Dicas sobre os concursos para professor universitário

Salve leitores e leitoras deste sítio Web!

Me pediram para tecer comentários a respeito de bancas de concursos, e vou começar por dizer que já participei de várias nos principais níveis (adjunto, associado, livre docente e titular) de várias Universidades públicas Brasileiras (USP, Unicamp, UFPE, Ufal, UFRN e UEFS). Considero que compor bancas de concurso e de defesas é um dos meus compromissos mais importantes, e que impõe mais responsabilidade, pois é nelas que posso tentar direcionar os rumos de uma carreira e de uma Instituição.

Como costuma ser visto um concurso para quem está concluindo uma pós-graduação? Conheço vários pontos de vista, dentre eles:
Licença para Casar: a perspectiva de um contra-cheque razoavelmente pontual e da estabilidade funcional parecem ser um poderoso feromônio para quem está pensando em constituir família ou, simplesmente, para tirar o pé da lama chamada “bolsa de pós-graduação”.
Carta de Alforria: o concurso é, para alguns, a liberdade do regime de escravidão imposto pelo orientador.
Passo importante na carreira: obter a aprovação por pares para ingressar em uma Instituição na qual iremos construir boa parte das nossas carreiras.

Seja qual for a visão do/a candidato/a, o concurso se inicia com a chegada de vagas no Departamento ou Instituto. Se o Departamento for sério, haverá uma ampla discussão nas esferas mais representativas para decidir o destino dessa vaga. Em algumas Instituições, vaga para titular é discutida por titulares, por exemplo. Em outras, a discussão é limitada a quem é membro permanente de uma pós-graduação. O âmbito em que as discussões são feitas, e como elas são conduzidas, revela de forma inequívoca o naipe da Instituição.

Requisitos do edital
A discussão no âmbito do Departamento deverá versar sobre os prazos e requisitos, bem como sobre os assuntos do concurso e a banca.

Nos “requisitos” podem ser estimulados ou barrados certos perfis. Em um extremo, estão os Departamentos que “amarram” o concurso a diplomas de graduação, mestrado e doutorado em áreas bem limitadas do conhecimento (Graduação em Ciência da Computação, Mestrado em Engenharia da Computação e Doutorado em Informática na Educação, por exemplo). No outro extremo, há Departamentos menos preocupados com os diplomas e mais confiantes na avaliação dos/as candidatos. Estes últimos podem exigir apenas Doutorado em, digamos, Engenharia e Ciências Afins. Perfis muito específicos podem ora atender uma demanda particular, ora podem querer beneficiar certos candidatos em detrimento de outros. Cada caso é um caso, mas é bom para o candidato saber como o Departamento procedeu para saber o que lhe espera caso entre.

Os assuntos ou temas do concurso irão direcionar de forma mais detalhada o perfil da pessoa a ser contratada. Já vi concursos em que, novamente, o Departamento optou por dar mais valor ao histórico de publicações dos candidatos, e deixou os temas mais genéricos, e outros em que havia interesses específicos em certos temas.

Pessoalmente, não gosto de coisas muito amarradas nem nos diplomas nem nos assuntos. Sou dos que preferem avaliar candidatos/as pelo que publicaram e, se for o caso, pelos projetos que coordenam ou coordenaram.

Para o candidato a peça fundamental é o edital. Ele deverá trabalhar sobre esse edital da forma mais aderente e rigorosa possível. Uma boa dica é no sentido de organizar os documentos comprovatórios exatamente na ordem e na numeração em que cada item aparece no edital. Quando eu prestei concursos para titular fiz um estilo LaTeX que gera uma numeração configurável para cada entrada do memorial, e repliquei essa numeração nos sacos plásticos que compunham as pastas de documentos. Dá um pouco de trabalho no início, mas se torna fundamental para facilitar a tarefa e para produzir um conjunto de documentos bem organizados.

No edital constam os pesos relativos de cada elemento do concurso. No geral, são variações de (i) Títulos, (ii) Experiência profissional, que não inclui publicações, (iii) Publicações e atividades acadêmicas. Prepare-se para ser excelente em tudo, se você quer ser competitivo. Na hora da arguição enfatize aquilo em que você é bom, e não minta sobre o resto. Os pesos podem ser definidos pelo Departamento ou em instâncias superiores. Uma Universidade que prioriza a experiência profissional em detrimento da produção científica qualificada estará dando claros sinais que quer caminhar em direção a um colegião. Pense se é essa a Instituição em que você quer trabalhar.

