6 dicas para se dar bem nos processos seletivos da Pós-Graduação

Muitos programas de pós-graduação realizarão seus processos seletivos para os cursos de mestrado e doutorado em 2014 nos próximos meses. Agosto e setembro compõem o período dos tão esperados editais.

E agora, como se preparar para a seleção que se aproxima?

Primeiramente, espera-se que o candidato a uma vaga no mestrado já tenha se dedicado a leituras e pesquisas afins ao tema que pretende aprofundar. Ter realizado uma graduação de qualidade, acompanhar os debates acadêmicos em sua área, ter se envolvido em projetos de Iniciação Científica são requisitos altamente desejados.

Para o doutorado, um bom mestrado tem sido parte do caminho (à exceção de você ser um geniozinho ou seu tema ser extremamente interessante para um doutorado direto). Contudo, há outras dicas que podem ser determinantes no seu desempenho durante o processo seletivo:

Proponha um projeto que dialogue com o Programa de Pós-Graduação desejado
Promova um diálogo entre sua bibliografia teórica e aquela referente ao exame de seleção, seja do presente ano ou de anos anteriores. Isso mostra que há afinidades entre sua perspectiva e aquela do programa no qual pretende se inserir. Discutir com os professores do programa também pode ser positivo. Afinal, você está se candidatando a ser aluno deles. E se estiver em busca do doutorado, apresente alguns resultados da pesquisa de mestrado, isso dá credibilidade ao seu trabalho e mostra que você é capaz de concluir uma pesquisa de forma satisfatória.

Apresente relações entre os textos que compõem a bibliografia destacada para a prova
Estudar a bibliografia destacada para a prova teórica é essencial. Mas mais importante (sobretudo nas Ciências Humanas) é articular os textos. Encontre pontos comuns ou divergentes, orientações teóricas, debates abertos. Contraponha metodologias e perspectivas. Localize os textos historicamente: quem escreveu primeiro? Será que o autor X leu o autor Y?

Analise a metodologia utilizada pelos autores estudados para construção de suas pesquisas e exposição de seus resultados
Dedique-se a compreender como o texto foi construído: quais as fontes/dados utilizados? Como elas/eles são trabalhados? Qual a orientação teórica dos autores?

Relacione a bibliografia da prova com seu projeto
Alguns Programas de Pós-Graduação costumam pedir, na prova, que o candidato discorra sobre seu projeto de pesquisa amparado na bibliografia obrigatória. Fique atento a isso!

Saiba que a língua estrangeira é realmente importante e dedique-se a desenvolver habilidades de leituras em inglês e francês (espanhol nem sempre é aceito)
Isso não é só para seleção, mas para o curso. Quando vamos um pouco além da superfície da ciência, percebemos o quanto há para ser feito, sobretudo em língua portuguesa. Assim, o domínio de outros idiomas ajudará a superar dificuldades, a não precisar reinventar a roda. Para o mestrado, exige-se uma língua estrangeira, para o doutorado, geralmente são duas.

Se houver entrevista, seja claro, objetivo e demonstre domínio do seu projeto
Muitas vezes, essa etapa serve para ver se realmente foi o candidato que escreveu o projeto e se ele domina o tema. Mostre seu conhecimento sobre o assunto e procure dialogar com a banca. Não é um seminário sobre seu tema, é uma entrevista. Fique à vontade e converse. No caso de seleção ao doutorado, falar sobre os resultados do mestrado é um caminho indicado, caso haja continuidade entre os trabalhos.

Lembre-se: em muitos programas de pós-graduação sobram vagas tanto nos cursos de mestrado quanto de doutorado. Isso significa que seu maior adversário é você mesmo. Dedique-se a uma boa preparação e, isso é muito importante, mantenha a calma na hora da prova e entrevista, isso fará toda a diferença! Boa preparação e bons resultados!

By |2018-12-06T01:56:38+00:0030-07-2013|guia|19 Comments

About the Author:

Historiador e sonhador com leves traços de ansiedade. Sonha com uma casa com rede no quintal, para relaxar depois das voltas ao mundo que pretende dar, e uma poltrona like a boss, para preparar aulas sem ter dor nas costas. Quem sabe depois do doutorado...

19 Comments

  1. Marcus Vinicius Reis 30.07.13 at 11:46 - Reply

    Seguindo essas dicas Thiago, desde que com os pre-requisitos elencados por voce no inicio do artigo, certamente nao haverá momentos de terror.rsrs. Ótima leitura!

  2. Camila 30.07.13 at 11:01 - Reply

    Olá, você tem algumas dicas de editais que serão abertos agora?

