazer isto, pois são temas muito distantes da minha formação. Agora, a 2 meses de apresentar meu projeto de tese, não tenho tema e nem laboratório. SOCORRO! TRISTEZA! ESTRESSE E ANSIEDADE! SÓ DEUS PRA ME DAR FORÇA! SÓ NÃO DESISTO PQ PRECISO DA BOLSA

  31. Luiz 19.12.17 at 11:12 - Reply

    Galerinha (bom dia:-).

    À primeira leitura, parece que só tem história de pessoas que se julgam perdedores neste BLOG, que estão a ponto de desistir, mas eu vejo ao contrário, vocês são todos vencedores. Claro, nem tudo na vida são flores, assim, se você não está se sentindo bem no que faz, deve refletir melhor, o primeiro passo, é parar e pensar. Pensar com carinho na carreira que está prestes a entrar, ou que já entrou, pois alguns já são professores ou pesquisadores antes de ter o doutorado. Reflita se você gosta mesmo de fazer isso, se se sente bem com aquele friozinho na barriga quando fala em público. Eu ainda sinto esse friozinho na barriga até hoje, mesmo depois de muitos anos no magistério, seja na aula inicial do semestre, seja na apresentação do artigo no evento, depois de trocentos artigos. Reflita se gosta mesmo de fazer pesquisa, de quebrar a cabeça, se gostar de ler, ler muito. Verifique também se você realmente aprendeu mesmo a fazer pesquisa (um bom indício é ter tido “Metodologia da Pesquisa Científica” na sua grade, na pós-graduação, voltada ao seu curso).

    Ou se está aí sentado apenas deixando o barco seguir mais um pouco, apenas pegando uma carona. Se você não se vê ministrando aulas, se tem medo de “aparecer”, então realmente deve trocar de carreira enquanto há tempo, vá ser pintor, pescador, lixeiro, carpinteiro, maratonista, qualquer outra coisa que lhe agrade, menos querer ser professor. Olha, não precisa pensar no que os outros irão pensar, ou se você irá deixar uma lacuna. Ninguém é insubstituível, o seu orientador certamente irá achar outra pessoa para o projeto. Não precisa pensar que irá desapontar o seu Orientador, pois não irá. Deixar rolar até o final, aí sim, vai deixá-lo um pouco chateado, mas nada que ele não consiga lidar. Não precisa pensar nas consequências da sua troca de carreira, pense apenas que isso é para a sua felicidade. A pior coisa que pode lhe acontecer é você querer abraçar uma carreira ou querer fazer a pós-graduação só porque é bonito ter um título de doutor, porque vão lhe respeitar mais, vão lhe chamar de “Dotô”. Você está cursando o mestrado ou doutorado é para se aperfeiçoar mais no que sabe fazer de melhor, é para aprender mais para poder ajudar os outros depois. Sim, o Orientador deve ajudar e não criticar, atrapalhar, afinal acho particularmente que o trabalho é conjunto (volto a isto depois)…

    E não pense que está fazendo doutorado porque vai conseguir trabalhar menos e ganhar mais, ao contrário, a quantidade de trabalho sempre aumenta à medida que o título é mais alto, tem o famoso “depois piora”, em tudo. Não pense que você vai terminar o doutorado para conseguir um emprego. Isso não é verdade, você vai conseguir trabalho, muito trabalho, isso não vai faltar, certamente (são pouquíssimos os doutores desempregados, em algum lugar te sempre uma caça aos doutores, a menos que você não queira sair do ninho). Quer dizer, alguns até conseguem um emprego, mas esses não irão passar de simples observadores na vida, sem muita intervenção, sem ajudar as pessoas a serem melhores seres humanos. Vale muito no trabalho é ajudar as pessoas.

    Ademais, o simples fato de vocês terem sido aceitos no Mestrado ou Doutorado os leva a estarem em um grupo seleto, uma pequena parcela da população brasileira. Do outro lado, pensem em quantas pessoas estão nas drogas (esse é o seu caso?), esses sim são os futuros perdedores, estarão nas ruas em pouco tempo, nas cracolândias da vida espalhadas por todo o Brasil.