Há, em geral, sorteio de pontos para prova escrita e para prova didática. Um bom costume é preprarar cada ponto do edital como se ele fosse o resultado do sorteio, isto é, um/a candidato/a preparado/a chega ao concurso com (tipicamente) dez pontos estudados a contento para a prova escrita e com dez aulas magistralmente preparadas. Nada de deixar para improvisar. O improviso é muito perigoso quando se trata de disputar de forma competitiva aquela vaga que queremos.

A banca do concurso
Voltando aos preparativos do concurso ainda no Departamento, um ponto fundamental é o da composição da banca. Ela não pode ser plenamente decidida antes de conhecer os inscritos, já que parece haver restrições legais quanto à participação de avaliadores que têm algum tipo de relação com candidatos. O que o Departamento costuma fazer é preparar uma lista de possíveis membros para a banca, em ordem de prioridades, para chamá-los ou chamá-las uma vez encerradas as inscrições.

Ser membro de banca não é fácil. Aliás, é uma das tarefas mais difíceis que alguém pode encarar (com seriedade).

Banca boa é banca formada por pessoas de comprovada competência na área do concurso. Estou falando de competência acadêmica demonstrada através de publicações em periódicos internacionais indexados, não dos cinco critérios de anti-Midas (Beleza, Oratória, Simpatia, Trânsito pela comunidade e Aceite nas rodas de fofoca) que, com infinita tristeza, vejo empregar com certa frequência com consequências funestas, na melhor das hipóteses.

Banca boa é banca que é cumpre com o rito do processo, isto é, que respeita o edital e que ao mesmo tempo é capaz de avaliar dentre os candidatos aqueles mais promissores para o futuro do Departamento. Uma banca séria não passa por cima do edital, mas consegue a liberdade necessária para fazer a melhor escolha.

Banca boa é isenta de qualquer simpatia ou antipatia. Qualquer tipo de preconceito deve ser vigorosamente rechaçado. Qualquer tipo de favorecimento deve ser imediatamente denunciado.

Eu já soube de candidatos que se pouparam de denunciar desvios de conduta de bancas pouco escrupulosas, com receio de serem perseguidos por elas. Para eles o meu comentário: é melhor denunciar e não ficar nesse Departamento do que em algum momento ter essas pessoas inescrupulosas como colegas ou chefes. Procure coisa melhor, e bote a boca no trombone.

Alguns pontos que eu, quando componho uma banca, pondero como favoráveis:
1. Pontualidade é, ante tudo, uma demonstração de respeito. Se necessário pernoite na Universidade, mas não chegue atrasado.
2. Seja espontâneo e natural. Seja você mesmo. Se você é bom no que você faz, e se o Departamento é sério, as suas chances não são maiores por puxar o saco, aliás, deveriam ser menores…
3. Ensaie. Deixe o improviso para sessões de jazz e para o teatro experimental.
4. Seja objetivo. Não enrole. Responder “não sei, mas vou verificar” é melhor (para uma banca séria) do que inventar alguma resposta.
5. Conheça o Departamento. Alguém da banca pode perguntar por que você quer trabalhar nele, ou quais as suas perspectivas de interação com outros docentes.
6. Prepare um memorial (ou equivalente) impecável e que facilite a tarefa da banca.
7. Esteja pronto para falar da sua produção científica de forma contextualizada. Saiba falar para leigos e para especialistas sobre suas vitórias acadêmicas.
8. Esteja pronto para falar dos seus fracassos. Qual ideia sua não deu certo? Qual orientação foi um desastre? Saber sair dos atoleiros acadêmicos é uma virtude maior do que evitá-los.
9. Esteja pronto para responder a perguntas como, por exemplo, “por que o Departamento deveria lhe contratar?” ou “qual a diferença que você fará para o Departamento caso seja contratado?”.

Os pontos 2 e 3 acima parecem conflitantes? São conflitantes, mas a vida real é cheia de problemas dessa classe.

