Uma estratégia em alta atualmente é a utilização do lúdico em sala de aula. Vamos começar então pelos conceitos de lúdico.

O que é ou pode ser considerado lúdico?

As manifestações lúdicas são propostas que despertam para o questionamento, o conhecimento, a criação e a recriação cultural, visando o bem estar, a alegria ou a diversão crítica e criativamente com vivências que busquem diferentes maneiras de compreender o mundo, de questioná-lo, de conhecer e reconhecer a própria personalidade, perceber e relacionar-se com o outro, enfim, experiências que despertem para formas mais humanas e sensíveis de viver e conviver.

São exemplos de manifestações lúdicas, os jogos, brincadeiras, dinâmicas, peças de teatro e demais atividades que estabelecem ligações entre o real e o imaginário.

As atividades lúdicas reforçam o potencial associativo, pois estabelecem relações entre situações reais e imaginárias, proporcionando viver processos reais, por meio de adequações simbólicas; e estão ligadas a atividades prazerosas sem o caráter formal do ensino.

Uma das atividades lúdicas mais discutidas são os jogos, os quais abrangem um conjunto grande e diversificado de atividades e podem ser vistos como histórias contadas em ações.

Todo jogo/brincadeira tem potencial para ensinar algo. Podemos tomar como exemplo as crianças. O jogo ocupa um papel de destaque na vida das crianças, e se observamos as meninas brincam de casinha, de ser mãe, os meninos de dirigir, imitam a profissão do pai, e no faz de conta aprendem comportamentos que terão quando adultos.

Neste contexto o jogo mantêm suas características de ser uma ocupação voluntária exercida dentro de determinados limites de tempo e espaço, que seguem regras estabelecidas e consentidas por quem brinca, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de alegria. O brinquedo, as situações lúdicas promovem uma situação de transição entre a ação da criança com objetos concretos e suas ações com significados.

Como então o lúdico pode ajudar no ensino? Só deixar que joguem e já aprenderão o que o professor almeja que aprendam? O lúdico no ensino tenta quebrar a rigidez do ensino, tornando algo mais prazeroso, mas nesse ponto ocorrem algumas contradições tais como a associação de prazer e estudo; se não for bem gerenciada a utilização do lúdico perde o foco e consequentemente não trará bons resultados; uma grande preocupação com o conteúdo a ser abordado no jogo ocasiona um enfraquecimento do caráter lúdico das propostas; e a liberdade para jogar ou não; em uma sala de aula isso deixa de ser uma opção.

Os jogos didáticos são formulados com um propósito educativo claro, diferenciando-se daqueles de caráter apenas lúdico. Promovem a articulação de idéias, e se beneficiam da exploração do mundo de modo seguro e confortável, reproduzindo cenários, situações ou problemas concretos, de maneira simplificada e didática.

Dessa maneira, os estudantes podem ter uma vivência de problemas reais, em contextos e cenários imaginários, ponderando, exercitando a criatividade, testando idéias, resolvendo problemas, utilizando os próprios conhecimentos e articulando-os com as informações oferecidas pelo jogo.

O jogo é uma estratégia didática, a simulação, e para ser eficaz precisa ser utilizada em conjunto com outras estratégias, pois apenas o ato de jogar não é o suficiente para atingir os objetivos educacionais esperados pelo professor. Na imagem abaixo ilustra-se opções de utilizações do jogo em aulas.

O professor precisa ter claro o por quê utilizar o lúdico em aula.

Alguns pontos são fundamentais para o planejamento de uma aula lúdica: o objetivo do jogo corresponde ao objetivo da aula? Quais os conceitos que o jogo aborda e de que maneira o faz? Qual o melhor momento pra se utilizar esse recurso? Qual outra estratégia didática fará parte da aula?

Na literatura encontram-se bons resultados relatados quando a utilização de jogos didáticos e atividades lúdicas, e como qualquer outra estratégia didática os bons resultados dependem do planejamento do professor e da condução do mesmo na sala de aula.

Boas leituras para quem quer se aprofundar mais no assunto são os livros Homo Ludens e Jogo e educação.