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Pós-graduação rima com…

Qual a primeira palavra (com rima) que vem a sua cabeça quando se fala em pós-graduação?

Posso apostar que se você for da turma do stricto sensu você pensou em Depressão. Aposto também que se você está nessa fase, a expressão “quem nunca?!”, nunca foi tão válida! Acertei?

Bem-vindo ao clube! Apenas com minhas observações empíricas, ou seja, sem procurar “estatísticas oficiais”, percebo que entre os meus colegas pos-graduandos oito em cada dez tiveram sintomas depressivos ou alguém nível de depressão no mestrado e/ou doutorado.

Isso me preocupa. E as vezes ocupa também. Muitas vezes observo as sérias consequências que essa fase na vida de muitas pessoas, que se frustram terrivelmente ou replicam hábitos ao mudar de posição de orientado para carrasco orientador .

Para mim, a depressão (e suas variantes) é um fenômeno tão sério dentro dos programas de pós-graduação que o departamento de psicologia está perdendo a oportunidade de desenvolver teses sobre isso. Por mais irônico que isso possa parecer. Os órgãos de fomento também deveriam começar a considerar uma “bolsa terapia” por que se algumas profissões são prejudicadas quando entramos na pós-graduação, os psicólogos e psiquiatras não são.

O pior é a desinformação de quem passa pelo processo ou vê alguém nele. A depressão é algo tão típico comum a pós-graduação quanto sonhar com a banca em véspera da defesa. A explicação é relativamente simples: uma combinação de cobrança excessiva (externa e interna), expectativa, frustração, ansiedade, raiva, decepção e outros sentimentos recolhidos, além da jornada de trabalho árdua, ausência de férias regulares, má alimentação, imaturidade, sedentarismo e preocupação.

Depressão tem tratamento, gente! Vai ficar ai sofrendo quando você deveria poderia estar bem? A terapia é algo extraordinário. Um momento seu, para crescer, fazer as pazes com o passado e ver a real dimensão dessa fase e do seu orientador. Terapia só não resolveu e você tem que ir ao psiquiatra? Vá, meu filho! “E não olhe para trás” Por que o drama? Se você, em pleno século XXI acha que essa especialidade médica “só trata de doido”, ai mesmo é que você precisa de um terapeuta! Aperta o F5 aí nos seus conceitos.

Além de tudo isso, ou melhor, sobretudo, busque o equilíbrio. Conheço muitos casos que as pessoas tomaram rotas alternativas para sair do processo depressivo. Em todo caso, a pós-graduação, embora digam o contrário, é um trabalho, uma fase (curta) da sua vida. Temos nesse tempo uma grande oportunidade de aprendizado pessoal e profissional.

Quando nós superamos a fase de sofrimento e mimimi reclamação e procuramos auxílio para sair desse ciclo (sentimentos mal resolvidos, cobrança, expectativa e frustração), podemos ver que a pós-graduação rima mesmo é com SUPERAÇÃO.

By |2013-11-03T10:51:07+00:0021-08-2013|debates|7 Comments

About the Author:

Bióloga pernambucana e doutoranda em Ecologia e Recursos Naturais (UFC). Escreve crônicas "desde que se entende por gente" para registrar e refletir sobre o universo ao seu redor. Aprecia os pequenos prazeres da vida e é uma otimista incorrigível.

7 Comments

  1. Daniel Angrimani 23.08.13 at 16:09 - Reply

    Raiana, tem que rimar tambem com CORAÇÃO! Pq só amando isso aqui pra continuar… =P

  2. Importante tema, Raiana, um problema bastante sério. Pelo que tenho lido alguns lugares já têm disponibilizado um atendimento especial para pós-graduandos em situações de depressão/ansiedade. Outro aspecto interessante que você levantou e que pode ser tema para todo um outro post é esse “(…) muitas pessoas, que se frustram terrivelmente ou replicam hábitos ao mudar de posição de orientado para orientador”. É quase um estudo de psicologia hehe, por que isso acontece tanto??

    • Raiana Lira Cabral 25.08.13 at 12:45 - Reply

      Elisa, acho que a ideia desse atendimento especial deveria se espalhar pelo Brasil a fora…sinceramente! Quanto a réplica de hábitos parece mais uma síndrome que acomete os cientistas… eu acho que é aquela coisa do oprimido se tornar algoz e querer redimir suas frustrações, frustrando os outros… tipo,” se eu passei por isso, por que vc não pode passar..” ou coisas do tipo…com certeza Freud explicaria bem melhor…=D Vamos torcer para os psicólogos de plantão lerem esse post.

  3. Maria da Soledade 25.08.13 at 08:06 - Reply

    Muito oportuna a abordagem, Raiana! Concordo plenamente que pedir ajuda não é nenhum demérito, se precisar, vá mesmo em busca de apoio. E Daniel tem razão, tem que rimar também com CORAÇÃO, porque há momento que só a paixão te faz seguir adiante.

    • Raiana Lira Cabral 25.08.13 at 12:47 - Reply

      Grata Soledade!! Isso aí a paixão é tão importante quanto a dedicação… eita! quanta rima!

  4. Carlos 20.04.15 at 20:52 - Reply

    É, eu, durante o mestrado, tive depressão severa. Infelizmente, descobri tardiamente. Não fiz terapia, nem mesmo fui a um psicólogo ou psiquiatra. Saí do mestrado e fui alvo até de chacota por parte dos “amigos” pós-graduandos. É, é triste, mas deixei o sonho para trás e não consegui retornar.

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