Mas voltando ao início do texto… você já parou para pensar que fazer concurso não é a sua única (e talvez nem a melhor) opção uma vez concluída a sua pós-graduação? Um pós-doutorado em uma instituição de ponta pode abrir novos e melhores horizontes, e lhe deixar melhor preparado para quando voltar. Há também bolsas para recém doutores em diversas modalidades; use-as como um test-drive.

Finalmente, é bem provável que o seu primeiro concurso não seja o último. Eu fiz dois concursos públicos e dois processos seletivos, e estou vivo. O seu melhor futuro profissional está ainda por vir. Prepare-se para ele!

. . .

Texto escrito por Alejandro C. Frery, professor titular da Universidade Federal de Alagoas e colaborador do site posgraduando.com

By |2018-12-06T01:56:52+00:0007-06-2011|docência, guia|59 Comments

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O posgraduando.com é um espaço na internet para troca de experiências, opiniões, depoimentos, dicas, tutoriais, humor e debates saudáveis sobre o meio acadêmico. Para participar também, leia nossas instruções aos colaboradores.

59 Comments

  1. Thomaz 20.06.11 at 17:50 - Reply

    E esse modelo ai de memorial no LaTeX, como a gente faz para que o senhor mande? =)

  2. Virgínia Levy 01.09.11 at 18:52 - Reply

    Adorei! Mas combater o nervosismo em momentos de avaliação é difícil! rs…

  3. Evelyn 08.10.11 at 21:30 - Reply

    Texto muito oportuno! Obrigada pelas colocações.

  4. Sofia 24.11.11 at 22:15 - Reply

    Alejandro, suas boas dicas dão por sentado que os candidatos que disputam pela vaga serão jovens doutores em início de vida acadêmica. Porém, como proceder se o candidato que disputa a vaga contigo tem o dobro de sua idade, currículo dilatado, especialista no tema, e resulta evidente que opta pela vaga para simples fins de complementação de aposentadoria???
    Uma vez que a média final está composta por: (prova escrita + prova de aula + CV)/3, o candidato mais velho já larga com vantagem e o candidato mais novo fica em clara desvantagem.
    Alguma sugestão?
    Obrigada.

    • João Guilherme 10.06.12 at 23:17 - Reply

      Com certeza. Difícil concorrer com os mais experientes. A saída é, então, adquirir experiência? Complica mais ainda…

    • Chandra 16.05.13 at 18:53 - Reply

      Concordo plenamente com vc Sofia. O que fazem os candidatos em início de carreira???

    • Deise 11.02.14 at 16:52 - Reply

      Confie em você antes de tudo. Você pode ir muito bem nas duas primeiras provas e isso pode compensar. Você pode ter a sorte de outros candidatos desistirem de fazer a prova. Aconteceu as duas coisas comigo: fui melhor na prova prática e escrita, mas não tinha quase nada no CV, a experiência profissional era zero. Meu concorrente mais forte desistiu, enquanto os demais, mesmo com experiência profissional no CV (era concurso de um IF, não contava produção), não foram tão bem nas outras provas. Deu certo e consegui a vaga. Contou dedicação, paixão pela área, pensar na melhor maneira de aprender o assunto (tente se ver como um aluno outra vez: o que funciona e o que não funciona?). O caminho não é tão impossível quanto pode parecer, acredite em você.

    • Leo 11.02.17 at 12:37 - Reply

      Recentemente participei de um concurso para professor com um pesquisador já aposentado com mais de 30 anos de experiência. Com orientações de doutorado e mestrado. Inclusive foi suplente na minha dissertação de mestrado. Agora está participando em outro concurso para uma localidade melhor.

  5. Valentina 09.01.12 at 13:41 - Reply

    Quais são os requisitos para a apresentação de uma excelente prova didática em concurso para professora de universidade?

  6. Reis 24.01.12 at 06:39 - Reply

    FREY, 

    Não entendi. Postou e sumiu. Fiquei curioso para ler as respostas das perguntas que lhe fizeram.

  7. Juliana 03.04.12 at 15:14 - Reply

    Gostaria muito de obter dicas sobre a pergunta da Valentina..

