Não há um pós-graduando, ouso afirmar isso com segurança, que vá dizer que a seleção para o Mestrado tenha sido a fase mais tranquila de sua vida. Tampouco irá afirmar que, assim que passou por todo este longo e extenuante processo, se recuperou rapidamente a ponto de não “comer mosca” e se esquecer que o primeiro semestre na pós-graduação é tão importante quanto qualquer outro que venha a seguir. Afinal, pós-graduação é um patamar totalmente diferente e merece mais seriedade ainda do aluno.

É um patamar distinto e que merece mais e mais falas a respeito do que a que trago hoje. Meu interesse aqui é no “calouro” pós-graduando e nas disciplinas que são ofertadas já no primeiro semestre.

Em linhas gerais, o que encontramos nessa primeira etapa são cursos que dão um aspecto mais panorâmico a respeito da área pela qual você ingressou. Claro que diferenças existem, mas, para o campo das Ciências Humanas, por exemplo, geralmente é essa lógica a que prevalece. E, por serem disciplinas mais amplas, dificilmente dialogam de modo mais direto com nossas pesquisas. A situação piora um pouco mais diante da profusão de temas, da especialização cada vez maior das pesquisas (e isso merece uma outra fala minha, posteriormente). Sem falar nos míseros dois anos que temos para concluir o Mestrado e que nos obriga a acelerar o início dos trabalhos de fato.

O que fazer com mais essa paranoia?
A solução não é simples, mas pretende ser uma forma eficiente de evitar que o primeiro semestre no Mestrado seja apenas um período de ambientação do aluno. Perder quatro ou seis meses com isso é um absurdo.

A primeira dica parece óbvia, mas merece ser citada. Por mais que os prazos sejam curtíssimos, desesperadores e nos façam perder o sono, essas disciplinais mais “gerais” são um prato cheio para nos lembrar que nossa pesquisa não é tão isolada assim. Um diálogo mais amplo, com um contexto capaz de embasar nosso tema, é essencial para que não caiamos no erro de tornar nosso objeto de estudo a especificidade da especificidade da especifi…entendeu?

A segunda e não menos importante diz respeito às “disciplinas eletivas”, ou “optativas”, quer dizer, disciplinas que servem de complemento para o seu curriculum e que, se bem escolhidas, pode fazer uma diferença considerável no fim da pós. Sendo assim, aproveite ao máximo, máximo mesmo, o que seu programa de pós-graduação tem a oferecer nesse quesito. Até porque é uma ótima forma de estreitar laços com algum professor que possivelmente ministre um curso que seja de interesse direto do seu tema de trabalho. E, caso seja possível, fique atento aos programas de pós de outras universidades e às disciplinas por eles ofertadas. Ampliar a sua rede de relações é uma excelente forma de construir uma ponte com o doutorado e, claro, enriquecer sua dissertação.

Viram como é fácil e difícil otimizar sua vida de pós-graduando? Dois anos não são nada, e não é a primeira vez que falo isso aqui nesta coluna. E não será a última vez até como forma de avisar para mim mesmo que meus prazos estão no fim, bem no fim. Espero que seja uma forma de avisá-lo, caro leitor, que seus prazos também são curtos, mas que, com um pouco de suor, sangue e lágrimas, podemos otimizá-los como forma de sofisticar nossa pesquisa.