Figuras, gráficos, diagramas etc. são parte fundamental em artigos acadêmicos. Como no Word, alguns tipos de figuras nos permitem duas opções: construção ou importação. Em outras palavras, se queremos construir um diagrama não tão complexo, podemos fazer isso em Word (ou similar) a partir de figuras geométricas e ajustes de formatação.

Para figuras mais complexas, geralmente importamos o objeto de outro aplicativo. As ferramentas de construção gráfica no Word são bastante limitadas, e, no quesito estético, o pacote iWork (Mac) certamente é uma melhor opção se você procura algo amigável e simples. De qualquer forma, você provavelmente não usará nenhum dos dois para artigos acadêmicos/científicos.

Em LaTeX, também podemos construir uma determinada estrutura (a partir de pacotes específicos) ou importá-la (equivalente ao “inserir figura” ou “colar” em Word, por exemplo).

Neste artigo, veremos como importar figuras e inserí-las no corpo do texto.

Para desenharmos figuras específicas, teríamos de analisar pacotes variados.

Pessoalmente, acho interessante construir estruturas não lineares em LaTeX. O problema é que cada pessoa terá interesses diferentes, e não necessariamente irá achar relevante ler sobre um tipo de estrutura da Engenharia caso esta não seja a sua área.

Em Linguística, por exemplo, usamos principalmente pacotes para construção de hierarquias não lineares e símbolos fonéticos, mas isso pode não servir para nada se você é da História.

Basta informar-se sobre os pacotes que dão conta daquilo que você precisará em sua área. Ainda vou dedicar alguns artigos para pacotes de referências, acentos, símbolos etc. Também reservarei um artigo para o “modo matemático”.

ANTES DE INICIARMOS

Em Word, você não precisa necessariamente ter uma pasta com todas as figuras que você utiliza em seu artigo ou sua tese (embora isso seja um costume importante de organização). Em LaTeX, você precisa fazer isso (isto é, você precisa minimamente saber onde está o arquivo referente à figura que deseja utilizar). Vamos imaginar o seguinte exemplo:

1. Você cria uma pasta em seu Desktop chamada “Artigo”

2. Dentro dessa pasta, teremos o arquivo principal (artigo.tex) e outra pasta, chamada “Figuras”

3. Suponha que dentro da pasta “Figuras” tenhamos 10 figuras

Somente depois de ter organizado algo similar aos passos 1-3 acima você conseguirá trabalhar com figuras. Você não precisa necessariamente por as figuras em uma pasta: você pode deixar figuras e arquivos .tex em um mesmo local—é uma questão de gosto (e organização). Isso ocorre porque você informará ao LaTeX onde a figura está.

Você pode até informar algo que ainda não existe (isto é, informar o caminho até uma figura antes de ter a figura propriamente dita), desde que você não compile o arquivo—ou você pode “comment out” a parte que faz referência à figura com um “%”. Assim, aquela linha não será lida, e nenhuma figura será buscada, evitando um erro. Organizar arquivos é algo extremamente importante em LaTeX.

Se você leu o artigo sobre tabelas, verá que figuras são análogas, isto é, trata-se de um ambiente específico com alguns parâmetros simples. Existem “alguns” pacotes que dão conta de figuras. Neste artigo, usarei o pacote graphicx, que é relativamente comum. Leia o código abaixo e certifique-se de que todas as linhas estão claras.

PASSO 1

Carregue o pacote “graphicx” em seu preâmbulo (repetirei aqui a estrutura básica de um artigo para facilitar).

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\documentclass{article}
\usepackage{graphicx}
\usepackage[/fusion_builder_column][fusion_builder_column type="1_1" background_position="left top" background_color="" border_size="" border_color="" border_style="solid" spacing="yes" background_image="" background_repeat="no-repeat" padding="" margin_top="0px" margin_bottom="0px" class="" id="" animation_type="" animation_speed="0.3" animation_direction="left" hide_on_mobile="no" center_content="no" min_height="none"][portuguese]{babel} % Para termos legendas em português
\title{Meu artigo} 
\begin{document} 
\maketitle
\end{document}

PASSO 2

Crie um ambiente chamado “figure”, seguido do argumento [h] (lembre-se que este argumento “fixa”, dentro do possível, a figura naquele lugar exato). Também adicionaremos (1) a legenda para essa figura (“Exemplo”) com a função \caption{}, e (2) o label, para que possamos fazer referência à figura ao longo do texto do artigo.

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\documentclass{article}
\usepackage{graphicx}
\usepackage[portuguese]{babel}
 
\title{Meu artigo}
\begin{document}
\maketitle
\begin{figure}[h]
\caption{Exemplo}
 
\label{figura:qualquernome}
\end{figure}
\end{document}

PASSO 3

Dentro do ambiente “figure”, usaremos a função \includegraphics, que possui dois argumentos. O primeiro argumento é a dimensão do objeto; o segundo, o local onde a figura se encontra. Usaremos a pasta do exemplo acima: “Figuras”. Vamos imaginar que, dentro dessa pasta, há uma figura chamada “figura_1.jpg”.

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\documentclass{article}
\usepackage{graphicx}
\usepackage[portuguese]{babel} % Para termos legendas em português
\title{Meu artigo} 
\date{} % para este exemplo, deixarei a data vazia
\begin{document}
\maketitle
 
\begin{figure}[h]
\caption{Exemplo}
 
\centering % para centralizarmos a figura
\includegraphics[width=5cm]{Figuras/figura_1.jpg} % leia abaixo
\label{figura:qualquernome}
\end{figure}
 
Na Fig. \ref{figura:qualquernome}, vemos que ...
\end{document}

OBSERVAÇÕES

1. Especificando width, a altura é automaticamente calculada (em proporção). Você também pode dar um valor para height, e a largura é automaticamente calculada. Também é possível subespecificar o parâmetro. Por exemplo: digamos que eu queira que as minhas figuras ocupem a metade da largura do texto (mas não lembro qual a largura padrão do texto!). Posso, então, utilizar width=0.5\textwidth para atingir esse objetivo.

2. Se você quiser a legenda abaixo da figura, basta mover a linha \caption{} para depois de \includegraphics. Utilizei um nome qualquer “figura:qualquernome”. Você não precisa de “figura:”, mas é útil: lembre-se que você terá dezenas de tabelas, gráficos, figuras etc., e todos serão etiquetados da mesma forma. Logo, é útil ter nomes intuitivos, que facilitarão a sua própria organização mais tarde.

3. Sua figura não precisa estar em .jpg. Há outros formatos aceitáveis (como .pdf).

4. Note que o nome “Figura…” na legenda é automático. Portanto, se você não alterar a língua, suas legendas iniciarão com “Figure…”. Daí a necessidade de carregar o pacote babel. Da mesma forma, a numeração da figura também é automática, e podemos, a partir de agora, fazer referência a essa figura a partir da função \ref{figura:qualquernome} no corpo do texto.

O resultado deve ser algo assim:

Screen-Shot-2014