  8. Branco_geo 03.04.12 at 15:47 - Reply

    As bancas de concurso para docentes, muitas vezes são tendenciosas, e não cumprem com edital, em um concurso para Turismo na UFRN em 2010 ou 2009. Caiu matéria que não estava no edital e profs. da banca que mesmo de suplente que conheciam ou tinham orientandos participando.
    Esses concursos deveriam ser com a primeira prova Objetiva, para evitar as fraudes que muitas vezes envolvem os próprios profs da banca e coordenadores, o concurso para UFRR de 2011 para Turismo tbm, foram para prova  27 alunos e foram aprovados 2 na qual eram amigos pessoais do coordenador do curso tendo feito a graduação na mesma turma, difícil concorrer nesses moldes que abrem várias lacunas para aprovação de candidatos pré selecionados e com uma margem grande para falcatruas, as provas não podem ser subjetivas e sim objetivas assim ficaria mais difícil para eventuais fraudes. O pior que envolve os profissionais que deveriam servir de exemplo os professores universitários formadores de opinião que muitas vezes criticam os nossos políticos corruptos e deixam margens para pensar o mesmo deles.

    • Fernanda Sá 03.04.12 at 19:25 - Reply

      Concordo com cada palavra do colega acima, eu atualmente estou sofrendo com uma palhaça da mesma UFRN que o colega citou acima. Os processos de concurso e posse naquela IES são extremamente obscuras.

  9. Patrícia 03.04.12 at 19:49 - Reply

    Com relação ao trecho “você já parou para pensar que fazer concurso não é a sua única (e talvez nem a melhor) opção uma vez concluída a sua pós-graduação? Um pós-doutorado em uma instituição de ponta pode abrir novos e melhores horizontes, e lhe deixar melhor preparado para quando voltar.”  de fato seria muito bom se a bolsa de pós-doc não tivesse tomado de um caráter profissão bolsista. Alguns ficam fazendo pós-doc,bolsa de recém doutor quantas vezes conseguem, e quando prestam um concurso, vem o desastre, já vi uma prova de um candidato que fez doutorado na Europa, pós-doc nos EUA e que quando fez uma prova escrita  de química, errou coisas básicas, como quantas ligações o carbono faz nos compostos orgânicos habituais…. e daí, esse pós-doutorado abriu o quê? Mais vale enfrentar uma sala de aula mesmo que no ensino médio, para sentir o peso do título PROFESSOR o que não é o mesmo que INFORMANTE… TRANSMISSOR… 

    • Garcia 11.02.14 at 17:40 - Reply

      Excelente! Sem falar que apenas olhar para as publicações em vez da experiência faz com que a academia continue longe do ensino básico…

  10. Kellen Tjioe 21.04.12 at 14:58 - Reply

    Excelente matéria!

  11. Elaine 01.11.12 at 17:24 - Reply

    Eu fiz um concurso na UFES em 2009 e os dois candidatos aprovados tinham ligação com os professores da banca. Entrei com recurso e os representantes da universidade disseram que não houve irregularidades. Então eu denunciei ao ministério público e estou aguardando a decisão. Os três professores da banca e a UFES estão sendo acusados de improbidade administrativa. Não me beneficiei com isso, mas tenho certeza que ajudei futuros candidatos em outros concursos, pois já soube que agora a UFES está cobrando maior transparência e nenhum vínculo entre candidatos e componentes de bancas. Eu fiz como o Prof. Alejandro sugeriu, procurei coisa melhor e botei a boca no trombone.

    • Joyce 20.05.13 at 14:39 - Reply

      Já passei por isso! O presidente da banca era chefe de uma das candidatas e vejam só, ela foi a única que passou na prova escrita. Muita “competência”? sei não, parece máfia. Fiz uma pergunta à banca e ela respondeu pelo presidente (chefe) dela. Cara de pau!

  12. lufatima 13.11.12 at 12:17 - Reply

    Olá  a todos. Gostaria de saber em relação a concursos que pedem projeto de pesquisa. Como definir o projeto, e como saber se ele está de acordo com as espectstivas da intuição. Observação: no edila somente cita “apresentar projeto de pesuisa na subárea do concurso.
    Obeigada

    • Catia 22.09.15 at 13:21 - Reply

      Quando não há especificação de modelo de projeto no edital, siga o padrão das agências de fomento mais importantes (ex. Cnpq). Quando ao tema/objetivo, fique atento à área do concurso e ao seu currículo, tentando manter o equilíbrio entre os dois. Pense também em um projeto que permita continuidade (lembre-se que, se for aprovado, você atuará na instituição por vários anos, então pensar em uma “linha” de pesquisa ajuda a causar boa impressão na banca. Ou seja, não faça apenas uma continuação do seu doutorado ou pós -doc, sem que isso seja planejado.

