Acho que todo mundo que faz pós-graduação conhece o Prêmio Nobel, que é o prêmio de maior honraria científica destinado às pessoas que fizeram pesquisas importantes, criaram técnicas pioneiras ou deram contribuições destacadas à sociedade, concebido desde 1901, certo? Ok. Mas existem pesquisas que muitas vezes (sempre) não são publicadas devido a ser meio “estranhas”, mas nem por isso não merecem receber um prêmio….mas que prêmio?

Desde 1991 existe um outro prêmio, um pouco diferente, para não dizer inusitado, que premia pesquisas científicas, digamos, um pouco incomuns. O Prêmio IgNobel é um prêmio dado para a descoberta científica mais estranha do ano. Os prémios são entregues a cada outono para honrar estudos e experiências que primeiro fazem as pessoas rir e depois pensar. O nome, pronunciado nas cerimônias de premiação como “aigui-noubél”, é um trocadilho com o nome “Nobel” de Alfred Nobel e a palavra anglófona ignoble (lit. ignóbil), que representa algo “não nobre”, vil ou desprezível.

O prêmio foi criado por Marc Abrahams, editor e co-fundador da revista de humor científico Annals of Improbable Research (Anais da Pesquisa Improvável) e também organizado pela Harvard-Radcliffe Society of Physics Students, a Harvard-Radcliffe Science Fiction Association, e a Harvard Computer Society e os prêmios são entregues na Universidade de Harvard em colaboração com o MIT. A ideia é premiar pesquisas raras, honrar a imaginação e atrair o interesse público para a ciência, a medicina e a tecnologia. Foram entregues pela primeira vez em Harvard em 1991, sendo a cerimônia abrilhantada pela presença de verdadeiros laureados com o Prêmio Nobel, que entregam o respectivo Prêmio IgNobel ao vencedor, numa cerimônia que até (desde 1996) inclui uma mini-ópera, a meias entre cantores de ópera profissionais e laureados com prêmios Nobel.

Dez prêmios são concedidos todos os anos em muitas categorias, incluindo as categorias do Prêmio Nobel (física, química, fisiologia/medicina, literatura e paz), mas também outras categorias como a saúde pública, engenharia, biologia e pesquisa interdisciplinar. Mas alguém já recusou o prêmio? Em quase todos os casos, a organização do evento conversa, como eles mesmo dizem, calmamente com os indicados, e dar-lhes a opção de recusar a honra. Quase todos eles decidem aceitar, e também a fazer parte da cerimônia.

Alguns prêmios concedidos são realmente inusitados, como:

2001 – Medicina: Concedido a Peter Barss da McGill University, Canadá, por seu impactante estudo médico sobre lesões causadas por quedas do coco.

2002 – Matemática: Para K.P. Sreekumar e o falecido G. Nirmalan da Kerala Agricultural University, Índia, pelo seu relatório analítico de estimativa da Área de Superfície dos Elefantes Indianos.

2007 – Economia: Kuo Cheng Hsieh, por patentear um aparelho que captura ladrões de banco, prendendo-os numa rede.

2009 – Química: à equipe da Universidade Nacional Autônoma do México, por criar diamantes a partir de tequila.

2011 – Física: Philippe Perrin, Cyril Perrot, Dominique Deviterne, Bruno Ragaru e Herman Kingma, por determinar por que atletas que lançam discos ficam zonzos e os que lançam martelos não.

2012 – Literatura: Ao Escritório Geral de Contabilidade do Governo dos EUA, por emitir um relatório sobre relatórios sobre relatórios que recomenda a preparação de um relatório sobre o relatório sobre relatórios sobre relatórios.

Ah…mas também brasileiros já ganharam o prêmio: Em 2008 o prêmio de Arqueologia foi dado aos pesquisadores Astolfo Gomes de Mello Araújo e José Carlos Marcelino, por demonstrarem que os tatus podem misturar os vestígios em um sítio arqueológico.

Esse ano o prêmio será dia 12 de Setembro e normalmente é transmitido ao vivo pelo YouTube (vale a pena assistir, realmente é muito engraçado).