    Todavia, se você ainda não decidiu trocar de carreira, mesmo depois desse cutucãozinho, bora, boyzinhos e boyzinhas, colocar essa moral e esse ego para cima. O próximo passo é se conhecerem melhor e ao seu orientador também. Ele espera que você seja proativo, mas provavelmente não sabe o que se passa, o que está acontecendo com você (ou sabe?). Ou talvez ele seja um “Orientador que Não Orienta” ou nunca se atentou para o fato de que você não é uma “máquina de fazer artigos”, não tenha consciência da “Depressão da Pós-graduação”. Pergunto por que você não conversa abertamente com ele sobre o que está ocorrendo com você? Seja honesto, tente ver nele um Amigo (ou até mesmo um Pai, em alguns caso isso ocorre). Com certeza, por mais idiota que seu orientador seja (no sentido correto da palavra), ele vai parar e te dar uma atenção especial, que você merece. Do outro lado, não precisa você ficar querendo ser Super Herói o tempo todo, ter tudo na ponta da língua, dizer que está tudo bem com a sua dissertação, com o artigo. Orientador existe para compartilhar com vocês o trabalho. Isso mesmo, para mim, o trabalho não é só seu, afinal os artigos não saem co o nome do orientador também? Então ele tem que te ajudar sim, ele não tem como fazer o “trabalho pesado”, mas deve ajudar no que for possível, pois o nome dele também está na publicação…

    Espero que eu tenha ajudado, e boa sorte:-).

  32. Luiz 19.12.17 at 11:24 - Reply

    Ah, esqueci; experimenta trocar o Word pelo Latex, pode ajudar também:-)…

  33. Gatoloko 20.12.17 at 23:05 - Reply

    Eu estou passando por um período de depressão e tinha um plano (quase) perfeito para cometer suicídio logo que fosse reprovado. Um amigo descobriu que eu estava MUITO mal e aconselhou-me a procurar um psicoterapeuta. De lá fui a um psiquiatra e agora estou tomando uns remédios que ajudaram muito a reverter o quadro. O meu prazo está quase esgotado, mas agora, se tudo der errado nesse doutorado horroroso, vou tentar fazer o que gosto: mecânica de automóveis, hehe.

  34. Aline Pereira da Silva 06.01.18 at 14:17 - Reply

    Me sinto exatamente como muitos descrevem e até agora não consegui me abrir com ninguém, porque todos acham que é só terminar, que se já cheguei até aqui eu devo terminar. Eu também acho que devo terminar mas desde o início eu passo por momentos de altos e baixos no mestrado, minha defesa é em fevereiro tenho dados para analisar, artigo e dissertação para escrever e estou travada. Só de pensar em sentar para escrever me dá um pânico não sei porque. Agora mesmo era para estar escrevendo mas fui buscar alguma ajuda na internet e caiu nesse site. Alguém pode dar alguma dica de como conseguir seguir em frente no mestrado e finalizar tudo isso logo???