      Conhecer o Departamento e a Universidade também ajuda a criar um projeto sólido: leia o Plano de Desenvolvimento Institucional da universidade, veja o currículo dos seus “futuros” colegas, visite os sites dos laboratórios do departamento (para saber a infraestrutura já existente), etc.

    • Mônica 14.11.15 at 18:32 - Reply

      Só complementando o que a Catia falou, também é bom ler o projeto pedagógico do curso (geralmente disponível no site das universidades)…lá consta quais são os objetivos do curso, de modo que vc pode escrever um projeto que tenha a ver com a formação do tipo de egresso que eles esperam (já que a realização do projeto geralmente inclui orientações de alunos). Se tiver pós-graduação, também vale a pena ler a ementa do programa e ver quais disciplinas são dadas. Isso pode ajudar tanto na elaboração do projeto como na aula e entrevista durante o concurso 😉

  13. Elaine 29.11.12 at 06:50 - Reply

    Como a lufatima, também estou às voltas com a necessidade de escrever um projeto de pesquisa para concurso docente. Estou perdida, sem saber o que difere um projeto assim de um projeto normal de pesquisa para pedido de bolsa ou para pós-graduação. Se alguém por aí, puder dar uma luz…

  14. Boas dicas, grata. As vezes ser reprovada em concursos públicos para professor universitário nos deixam com sentimento de incapacidade, mas com o tempo, vemos que realmente temos que avaliar todos esses aspectos…novas experiencias são bem vindas. Muito bom.

  15. Vick 04.02.13 at 16:20 - Reply

    Tive a impressão ao ler o texto de que o concurso não é para PROFESSOR, e sim para PESQUISADOR… Por isso temos tantos recém-graduados que não sabem de nada e se tornam profissionais medíocres. Sem um bom PROFESSOR é impossível obter bons ALUNOS e, consequentemente, bons profissionais.

  16. Fiz concurso no Rio Grande do Sul certa vez. Durante a prova escrita um candidato pediu para ir ao banheiro, foi acompanhado de um professor, que na verdade era seu orientador (este candidato já era funcionario da universidade). Voltou e concluiu a prova. Na leitura da prova, este candidato começou a ler e estava completamente fora do tema, escreveu barbaries, mas repentinamente, como se o banheiro fosse a luz inspiradora, mudou o foco e começou a escrever sobre o assunto questionado.
    Não fiz nenhuma colocação aos membros avaliadores, apenas caminhei para o lado de uma outra candidata e disse, não merecemos trabalhar com estas pessoas.

    • Cristiane Bregge 26.03.18 at 13:19 - Reply

      Puxa vida que tristeza…

  17. Se a prova de títulos é classificatória, e as provas escrita e didática
    são eliminatórias, a nota final do concurso pode ser igual à média
    aritmética das três? Em que consiste o caráter eliminatório e
    classificatório? Eu fiz um concurso, cujo edital informava que seriam habilitados os candidatos que alcançarem, no mínimo, a média 7,0
    (sete) e serão classificados na ordem decrescente das médias finais obtidas e que a média final de cada candidato seria dada pela média aritmética das médias das provas. Em que consiste o carater classificatorio? um candidato com media 7 nas provas escrita e didatica nao deveria ser classificado (ainda que numa colocacao inferior àquele que tem mais título)?

  18. capitu 03.05.13 at 13:05 - Reply

    Vou falar uma coisa:eu adquiri um medo de concurso,umpouco parecida com aqueles alunos que nos chegam cheios de nervosismo no dia da prova na escola.lembram?Só brabeira,gente.

