• A correria de um pós-graduando - o que estamos deixando de lado?

A correria de um pós-graduando – o que estamos deixando de lado?

Estamos sempre com pressa.

Sim, eu sei, você que faz pós-graduação, imagino a sua correria. Mas é que hoje não temos tempo para nada. Agenda, compromissos, nossos dias tem sido intensos. Não ouse você, caro internauta, dizer que sua vida está tranquila! Ora, as argumentações de que “hoje não posso”, “não sei o que fazer primeiro”, “estou dormindo pouco”, são constantes.

Mas, não é na questão de agenda lotada que pretendo escrever. Quero dialogar, expressar a minha opinião sobre: “porque não temos mais tempo”, e essas circunstâncias sim, me deixam inquieta.

Trago algumas reflexões, opa, não sou totalmente Zen, mas quero compartilhar de coisas simples, que percebo de amigos que estudam assim como você e eu. A questão é que não olhamos mais no olho, não jantamos sem nossos celulares, não saímos mais como antes. Não lemos mais como antes, e não sabemos mais descansar. Não tomamos café tranquilo, e não telefonamos para saber como o amigo está. E você me responde: é óbvio, não temos tempo!

A pressa e o pouco tempo disponível tem feito de nós seres humanos, máquinas.

Máquinas que acordam e que vão trabalhar ou estudar, que comem e depois retornam para casa dormir e acessam suas redes sociais para dizem que está tudo ok, a máquina está funcionando.

Máquinas automáticas. O botão foi apertado, e não sabemos como parar. Que coisa heim!

Esses dias, pedi uma sugestão por e-mail para uma amiga que mora longe, ela foi me retornar semanas depois e pediu desculpas, mas que estava com a agenda cheia, muitos compromissos, leituras, jantas, conferências, trabalho, estudo. Nosssssa fiquei até com ciúme de tal ocupação. Refleti, e quase me senti uma inútil perto da agenda dessa minha amiga.

Porque, eu ainda consigo dormir sete horas, trabalhar mais oito, almoçar com os amigos, namorar, estudar, ler, sair, tomar um chopp, escrever, fazer um carinho no meu gato, olhar até uma cena de novela, arrumar a casa, caminhar, passear, fazer uma janta. Nossa, fico feliz com tudo que consigo fazer, sem deixar de lado as amizades e pessoas que amo, e deixo bem claro: nessas horas é preciso muita organização!!!

Esse simples texto parece bobo, mas quero alertar a vocês leitores: não sejamos máquinas automáticas, por favor, há muito tempo pela frente, vamos sorrir mais, contemplar as coisas simples, de mais atenção para as pessoas ao lado, e mais amor, por favor!

By |2018-12-06T01:56:37+00:0010-08-2013|debates|4 Comments

About the Author:

Angélica Weise é jornalista e aspirante a mestranda. Inspiram-lhe textos da ciência e comunicação, e claro, sempre um pouco de imaginação. Neste espaço no blog irá compartilhar sua experiência de estudos preparatórios para a seleção do mestrado.

4 Comments

  1. Raiana Lira Cabral 10.08.13 at 09:26 - Reply

    Angélica! levantas muitas questões importantes nesse texto. grata. É bem verdade que o tempo torna-se mais limitado, mas ele é o que fazemos dele… assim como a dimensão que damos as coisas na nossa vida. As vezes sinto que muita gente se sente levado pela vida, enquanto o contrário é a ordem natural. Estabelecer prioridades, organizar-se e sobretudo viver o momento presente são as chaves pra continuar tendo tempo para vida off-line. Abraços

  2. Veronica 10.08.13 at 17:51 - Reply

    O problema não é bem “falta de tempo” e sim a pressão constante da vida do mestrando/doutorando. Atire a primeira pedra o pós-graduando que nunca aceitou ir a um evento social e acordou no dia seguinte arrependido porque deveria ter estado em casa para redigir tese/projeto/artigo. Agora atire outra pedra quem nunca rejeitou um convite para colocar em dia suas atividades acadêmicas, mas na verdade acabou a noite em frente ao computador olhando pro cursor piscando em uma tela em branco.
    Fato é que o nível de exigência na pós é altíssimo e vem de todos os lugares: orientador, coordenador de curso, colegas e, principalmente, de si mesmo. Na pós não dá pra ser um aluno 60-70%, é preciso ser 90-100% quase todo o tempo, então fica fácil imaginar por que nos sentimos tão culpados por “perder” um tempo precioso com atividades não relacionadas à vida acadêmica… Mas é temporário, só 2 ou 6 anos, depois dá pra voltar ao ‘normal’, mesmo que com algumas sequelas. Assim espero…

  3. Paty 12.08.13 at 18:53 - Reply

    Concordo, Veronica! Embora tenha dúvidas de que será mesmo temporário…

  4. É verdade, Angélica, apesar das correrias, sempre procurei (e vou continuar procurando) separar um tempo para essas “outras” atividades que são importantíssimas não só para a própria integridade física e mental como inclusive para o desenvolvimento do projeto de pós. Afinal, se gastar completamente com o trabalho faz com que aos poucos o desempenho e a qualidade caiam, enquanto buscar o equilíbrio traz resultados melhores no longo prazo. Ótimo texto!

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