    • Oi, Camila! Então, para poder sugerir precisaria saber qual sua área… mas boa parte dos programas de mestrado e doutorado estão com editais engatilhados para saírem em agosto/setembro!

  3. Ju 30.07.13 at 11:37 - Reply

    Qual o sentido dos processos exigirem francês, além do inglês, em detrimento de espanhol (mais falado) ou qualquer outro idioma? Em outras palavras, porque o francês? Eu juro que gostaria de achar uma lógica pra isso.

    • Alexandre 30.07.13 at 12:55 - Reply

      Em geral, isso é mais comum na area de Humanidades (no meu caso, ciencias sociais). Isso porque uma boa parte da producao em Ciencias Humanas é produzida historicamente em frances, além do fato do Brasil ter muita herança das correntes francesas. Nas Ciencias Naturais é um pouco diferente, em geral eles pedem apenas o ingles mesmo no doutorado.

      • Ju 30.07.13 at 17:39 - Reply

        Na psicologia a escolha do francês envolve muito mais uma questão ideológica que pragmática. Os melhores cursos exigem o inglês e uma segunda língua qualquer. Já em outros cursos optam pelo francês por conta de uma ou outra escola teórica que não representa a área da psicologia (nem sequer representa 5% da literatura científica da área). Isso acaba selecionando os candidatos a priori. Se saem melhor aqueles que se interessam pela linha específica que usa mais o francês. Os demais candidatos (mesmo fluentes em espanhol, que é de longe mais falada que o francês) acabam sendo descartados na própria seleção do idioma. Uma pena.

        • Thiago Mota 02.08.13 at 19:13 - Reply

          Oi, Ju! Essa pré-seleção pelo idioma é bem pertinente, hein! Confesso que ainda não havia pensado nisso, mas me parece muito coerente (e excludente). Ela se encaixa bem na dica sobre buscar afinidades teóricas com o programa de pós pretendido. Se nesse a eliminação já começa com a língua associada à teoria, melhor buscar outro…

    • lele 31.07.13 at 04:59 - Reply

      Na maioria das vezes, por se tratar do Brasil, país membro do Mercosul, espara-se que o candidato já tenha a habilidade de compreensão escrita do Espanhol. Não tem nada a ver comparar as línguas como sendo uma menos importante que a outra.

      • Thiago Mota 02.08.13 at 19:11 - Reply

        Oi Lele! Eu também acho que o espanhol é excluído, muitas vezes, pela errônea ideia de que já dominamos a língua, por ser supostamente mais fácil…

  4. August 31.07.13 at 02:32 - Reply

    Há ainda aqueles que abrem para inglês, espanhol e francês, mas durante o curso você mesmo vê a necessidade do alemão (mestrado em filosofia alemã)

  5. Muito boas suas dicas, Thiago, bem objetivas! Gostei também muito do último parágrafo: seu maior adversário é você mesmo. Põe as coisas em perspectiva =)

    • Thiago Mota 02.08.13 at 19:10 - Reply

      Oi, Elisa! Muito obrigado pelo feedback! Essa coisa do maior concorrente ser o próprio candidato é bastante forte! Tão sobrando vagas em muitos programas! O negócio é acertar o jeito no projeto, na prova e, se querer pós-graduação for um projeto de longo prazo (não resolvido nas vésperas), entrar em contato com o possível orientador é muito importante!

  6. Sara 07.08.13 at 10:20 - Reply

    Parabéns! Fiquei surpresa e orgulhosa e de ver você aqui! Me lembro bem de você na His. Beijos! Sucesso!

  7. Carol 01.11.13 at 08:25 - Reply

    Olá, gostaria de saber o que fazer para diminuir o nervosismo e me sentir segura na hora da entrevista, passei na prova escrita e dia 20 é minha entrevista. Obrigada.

  8. Oi, Carol! Só vi seu comentário hoje. Não sei uma técnica para diminuir o nervosismo e acredito que a melhor postura é o domínio sobre seu projeto. Mas passar confiança à banca é importante. NÃO levar o projeto é demonstrar domínio sobre ele. Levar papel e caneta é uma boa e mostra humildade, pois a banca sempre terá dicar legais que podem te ajudar. Estar vestido de forma adequada (social/casual) vale a pena e entender a entrevista como uma conversa, na qual as pessoas estão interessadas no que você tem a dizer podem ajudar. E aí, como foi? Aprovada?

  9. Rafael Di Nardo Ribeiro 13.01.15 at 16:55 - Reply

    Boa tarde, Thiago.

    Eu não tive oportunidade de realizar nenhum intercâmbio durante minha Graduação, enquanto a maioria dos alunos do meu Curso já fizeram. Você acha que Intercâmbio conta muito no Processo Seletivo, na Análise de Currículo?

    Obrigado.

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