  19. angeli rose 24.07.13 at 12:45 - Reply

    Além do medo de fazer concursos,adquirido com os processos viciados que se apresentam por:-pontos sem bibliografias de referência;parte administrativa que falha em comunicações,eliminando candidatos;bancas combinadas que favorecem candidatos-pupilos;ambiguidades e contraditórias teorias e críticas de assuntos como se isso fosse passaporte para a elite intelectual e pesquisadora;preços dos concursos;instituições que não dão certificados p/obstaculizar candidaturas indesejáveis;informações privilegiadas para candidatos-pupilos;concomitância de concursos,impedindo preparo e participações;pontos tendenciosos;etc…adquiri também um desencantamento porque descobri que o meu desemprego faz parte de um esquema mafioso, criminoso,para não obter experiência na parte exigida pela titulação, assim ficando fora do mercado competitivo.Houve uma reunião em 2009, no Rj , de reitores de faculdades privadas em que isto ficou decidido.há uma lista “negra” correndo há alguns anos pelo país,tanto para pós-doc,como para empregos e concursos.
    Se a associação não tiver alguma iniciativa sobre isto,continuaremos sendo bonecos e os nossos talentos jogados fora!(entrei naquela faixa de invisibilidade:50 anos;parda;hetero;publicações emperradas;amizades influentes distantes;precarização financeira e socio-cultural.s/partido político específico,s/grupo religiosos específico,por exemplo,”minorias” que dão visibilidades negociáveis.)
    É incrível, mas sec XXI estamos ainda decidindo as coisas por critérios altamente subjetivos,como Q.I.

  20. lilian 26.07.13 at 17:46 - Reply

    gostaria de umas orientações com relação a um concurso que farei, é da UFPI, mas é para lecionar numa Escola Técnica Federal, concorro a uma vaga de Inglês e o edital não fala sobre a língua da prova escrita, só fala da didática( Inglês ), tbm não fala do tamanho dela, quantas laudas ou linhas.
    Outra dúvida é com relação a prova escrita, é uma dissertação? ok, mas devo escrevê-la usando teorias? ou como se estivesse explicando para os alunos? devo colocar exemplos, mas devo colocar algumas questões de atividade? Como devo estruturar essa dissertação? se não fala no edital, devo escrever em Inglês? Como dar a aula prática? devo propor umas questões de exercício? para quem? para a banca? ou posso levar algumas pessoas para participar dessas atividades, como se fossem os alunos? nunca participei de concurso com prova dissertativa! estou cheia de dúvidas? e na aula como usar o data show? devo ficar caminhando p passar os slides? alguém me responda, por favor!!!!

  21. Marcelo 11.02.14 at 17:04 - Reply

    Corroboro de muitas inquietações dos colegas. A mais desafiadora delas está no fato de que, invariavelmente, são aprovados candidatos que já possuem algum vínculo com a IES, tipo prof.substituto! Infelizmente…

  22. Mauricio 11.02.14 at 17:07 - Reply

    Alejandro. Seria muito interessante vc deixar dicas para os pós-graduandos de como elaborar o memorial e o projeto vinculado à disciplina ofertada pelo Departamento, haja visto que várias Instituições Públicas solicitam esses para o concurso público. Muito interessante a matéria… Obrigado pelas dicas!

  23. Lauro 11.02.14 at 17:59 - Reply

    Texto muito bom. Obrigado pelas dicas.Com certeza, a opção de fazer um pós-doutorado logo após o doutorado pode ser interessante e mais viável.

  24. Carlos 12.02.14 at 09:37 - Reply

    Eu e minha esposa temos observado muito o caracter “bavária” (ou em outras palavras, “amigos”) em vários concursos que prestamos, em particular UFLA, UFF e UFSC. Além de todos os itens já comentados acima, tem um fator muito esdrúxulo na minha opinião: fortalecimento “ilegal” do currículo. O caso é o seguinte: em um concurso no departamento de engenharia de alimentos da UFLA (2010), um dos candidatos era esposo de uma professora deste departamento. Ela não participou da banca, vale dizer (do processo seletivo como um todo, já não sabemos). O fato que o cara tinha um currículo imenso cujas 90% das publicações eram em conjunto com a esposa. De fato, quando arguido pela banca (professor externo a UFLA), conseguiu comentar poucos dos trabalhos lá relacionados, e não teve sequer resposta para muitos outros. Agora, lhes pergunto: se o cara é mesmo (co) autor legítimo desses artigos, como não conseguiu argumentar sobre? E mais importante, por que a banca aprovou?

    Dessa maneira, essa não é uma irregularidade explícita, mas uma máfia das publicações que, é claro, ocorre em todo mundo (hoje trabalho em um grande laboratório de pesquisas nos EUA, com vários dos melhores pesquisadores em minha área, e vejo isso acontecer com frequência). Ou seja, aquele cara que parece cientificamente bom, na realidade, só tem muitos amigos. E obviamente, o departamento que ele como professor, já que produz números que a Capes gosta de ver. E a Capes somos nós, a própria máfia.