  35. Janaina 25.01.18 at 23:24 - Reply

    Eu estou entrando no terceiro ano do doutorado e pela primeira vez na vida estou experimentando a tal da “síndrome do impostor”. Me sinto uma fraude! Foquei os primeiros dois anos em concluir as disciplinas, participar e organizar eventos, publiquei um artigo – várias coisas para ser bem vista no programa (que é novo, vim para uma federal e era de uma particular). Nesse tempo, não li nada da tese mesmo, livros curtos e artigos, apenas. Mas agora está entrando a hora da verdade e eu me sinto completamente travada para escrever, ler, produzir… Fico adiando e adiando, estou sempre me sentindo crua, e quando penso no tanto de coisas que preciso ler e dominar, me dá um frio na espinha, como se eu não fosse capaz. Como eu disse, é a primeira vez que passo por isso, o mestrado foi super de boa! Acredito que parte dessa pressão tem a ver com eu ter mudado totalmente de assunto, de filósofo (sou da filosofia), e também de estado, e aqui moro sozinha e me sinto antissocial a maior parte do tempo. Fiz amizades, mas não é como na cidade da sua família e amigos mais antigos; passo muito tempo só e sinceramente não sei como reverter isso. Dúvidas se quero seguir a carreira acadêmica eu não tenho, quero muito, mas às vezes olho pra mim, chegando aos 30 anos sem nada, vejo meus amigos e colegas da mesma idade, e até mais jovens, já com patrimônio, bons salários, e eu vivendo de bolsa… Acho que são várias frustrações que alimentam essa crise.
    Prometi pra mim mesma me empenhar mais esse ano; estou concorrendo ao sanduíche (o resultado sai em 10 dias), talvez se eu for, isso de um UP na minha pesquisa (tomara!), ou me jogue na depressão de vez, tenho medo… Gostaria de olhar para o volume de trabalho que me espera e me atirar nele com prazer e confiança, mas confesso que só de pensar que preciso fazer isso, não me dá vontade nem de sair da cama; e como minha orientadora é uma pessoa meio estranha (ela já me disse que meu trabalho estava bom, depois que estava preocupada se era aquilo mesmo que eu tinha a oferecer… escrevi apenas 15 páginas até agora); sem saber exatamente o feedback dela, e ainda levando em conta que ela não é uma especialista no meu assunto (me sinto abandonada sobre o que fazer a maior parte do tempo), eu to torcendo pra isso ser só uma fase e pra voltar aqui em 2 anos contando que até esse tipo de crise a gente supera…

  36. Sil Ribeiro 19.02.18 at 23:18 - Reply

    Eu deveria ter defendido meu doutorado em outubro. Publiquei 7 artigos sendo 4 em anais de congresso e tres em revistas renomadas e tem mais dois submetidos em análise.

    Estou literalmente deistindo, minha tese está 100% pronta, já fiz a análise de dados umas 7 vezes já escrevi e reescrevi td que meu orientador pediu…agora do nada ele pedidu que abrisse um tópico para tratar de um assunto que é uma descoberta mas não eh nosso foco…Isso depois de ter definido banca, ter a aprovação para a defesa pelo programa, etc… Só faltava uma bendita data…entre setembro e outubro, momento em que a UFRJ entrou em greve…quando voltamos agora em fevereiro eé sugeriu estas mudanças… Disse não e disse estou desistindo.

    Detalhe já havia impresso 6 cópias para enviar para a banca…. Gaste com a impressão q, 720 reais (devido as p´´aginas em cor)…vai tudo para o lixo…CHEGA…Vou tentar fazer a defesa em outra instituição, se não der nã tem probmeas também.

  37. Sil Ribeiro 19.02.18 at 23:27 - Reply

    Só um detalhe…. Eu não sou bolsita… Trabalho e faço o doutorado. Nem para congressos ou pagamento de publicações tenho ajuda de custo.

    Gastei tempo e dinheiro…Minha tese está poronta, 100% e poaguei 1500,00 para revisar…não escrevo mais uma linha, não faço mais nenhuma análise.

    Abs a todos.

  38. Maria 10.03.18 at 00:22 - Reply

    Estou desistindo da minha pós faltando pouco pra terminar. Não consigo produzir nada, nem uma simples resenha. Fico horas, dias e não consigo me concentrar, produzir. Quando o prazo está se esgotando pra entrega do trabalho então vem a sensação de fracasso, tenho dores de cabeça, o coração acelera e eu penso que vou enlouquecer. Não vale apena…

