Você sabe que tem uma tese/dissertação para entregar, que tem prazos a serem cumpridos, mas quando senta na frente de seu computador passa horas olhando o word aberto,  e não consegue escrever uma linha. Ou então você chega para “trabalhar” (é assim que me refiro às atividades da pós-graduação), liga o computador, acessa e-mail, facebook, site de notícias jornalísticas, de futebol, fofocas, etc, etc, etc, de repente está lendo uma matéria de uma carroça que caiu de uma ponte no Japão, nisso já faz duas horas que você está na faculdade e deveria estar fazendo alguma coisa do seu trabalho, mas não, está navegando em uma viagem longínqua que parece não ter volta, e o word segue aberto.

Ai você sai, da uma volta, conversa com um, conversa com outro, vai até a cantina, toma um café, conversa mais um pouco, volta, lê mais algumas notícias, o ícone do word está ali na barra de tarefas, porque ele continua aberto, mas você nem tocou nele.

Tudo isso pode ser fruto de uma picada do bichinho da procrastinação (não lembro quem inventou o bichinho, mas o termo é ótimo) ao qual estamos todos susceptíveis, mas também pode ser algo mais sério, muito mais sério. UMA CRISE DE EXISTÊNCIA NA PÓS-GRADUAÇÃO!   

Eu não sei as causas, nem vou me atrever a fazer suposições sobre elas, mas o fato é que muitos colegas pós-graduandos tem passado por maus bocados, e o pior, sem ter a quem recorrer.

Uma colega entrou em depressão profunda, tamanha foram às cobranças sobre ela por bons resultados, passou dois meses do prazo para a defesa, e após a defesa desapareceu, arrumou um trabalho e disse que nunca mais volta para o meio acadêmico.

Outro colega, que fez doutorado sanduiche, e há menos de um ano da defesa entrou em crise, disse que largaria tudo, que não dava conta de escrever nada, não conseguia plotar gráficos e muito menos analisá-los. Após muitas conversas e algum tempo de férias, ele voltou e irá terminar.

E o caso mais tenso que vi, foi de um amigo que fez todo o doutorado, foi o aluno que mais publicou no departamento dele durante os quatro anos, mas por conta de uma orientação desastrosa, dessas que o orientador pensa ter uma máquina e não ser humano como orientado, o meu amigo DESISTIU DA DEFESA e não terá o título de doutor.

Como disse acima não é o intuito desse texto encontrar as causas dessas crises, nem tentar entendê-las, também não sei quão recorrente são em outros lugares, mas acredito que sejam bastante, espero que as pessoas deem seus depoimentos sobre o tema, e talvez, quem sabe alguma boa alma da psicologia se inspire após ler esse texto e nos diga de forma técnica o que acontece com os pós-graduandos.

E o word continua aberto…