    Outro ponto: fiz parte de processos seletivos no passado quando professor de uma instituição federal. Foram 2 processos que ajudei a montar. Em ambos, os membros da banca nos (nos refere-se ao comite do concurso) chamaram em um canto e perguntaram “existe algum candidato da casa”? Em ambos os casos, respondemos que queríamos os melhores candidatos. E que fazer quando a banca é corrupta?

  25. Vanessa 30.09.14 at 11:14 - Reply

    Gostaria de saber como faço a dissertação, ela deve haver citações e referências?

  26. Vanessa 01.10.14 at 21:40 - Reply

    Olá,
    Irei fazer um concurso para professor e gostaria de saber se na dissertação deve haver citações de autores e se no final se coloca as referências.
    Obrigada

  27. Durval 03.01.15 at 09:47 - Reply

    Muito legal mesmo, sobretudo pelo estilo despojado e direto.
    Estou me preparando para meu primeiro concurso como professor de uma universidade público e gostaria de perguntar onde encontro exemplos de projeto de atividade pedagógica. Agradeço antecipadamente pela atenção.

  28. Mika 09.01.15 at 09:59 - Reply

    Parabéns pelo texto, adorei as dicas. Tenho umas dúvidas quanto a prova didática: na referência de autores no texto como proceder? Há uma quantidade mínima de páginas que devemos escrever que seria o ideal? Att,

  29. Denise Perdigão 01.08.15 at 20:26 - Reply

    Texto objetivo, sério e honesto. As orientações são muito boas: fundamentadas na experiência e no bom senso. Muito obrigada!

  30. Osvaldo Pereira De Souza 09.08.15 at 15:20 - Reply

    Olá, sou professor e já tentei por duas vezes participar de concursos para docentes de instituições públicas superiores. Quando o ponto é sorteado, geralmente tenho tido domínio sobre eles, escrevo e os resultados não têm sido satisfatórios. Gostaria de obter informações quanto a estrutura do texto, penso que estou errando nesse ponto.
    Att. Prof. Osvaldo

    • André Magalhães 11.05.16 at 09:41 - Reply

      Prof. Osvaldo, está acontecendo a mesma coisa comigo! Só pode ser falta de estruturação do texto na resposta da prova.

  31. Aline 22.09.15 at 12:52 - Reply

    Olá Osvaldo, muito legal você levantar esse ponto! Isso aconteceu comigo também. prestei um concurso onde achei que tinha me saído bem na prova escrita. Discorri muito sobre o tema sorteado, coloquei pontos positivos e negativos, tudo isso muito bem embasado na literatura, e minha surpresa foi ver o resultado da prova: nota 6. Todos os membros da banca comentaram de maneira praticamente igual na avaliação, até hoje não sei onde errei.

  32. Aline 22.09.15 at 12:54 - Reply

    Infelizmente o concurso público para ingresso no magistério superior não corrobora com a importância da carreira. Muitos são combinados, já tem um nome pré determinado e quem faz sem saber acaba gastando tempo, dinheiro e acumulando uma grande decepção. Difícil depois é acreditar que o próximo concurso será honesto. 🙁

  33. Lian Akame 15.01.16 at 16:37 - Reply

    Prezado prof. Alejandro C. Frery e todos que estão aqui,

    Que possui apenas Mestrado, mas tem 10 anos de experiencia como professor na área dele pode ser exigido dele que tenha doutorado em concursos que exigem este titulo?

    • Pós-Graduando 15.01.16 at 17:21 - Reply

      Pode sim, Lian.
      Tudo irá depender do edital.
      Em concursos públicos, o edital é a lei.

  34. Lian Akame. 15.01.16 at 21:11 - Reply

    Muito obrigado pela rapidez e a ajuda. Eu me naturalizei brasileiro faz uma década. Ha uma coisa estranha. Eu sou professor substituto de uma língua raríssima que eu estudei em meu pais como nativo e os professores que lecionam este idioma no Brasil todos eles (que sao efetivos e sao poucos no Brasil) nao possuem o meu nível e alem do mais alguns nunca demostraram que querem que fizermos projetos para a língua outros que sao fluentes não querem que me aproxime e ha muitos sinais e ate declarações de que pretendem me reprovar e pretendem ao lado deles os fraquinhos. Fazer o que para evitar isso? Isso me deixou indignado. Ate pelos trabalhos que divulgaram eu posso corrigir os muitos e terríveis erros com facilidade.