  39. Je 12.04.18 at 19:35 - Reply

    5 anos desse post e ainda há comentários recentes, para vermos como a história nunca muda. Não tem como opinar se ler tudo isso é uma sensação de alívio ou desespero total. Entrar no mestrado a primeira vista, foi por não encontrar emprego na minha área (engenharia civil) e necessitar de algum rendimento como a bolsa, depois me iludi com o título de mestre e fui me adaptando a ideia de seguir a carreira acadêmica e lecionar. Entretanto, cada dia que passa cada vez menos gosto de fazer a pós graduação. Detesto cada dia que passo na universidade, para ler um artigo inteiro é necessária uma força de vontade descomunal. Toda vez que encontro meu orientador é uma sensação de derrota e incompetência que me assola. Sempre fui uma profissional e aluna competente, mas fazer o que não se gosta gera em mim um estado de aprisionamento. Não consigo escrever a minha dissertação desde a qualificação (5 meses atrás), estou encaminhando meu projeto apenas na parte prática nesse tempo e sinto sempre uma sensação de que está tudo errado, porém, todos os dias penso que “amanhã vou voltar a ler e escrever” e nunca consigo cumprir isso. Meu projeto de qualificação foi avaliado com um “A” e muito elogiado, mas até hoje tenho a sensação de ser uma grande fraude. Sempre questionei pessoas que tivessem depressão, e hoje vejo como isso pode ser desenvolvido facilmente. Todas as manhãs tenho dificuldades para acordar e a procrastinação faz parte do meu cotidiano. Não suporto o mestrado, detesto fazer pesquisa acadêmica e apenas não desisto porque não consigo deixar as coisas inacabadas, a sensação de não terminar algo que iniciei parece-me que irá me frustrar mais do que o que sinto atualmente. Além disso, detesto a ideia de deixar meu orientador na mão, e o medo de ter que repor o valor das bolsas também me assombra. Enfim, é bom poder achar conforto nessas palavras e poder desabafar. Estamos no mesmo barco e vamos conseguir.

  40. Juliana 28.04.18 at 14:30 - Reply

    Pois é Je… também estava pensando em como nada muda. No meu caso, me encontro no terceiro ano do doutorado e também tenho minhas dificuldades. Está difícil. Pra melhor explicar, fiz minha graduação em Licenciatura em Ciências Biológicas. Vim de uma família com poucos recursos financeiros e passei por grandes dificuldades depois que meu pai em 2006 sofreu um acidente que o deixou paraplégico (além de ter problemas de saúde anteriores que só piora seu estado). Quando aconteceu esse tumulto que ainda mexe com toda a família, estava no 2o período da graduação e foi bem complicado porque queria me dedicar mais as atividades acadêmicas e ao mesmo tempo sofria pressão familiar para trabalhar e mesmo com algumas bolsas de estudos ao longo do caminho, não deixava meus pais satisfeitos.
    Depois de graduada, trabalhei por três anos como professora, em um contrato temporário, do segundo para o terceiro ano fazia concomitantemente o mestrado, a especialização e o trabalho como docente, até conseguir uma bolsa da CAPES. Nesse caso, minha co-orientadora (que era na verdade a orientadora extraoficial) foi a minha orientadora da monografia na graduação, gostei da experiência do mestrado, embora alguns temas trabalhados em não gostava. Foi um trabalho elogiado, mas que pra mim eu não consigo “apreciar” do jeito que deveria (até pelas dores de cabeça que tive em fazê-lo, como ter que contar com terceiros (o que julgo importante) que nem sempre estão de fato dispostos a ajudar).
    Minha orientadora é ótima, procura saber como andam as coisas nos trabalhos como a monografia, a dissertação, os projetos… mas no doutorado a sensação que tenho é que estamos com linhas de pensamentos divergentes. Novamente ela quer partir para algo semelhante ao feito no mestrado, mas não gostei da experiência no mesmo quesito do mestrado e falei pra ela. Mas, acho que é o que vai acontecer de novo.
    Estou tentando ter a serenidade e a resiliência para aceitar que nem sempre na vida fazemos o que gostamos e o desempenho da pesquisa para ela não tem sido satisfatório e estou tentando melhorar, mas parece que “a coisa” não anda.
    Além do que, como gosto de temas e atividades diversas, me sinto privada de outras experiências que gostaria de passar (por exemplo ser tutora de educação a distância – EAD) mas não posso seja por causa da bolsa que já possuo da CAPES e não poderia pegar outra, nem posso trabalhar pelo mesmo motivo e pelo tipo de pesquisa que desenvolvo, que demanda muito tempo fora da localidade onde vivo e não teria como deslocar facilmente para ir do local de pesquisa ao trabalho.
    Não me sinto como alguns relataram aqui “puramente acadêmica” mesmo gostando da academia e por esses conflitos de interesse (no desenvolvimento do projeto e outros seguimentos) estou me sentindo deslocada e tentando achar o rumo. Já me perguntei se escolhi um bom momento para fazer o doutorado (apesar que ao contrário do intervalo de dois anos e meio entre graduação e mestrado, queria um intervalo de tempo menor e assim fiz, de um ano) ou se teria sido melhor radicalizar ter escolhido outra linha de pesquisa que me permitisse pesquisar e trabalhar, poque sinto falta do trabalho e a bolsa não é permanente. E parece que minha eficiência diminuiu, sei lá…

