Após cursar a faculdade de Direito tomei consciência que os caminhos do conhecimento não se limitavam às matérias definidas: Direito Penal, Direito Civil, Direito do Trabalho, etc.

Dentre elas sempre havia um liame direto entre o direito material e o direito processual, um não vive sem outro.
No entanto, o “Mundo do Direito” exige mais. Conhecimentos que extrapolam os compêndios legais. Conceitos interdisciplinares que dão subsídios à aplicação e interpretação das leis.

Na graduação temos contatos com outras áreas das ciências humanas: Sociologia, Filosofia, Economia, Estudos de Problemas Brasileiros, entre outras. E, também, com as ciências biológicas no Estudo da Medicina Legal.
É mais que necessário, ao menos, noções básicas dessas ciências para que um profissional do Direito possa exercer seu mister com qualidade.

De outro lado, o profissional que quer se destacar, aprofundar-se em novas ciências é fundamental, tanto isso é verdade, que hoje para o ingresso na carreira da Magistratura, o Conselho Nacional de Justiça determinou a inclusão da Filosofia como matéria a ser exigida.

No meu primeiro artigo, procurei chamar a atenção para o Mestrado em Políticas Públicas, onde a interdisciplinaridade dá o tom.

A fragmentação do conhecimento se deu em função de um aprofundamento, para melhor didática, mas a interdisciplinaridade faz o trabalho de integração entre diferentes áreas, para que o todo da ciência humana tenha mais sentido, não só para o aluno, mas para a sociedade em geral.

O conceito de fenômeno social total significa que, ao pretendermos estudar um determinado fenômeno social, devemos considerá‑lo na sua multiplicidade de aspectos e procurar várias perspectivas de análise que possam contribuir para uma melhor compreensão do fenômeno. Este não se restringe à sua instância social, poderá ter implicações de vária ordem, aos níveis econômico, político, ideológico, demográfico, etc.

As várias facetas dos fenômenos sociais referem um intercâmbio entre as várias disciplinas que mantêm entre si múltiplas relações de interdependência. O conhecimento dos fenômenos sociais só se constrói mediante a complementaridade de perspectivas, pois só deste modo o objeto de estudo em questão poderá ser compreendido e explicado na sua globalidade e complexidade intrínsecas.

Uma política de coordenação deveria manter os diversos especialistas à escuta uns dos outros, para que o seu trabalho particular convergisse para a explicação do todo social.

Em suma, nos dias atuais, com o advento da globalização não é possível se falar em uma especialização acadêmica estanque. O pós-graduando, obrigatoriamente, tem que ter uma visão ampla para que seja possível o diálogo entre as diferentes fontes de conhecimento para o aprofundamento de suas pesquisas.