Problemas na saúde mental são uma realidade rotineira na vida de muitos pós-graduandos do stricto sensu.
Crises de ansiedade, depressão, distúrbios do sono, crises de choro, crises de pânico, sentimento de inferioridade, angustias e dificuldade em cumprir prazos e produzir.
Quem nunca?
Uma das causas destes problemas está na carga excessiva de conteúdos, na relação hierárquica opressora que pode existir entre docente/estudante, a auto cobrança exacerbada e o isolamento da família.
Mas há muitas outras razões, como a competição acirrada, a pressão dos colegas, a falta de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e o medo do fracasso.
Para além disso, a falta de tempo para atividades da vida pessoal, assim como as incertezas sobre o futuro/mercado de trabalho e a falta de dinheiro também nos levam a desestruturação emocional e psíquica.
O ambiente acadêmico pode ser extremamente tóxico e desgastante emocionalmente, não é mesmo?
Afinal as demandas acadêmicas exigem um alto grau de envolvimento cognitivo, emocional, psicológico e financeiro.
E nem sempre é possível conciliar tudo, principalmente quem já entra na pós-graduação em estado de vulnerabilidade psicológica.
Para além das questões acadêmicas, do relacionamento com o orientador, há as questões questões singulares e pessoais, sejam elas financeiras, emocionais, profissionais ou conjugais.
Assim, unem-se dimensões individuais, sociais, coletivas e institucionais aos múltiplos desafios do transcorrer da pós-graduação, corroborando para o desenvolvimento de sinais e sintomas de sofrimento psíquico.
Fazer pós-graduação é uma linha tênue entre o prazer e o sofrimento no ambiente acadêmico.
Prazer em fazer ciência, pelo conhecimento adquirido, na articulação entre informação teórica e experiência pessoal e profissional.
E sofrimento, pelo ambiente desafiador, pelos relacionamentos nem sempre harmoniosos e pela natureza solitária da trajetória.
Já que grande parte do desenvolvimento e aprimoramento de competências específicas depende de esforços individuais, como a leitura extensiva, a pesquisa meticulosa e a construção da dissertação ou tese.
Essa solidão, muitas vezes necessária, pode pesar emocionalmente, exigindo resiliência e autodisciplina para superar os obstáculos.
E como consequência de tudo isso, o uso de psicofármacos por conta própria e psicoativas ilícitas acaba se tornando uma estratégia para produzir e dar conta de todas as demandas.
Com isso, relativiza o valor do estudante em função de seu desempenho, mascarando subjetividades e problemas.
E muitas vezes ocasiona outros problemas de saúde.
E até que ponto isso vale a pena?
As questões de saúde mental ainda são muito negligenciadas no âmbito acadêmico.
São poucas instituições que oferecem apoio e poucas pessoas que têm empatia.
Se você se identificou com alguma coisa até aqui, saiba que você não está sozinho!
Como melhorar a situação de saúde mental
A falta de organização e planejamento gera atraso na conclusão de trabalhos e estudos e faz com que tarefas se acumulem.
Tudo isso gera uma sensação de falta de tempo, como se estivéssemos sempre atrasados e não cumprindo nossas tarefas como deveríamos, contexto que frequentemente aumenta a ansiedade.
Para contornar esse quadro, conheça seus limites, saiba dizer não e reconhecer quando sua vida pessoal e profissional não estão em equilíbrio.
Tenha também uma rotina de sono, minimize a exposição durante a noite a dispositivos eletrônicos cerca de duas horas antes da hora de dormir.
Faça apenas uma atividade por vez, sem pensar nas demais enquanto não concluir a que estiver fazendo.
Um passo de cada vez.
Estabeleça horários para cada atividade e uma ordem de prioridades, sem esquecer os horários de descanso e lazer.
Praticar esportes ou outra atividade física, ter uma outra atividade para renovar os pensamentos é tão importante quanto produzir.
Existem outras coisas importantes na vida, o descanso e o lazer não vão atrasar a conclusão das tarefas acadêmicas, se realizados de forma organizada, inclusive, tende a melhorar significativamente o desempenho acadêmico.
E ajuda a manter o equilíbrio.
Procure orientação de um profissional especializado quando perceber que a sua saúde mental e física está em risco.
Infelizmente nem sempre é fácil achar um bom profissional de primeira e nem sempre quando é necessário tomar medicação, é de primeira que vai dar certo.
Muitas vezes vai ser necessário insistir mudando de profissional. Tenha paciência com esse processo.
E seja gentil com você mesmo!
A sua trajetória acadêmica é importante, ainda assim, é apenas uma parte de sua vida.
E você? Como tem sido sua experiência com a saúde mental durante a pós-graduação?
Quais estratégias têm ajudado você a enfrentar os desafios dessa jornada?
Compartilhe suas reflexões e dicas conosco – sua história pode inspirar e apoiar outras pessoas que estão passando pelo mesmo!
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