  35. Lian Akame. 15.01.16 at 21:14 - Reply

    Quer dizer que vão preparar um Edital que reprova aquele que não querem e aprova aquele que querem.

  36. Eliane 08.03.16 at 16:42 - Reply

    Olá a todos, estou com uma dúvida. Vou prestar um concurso da Universidade federal do Tocantins, e no edital colocam que uma das exigências é ter “mestrado em enfermagem ou Ciências da saúde” eu tenho mestrado e doutorado em Doenças Tropicais que de acordo com a capes é uma subárea da Ciências da saúde. Será que eles irão implicar ?

    • Taissa 18.03.16 at 12:33 - Reply

      Eliane, normalmente, nos editais vem escrito ou áreas afins, se neste não tiver, envie um email à coordenação do concurso, em geral, eles respondem prontamente.

    • Helder Anderson 12.02.18 at 10:56 - Reply

      Concordo com a Taissa, talvez seja interessante também você salvar a resposta da comissão ao seu e-mail para usar em um eventual recurso contra indeferimento de inscrição.

  37. Felipe 31.08.16 at 18:42 - Reply

    Seria muito interessante se alguém pudesse fornecer uma “estrutura do texto” para aprimorarmos nossa prova escrita!

  38. Isabela 17.11.16 at 12:57 - Reply

    Olá, vou tentar um concurso que exige apenas o título de mestre. A prova ainda não está marcada, mas deve ser entre janeiro e fevereiro. Eu estou finalizando o meu mestrado e devo defender apenas em março. Posso tentar o concurso mesmo assim? O que se pode fazer nesses casos?

  39. Flavia 15.02.17 at 12:58 - Reply

    Sempre tive uma dúvida: a tabela de pontuação de títulos varia bastante de um edital para outro. Alguns editais, por exemplo, não constam na tabela itens como participação em eventos, resumos publicados em anais etc…devo ou não colocar esses itens, mesmo assim, no CV?

  40. Ranis Fonseca de Oliveira 22.02.17 at 14:20 - Reply

    Boa tarde ! Estou organizando a documentação para realizar a inscrição no concurso em uma Universidade Pública para professor Adjunto, os comentários de vocês são bem esclarecedores. Antes mesmo de realizar o processo já estou em crise, não quero ir com a sensação de que será apenas como experiência.

  41. Deborah 28.08.17 at 21:21 - Reply

    Pessoal uma dúvida, posso tentar prova em uma determinada disciplina tendo feito uma linha de pesquisa em outra? Isso é critério de eliminação na avaliação de currículo? Obrigada!

  42. Helder Anderson 12.02.18 at 10:41 - Reply

    Excelente texto, traz inúmeras reflexões para jovens pesquisadores em início de carreira. Porém, tenho uma ressalva em relação à delatar abusos por membros de bancas de concurso. Porque assim com acontece nas Pós-Graduações, a centralização de poder no ambiente acadêmico é preocupante, e aliado a isso, por ser um meio restrito e muitas vezes endogâmico, as relações de poder e influência acabam se estreitando de forma que a perseguição acadêmica torna-se sistêmica e não apenas pontual como colocado no texto do Professor Frery. Quem está na vida acadêmica conhece pelo menos uma pessoa que passou por isso e muitas das vezes até abandonou a carreira acadêmica por perder para esse sistema.

  43. Marcos Leal Martins 24.02.18 at 20:12 - Reply

    Um dúvida referente aos concursos, quando há a especificação no edital de ser vaga para ADJUNTO, é possível quem tenha apenas o mestrado concorrer aquela vaga?

    • Pós-Graduando 28.02.18 at 09:30 - Reply

      Geralmente não.
      Nesses casos, nos pré-requisitos da vaga costuma ter também o título de doutor.

  44. Sabi 06.09.18 at 17:01 - Reply

    Boas dicas Prof. Alejandro. Pode dividir comigo o seu memorial que usou no concurso? Estou buscando um memorial pronto versao latex para montar o meu para um concurso que estou preste a participar. Desde ja agradeco!

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