Malabarismo. Sim, malabarismo. Uma arte que exige uma técnica corporal bastante dinâmica. Dinâmica que por sua vez é dotada de muita coordenação motora, os bateristas que tocam bumbo, ximbal, caixa, pratos e ainda cantam que o digam. É não é nada fácil manter o controle do ritmo das mãos enquanto os olhos acompanham o percurso de três bolinhas no ar.

Foi o que me passou pela cabeça quando eu vi alguns colegas de cursos, da mesma instituição pública de graduação e pós-graduação que eu frequento, malabarizar bolinhas, claves e devil sticks no semáforo de umas das ruas da cidade onde moro.

Esses meus colegas de cursos sabiam muito bem o que estavam fazendo. Afinal eles são artistas e dos bons. Não é de se desacreditar que sejam bons, além do talento e do árduo trabalho, todo graduando e pós-graduando sabe como é fazer um pouco de malabarismo.

Certo, certo, se malabarismo com três bolinhas está difícil ou é exagero, vamos começar com o equilibrismo.

Primeiro você passa no vestibular, isso, agora muda de cidade, procura lugar pra se estabilizar, as aulas, isso assim, vai equilibrando.

Agora vamos pros malabares de fato.

Primeiro uma bolinha, vamos lá, a bolsa, agora duas, os projetos, mais algumas, presta atenção nos trabalho, olha as leituras dos livros, intercambio, volta, olha o emprego, pesquisa, evento, congresso, olha o trabalho de conclusão, Opa! Não deixa cair à monografia. Ufa! Enfim formado.

Agora as claves, vamos lá! Comecemos devagar, primeiro concentra, vai, elabora o currículo, agora avalia, não desconcentra, corrige, adiciona experiência, acrescenta projeto de pesquisa, participação de eventos, de congresso, não esquece a publicação dos artigos. Ótimo.

Agora vamos jogar as claves para o alto que prática leva a perfeição. Uma clave de cada vez, a avaliação do currículo, prova escrita, exame oral, prévia do projeto de pesquisa, muito bom.

Agora vamos aumentar os objetos, mais pinos, entrevista de emprego, concurso, presta mais atenção no namorado, e a família? Não vai visitar? Opa!

Passou na entrevista de emprego, ingressou na pós. Boa! Agora mantem conciliando, pós, trabalho, família, os amigos, pressão do mercado de trabalho, de novo não deixa cair à namorada, não evade, a bolsa é baixa, mas tem que tentar manter a estabilidade, olha a dissertação, não desiquilibra, vai dissertar. Ufa! Foi, conseguiu!

A pericia em destreza está aumentando.

Uma pausa pra refrescar com água ou um bom drink que ninguém é de ferro.

Mas acabou a noite! Acorda e não reclama que ressaca e falta de tempo não é desculpa.

Agora Devil Sticks, bora lá, usa essa destreza, bota de novo a coordenação motora pra funcionar. Equilibra, outra vez, currículo, prova escrita, exame oral, entrevista, passou, boa, mantem, trabalho, viagem para as aulas, pesquisa, pesquisa, pesquisa, trabalho, família, amigos, esposa, opa vou jogar mais hands hein, filhos, outro concurso, casou, olha a atenção no conjugue, não deixa cair!

De novo pressão mercadológica, entrevista, passou, orienta, orienta, orienta, pesquisa, congresso, tira o passaporte que é fora do país e os pais estão preocupados, liga e concilia, isso, muito bom, pesquisa, não deixa cair a tese, vai lá, agora é a defesa. Ufa! Foi. Defendeu…

É não foi fácil, mas é gratificante.

Todos os dias malabaristas mostram sua arte, fora e dentro das universidades, nas calçadas ou dentro das salas deu aulas, nos semáforos das ruas ou nos da vida.

Às vezes as bolsas, de estudos ou dos motoristas dos carros, nem sempre dão conta de todas as necessidades, por isso não é vergonha pedir pela moeda, afinal malabarismo não é pedir esmola. O malabares é uma arte que precisa ser muito mais valorizada, estando na rua ou não.

O que sabemos é que não é uma arte fácil, pois se nos malabares, três Bolinhas são monografia de graduação, se pós é a dissertação de Claves, e a tese é sobre Devil Sticks. Não quero nem falar em pós-doc ou livre docência, que ai já é pirofagia.

Crônica escrita por Heberton Baptistêla