Muitos pós-graduandos sentem um alívio incomensurável quando concluem seus cursos. Outros, no entanto, sentem-se um tanto quanto perdidos. O objetivo desse texto é analisar algumas perspectivas relacionadas ao término da pós-graduação (stricto sensu). Mas e aí, existe vida após a graduação? Parafraseando Drummond, poderíamos perguntar aos pós-graduandos (representados aqui pelo pseudônimo de “José”): “E agora, José? A bolsa acabou, a luz acabou, o orientador sumiu, a tese esfriou, e agora José?

É claro que, em princípio, não devemos nos desesperar após concluir mais uma etapa de nossa formação, mas, sem dúvida, muitas vezes, a inserção no mercado de trabalho de forma qualificada, após nossa defesa, pode não vir no momento que almejamos, às vezes pode até não vir…

Cada área compreende a valorização profissional de uma dada maneira, mas já foi o tempo em que um título era garantia de estabilidade empregatícia. Aliás, prova disso é a recente lei 12.772 de dezembro de 2012 que garante que o ingresso no ensino superior federal será permitido a qualquer um que tiver o diploma de curso superior na área do edital. Na prática, saberemos os desdobramentos dessa lei em um futuro próximo, contudo, poderíamos questionar: o que fazer após concluir uma pós-graduação, em especial os que se dedicaram a ela de modo integral?

Essa lei vem a somar com as inúmeras demissões em massa de mestres e doutores, desvalorização financeira na pesquisa e no ensino aos profissionais mais qualificados, entre outros inúmeros entraves existentes. O pior de tudo é incorrer ao risco da pós-graduação criar um invólucro, uma “bolha”, qualificando demais os profissionais para determinadas áreas, mas não os aceitando para outras tantas. Cria-se um “não lugar” ao recente pós-graduando difícil de ser transposto inicialmente, sobretudo àquele que não possui experiência profissional.

Aliás, é justamente o pós-graduando que não possui experiência profissional que pode ter ainda mais dificuldades de inserção. Ficando afastado do mercado, sua qualificação pode não ser reconhecida como capacidade para o desenvolvimento de atividades profissionais. O “nó” fica ainda mais apertado quando este mesmo pós-graduando passa a qualificar-se ainda mais, buscando mestrado, doutorado e, às vezes, até pós-doutorado vivendo da ilusória expectativa apresentadas pelas bolsas que, feliz ou infelizmente, uma hora acabam. Parece contraditório, mas as perspectivas atuais no Brasil podem “enxotar” do mercado mestre e doutores em detrimento de “mãos de obra” mais baratas, ou então forçá-los a receber valores semelhantes aos que não apresentam as mesmas titulações.

Muitas vezes é angustiante dedicar-se alguns (vários) anos, investir na formação, participar de eventos, laboratórios, cursar disciplinas, entre outras atividades e no final das contas defender o estudo e tornar-se desempregado. No entanto isso pode acontecer com qualquer um.

Alguns preferem protelar o término de suas pós, objetivando manter as bolsas. Na verdade, todos nós almejamos um “lugar ao sol”. Não precisamos ser pessimistas, apenas realistas a ponto de entender que a atual configuração de nosso país pode nos afastar desse sol. E, como resultado, não adianta “tamparmos o sol com a peneira”…

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Texto escrito por Luiz Gustavo Bonatto Rufino – mestre em Desenvolvimento Humano e Tecnologias pela UNESP Rio Claro, graduado em Educação Física pela mesma instituição e membro do Laboratório de Estudos e Trabalhos Pedagógicos em Educação Física. É autor do livro: “A pedagogia das lutas: caminhos e possibilidades”.

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