As avaliações ocupam um lugar central no processo escolar, tendo vários papéis e gerando vários subprodutos. Começando pelos papéis, para que serve uma avaliação? Uma avaliação informa resultados e é utilizada para classificar alunos; informar ao professor o resultado do seu trabalho e à instituição o resultado do trabalho de professor e aluno.

Em decorrência de uma avaliação, e de sua importância, surgem vários subprodutos, entre os quais podemos destacar: a tensão emocional, a mudança de comportamentos dos alunos, o estímulo à competição e a alteração do julgamento.

 AVALIAÇÃO COMO FONTE DE TENSÃO

A tensão emocional é gerada pela importância atribuída à avaliação, que pode se tornar um processo traumático. Neste caso, a nota pode deixar de significar aprendizado e assumir um sentido distorcido no qual não passar no exame ou tirar notas baixas remete ao fracasso, a uma ‘inferioridade’ oposta aos alunos de nota alta, exaltados como exemplos.

Diante desta tensão, o comportamento dos alunos se altera, resultando na busca pela aprovação o professor ou na exibição de desinteresse como forma de repúdio ao processo. Em consequência do papel classificatório, surge uma postura competitiva e individualista na escola, onde deveria haver cooperação e trabalho coletivo.

E por fim, o professor corre o risco de realizar uma análise com base em estereótipos e de impor aos alunos o “efeito de halo”, em que o julgamento influenciado por avaliações anteriores ou por características e habilidades dos alunos resulta em maior benevolência com o aluno considerado “bom”, e maior rigidez com os alunos “ruins”.

Para evitar tal efeito, é importante ter cautela e coerência na formulação e na análise dos resultados. A preparação do instrumento avaliativo tem de ser coerente com os objetivos propostos pelo professor em seu planejamento curricular. Em geral as avaliações assumem um caráter classificatório – para quantificação e classificação/seleção dos alunos.

É errado utilizar provas classificatórias? Não! Mas o ideal é não se limitar a apenas esta opção. Em vários momentos, seja pela instituição, pelo tempo que se dispõe ou pela “certeza” que carregamos conosco da nossa formação pautada exclusivamente em avaliações classificatórias, esta provavelmente será a ferramenta utilizada com maior frequência. Assim, o ideal é planejar para que esta avaliação não se limite aos conceitos. Não existe uma receita de “avaliação eficiente”, mas existem algumas questões a serem pensadas na elaboração de uma avaliação, que tem relação direta com o sucesso ou não da mesma.

AVALIAÇÃO QUALITATIVA

As avaliações qualitativas, por exemplo, levam em consideração o domínio dos conceitos pelos alunos, e em geral requerem que os mesmos construam uma explicação sobre um fenômeno baseado em dados e informações. Neste tipo de avaliação, ao invés de solicitar a reprodução ou a definição de conceitos, o professor precisa elaborar situações onde os conceitos possam ser aplicados. Se o aluno apreendeu os conceitos, ele consegue analisar os problemas e relacionar os conceitos aos dados, gerando uma explicação.

O primeiro passo na elaboração de uma avaliação é a criação de uma tabela de especificações, com a relação dos elementos e competências que devem ser avaliadas. O próximo passo é a escolha do tipo de questão que irá compor a avaliação: questões de resposta estruturada ou objetivas? Questões associativas? Questões dissertativas? Duas destas opções? A combinação entre os três tipos?

QUESTÕES OBJETIVAS

Questões de resposta estruturada ou objetivas são aquelas respondidas com poucas palavras ou até mesmo por indicação de letras ou números. São questões ou itens de múltipla escolha, compostos por uma pergunta ou uma frase incompleta, denominadas raiz, seguida de certo número de respostas, as alternativas. Nesse tipo de questão, a correção é mais fácil e objetiva, permite incluir vários assuntos numa só prova e os alunos levam menos tempo para respondê-la.

QUESTÕES ASSOCIATIVAS

As questões associativas são aquelas em que os alunos associam dois termos dentro de um critério, por exemplo: estruturas às suas funções, descobertas às suas datas, etc. Para construir os itens de associação é interessante tomar alguns cuidados, como: colocar nas duas colunas termos homogêneos ou semelhantes; organizar as colunas dentro de uma ordem lógica, o critério de associação deve ser apresentado com clareza; colunas com número diferente de itens para que a questão não seja respondida por exclusão e estabelecer um número mínimo e máximo nos conjuntos. Nesse tipo de questão é possível verificar se os estudantes absorveram grande quantidade de informações, porém serve basicamente para medir a memorização dessas informações.

QUESTÕES DISSERTATIVAS

As questões dissertativas ou de livre resposta, exigem dos alunos respostas estruturadas e interpretação, e auxiliam na avaliação da capacidade do aluno em analisar problemas, sintetizar ideias e conhecimentos, compreender conceitos, dentre outros. Em geral esse tipo de questão é muito mal empregado e existe grande dificuldade em construir uma avaliação válida, que abranja devidamente todo o conteúdo. A melhor maneira de utilizar este tipo de questão é propor um problema autêntico, com dados e informações, para que o aluno construa uma explicação. Este cuidado faz com que os alunos procurem utilizar conceitos e conhecimentos esperados, limitando assim a abrangência da resposta.

Fuja de questões como “o quê você acha”, “em sua opinião” e outras questões amplas demais como “discorra sobre tal assunto”. O aluno precisa articular o que ele sabe, mas precisa também entender o que você quer dele. O direcionamento nesse tipo de questão é fundamental.

NÃO SE ESQUEÇA DO FEEDBACK

Outro ponto sobre a avaliação é o “feedback”, que raramente acontece. Os alunos precisam ter um retorno de onde não foram claros, ou onde estão equivocados. E não basta só passar as “respostas corretas”, é necessário discutir com os alunos aquelas respostas. Entender como o aluno estava pensando ajuda também a avaliar se ele não se expressou bem, não entendeu, ou se de fato é necessário retornar aquele assunto utilizando outra abordagem. A discussão dos resultados das avaliações contribui para que o conhecimento seja debatido e repensado, além de possibilitar ao professor perceber se são necessários alguns reajustes em suas estratégias de ensino.

A avaliação não pode ser encarada como produto final, e sim como parte do processo de aprendizagem e, sempre que possível, permitir que os alunos opinem a respeito deste processo. A participação do aluno reduz o papel classificatório da avaliação e permite que ele descubra outra perspectiva sobre ser avaliado.

Para quem quiser ler mais, esse artigo traz um apanhado bibliográfico sobre o tema.