Salas fechadas, aulas engessadas, professores oriundos apenas do ambiente acadêmico, grade curricular estritamente teórica. Já se foi o tempo em que as escolas de negócios formavam profissionais especialistas no mercado interno e exclusivamente dentro de salas de aula. No século global, dos mercados emergentes e das novas tecnologias de comunicação, já não há mais espaço para aqueles que olham apenas para o próprio umbigo. É preciso experimentar e vivenciar novas realidades.

Atentas a esse novo momento, instituições de ensino tradicionais e famosas por seus MBAs passaram por um movimento de modernização, com o objetivo de levar aos jovens profissionais cursos com currículos arrojados e em total sintonia com o que o mercado atual precisa.

ATÉ EM HARVARD

Embora seja uma das mais renomadas do mundo e pioneira no ensino voltado para os negócios, a Universidade Harvard, nos Estados Unidos, olhou por muito tempo somente para dentro da sua economia e para o comportamento dos executivos americanos, enquanto que escolas de outras nacionalidades, especialmente de países emergentes, antecipavam tendências do “século global”. Foi diante da internacionalização do mercado que Harvard propôs, em 2011, mudanças radicais no seu currículo de ensino, incorporando métodos práticos e imersões em vários países, entre eles o Brasil.

Em resumo, as escolas americanas tinham orientação muito teórica e voltada apenas para o mercado interno, deixando de lado mudanças fundamentais na economia global. A reformulação recente de Harvard aponta a necessidade em se adequar às tendências do mundo, enquanto as instituições brasileiras começaram a praticar o MBA Internacional em 1995, levando os alunos para visitarem as grandes economias mundiais, como os Estados Unidos, Índia, China e Europa.

BRASIL NA FRENTE

Esse caminho pioneiro das escolas nacionais pode ser ilustrado pela velha máxima “a necessidade faz o homem“. Ou seja, por conta de uma necessidade natural de competição, os cursos brasileiros saíram na frente dos países tradicionais em MBA no processo de reformulação, incentivando alunos a se tornarem futuros homens de negócios em âmbito internacional.

As mudanças nos MBA extrapolam as disciplinas e se estendem ao espaço físico das salas de aula, aos materiais e ao comportamento dos professores, que deixam de ser o centro das atenções e passam a introduzir protagonistas corporativos globais, como CEOs de grandes empresas do calibre de Microsoft, LinkedIn, IBM, Unilever, entre outras.

As mudanças devem continuar nos próximos anos. Depois que a globalização colocou “as mangas de fora” e até a ex-tradicional Harvard se rendeu às mudanças de paradigmas que o mundo dos negócios exige, chegou a vez das instituições brasileiras assumirem que estão no mesmo patamar de países desenvolvidos.

Existem hoje no mercado duas grandes tendências que devem ser levadas em conta pelos interessados em cursarem um MBA: o ensino a distância e a sustentabilidade.

CURSOS A DISTÂNCIA

O número de cursos a distância tende a aumentar gradativamente até 2015, quando poderá ser totalmente dessa forma. Já a sustentabilidade é um tema muito importante e faz parte de todas as grades das universidades de fora e em algumas nacionais. No Brasil, esse tema é marcante, pois estamos caminhando para uma economia verde.

De olho na experiência internacional e na adaptação às necessidades do mercado, existem cursos de mestrado voltados aos jovens profissionais, com até três anos de formação, que podem ser uma alternativa sensata para adquirir experiência e vivência antes de ingressar em um MBA mais parrudo.

Uma dessas opções é o MPGI (Mestrado Profissional em Gestão Internacional), que faz parte do CEMS (The Global Alliance in Management Education), comunidade composta por universidades de 28 países e mais de 50 empresas e onde os alunos matriculados têm obrigatoriedade de estudar em outro país que não o seu de origem. O curso concede ao aluno dupla titulação, com o diploma de mestre concedido pela FGV-EAESP e pela instituição conveniada no exterior.

NOVA DEMANDA

A todo o momento nasce uma nova profissão em diferentes partes do mundo e, para capacitar tanto os novos executivos quanto os profissionais mais maduros, os cursos de MBA se adaptaram também para as necessidades de cada carreira.

Mas, afinal, o que define um bom currículo de MBA? No geral, a abrangência do curso é fundamental. O MBA tem que estimular o profissional a ser capaz de trabalhar em gestão, individual e em sociedade. Uma visão multidisciplinar em estratégia, marketing e gestão dá ao aluno uma visão de ponta a ponta do negócio. Dessa forma, as empresas terão mais profissionais holísticos.

Por fim, é preciso que o interessado escolha um curso que proporcione uma visão global do mercado de trabalho e da economia, com estudos internacionais e viagens para os principais países. Um curso de MBA internacional, por exemplo, dura quatro anos e leva de 25 a 30 alunos para experiência no exterior todos os anos, principalmente para a Europa.