  41. escritor_que_não_publica 13.06.18 at 00:38 - Reply

    Cara eu gostei de fazer mestrado, pedi prorrogação estou a 3 meses de defender ta tudo pronto, mas nada definido, ai bate um senso incompetência parece que meus textos são um lixo, mas escrevi eles o melhor que pude sabe, se gostarem muito bem, se não gostarem pode engavetar que tem um vários assim, não é não? mas acho que cresci com ele e me modifiquei, depressão intensa, cabeça pesada o dia todo, não desliga né, eu sei muito bem o que é isso, abraço para vc que esta lendo

  42. Fabio 26.06.18 at 12:18 - Reply

    O que mais me choca com todos estes relatos, é que sempre achamos que somos os únicos a sentir isso tudo. O silencio da academia frente estas situações também é bizarro. Cheguei em um ponto que acho que não sei mais nada. O pior: por ter que parar de trabalhar para focar na pesquisa, sempre penso que já não sei nem mesmo fazer o que fazia antes. Isso tudo só leva ao vazio, de não ter uma perspectiva de fim, e de achar que o tempo perdido fora do mercado de trabalho diminui ainda mais qualquer hipotese de reinserção após esse processo. Ansiedade, insonia e pensamentos suicidas já percorreram a minha mente em diferentes intensidades. Será que vale mesmo à pena? Será que abandonar no meio do processo é tão ruim? A cobrança velada da familia e as perspectivas (nem sempre plausiveis) com o termino do curso, só aumentam a fragilidade e o medo de continuar/desistir.

  43. João 30.06.18 at 13:53 - Reply

    Estou na mesma situação. 1 e 3 meses no doutorado e sem nenhum resultado ainda, na expectativa de começar a desenvolver um projeto que não acredito e que pra mim, e para outras pessoas com quem já conversei, não tem inovação nenhuma. Isso so me deixa mais frustrado e desanimado para tentar fazer algo. Muita angustia é uma sensação de impotência. Eu gosto do tema central do trabalho, mas não do direcionamento que os meus orientadores querem que faça. Estou pensando até na possibilidade de desistir caso as coisas não melhorem.

  44. Mariana Macedo 14.07.18 at 16:30 - Reply

    Estou passando pela mesma crise! Fiz minha Graduação em Medicina Veterinária e agora estou no terceiro ano de Doutorado. Vim para o Canadá tentar finalizar um artigo, mas sofro pressão diária do pesquisador daqui por não falar muito bem o inglês e ele me questiona o tempo inteiro sobre o meu trabalho a tal ponto de eu não saber mais como convencê-lo. Quer que eu faça análises que nunca trabalhei na vida sem ajuda de alguém. Tenho mais 2 meses aqui, sei que é um curto prazo, mas estou com medo de minha gastrite progredir para uma úlcera, acordo toda noite de madrugada com falta de ar e taquicardia e não consigo estudar o que ele pediu para eu fazer. Penso em desistir do Doutorado, essa vida acadêmica, da pressão de publicação, não me faz bem.. já pensei em adiantar minha passagem para o Brasil, mas o que vou justificar para meu orientador, coordenação e o centro de pesquisa daqui?

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