Comunicação científica é um dos assuntos do momento. Esse conceito abrange desde artigos científicos publicados em revistas renomadas, até apresentações de aula feitas no PowerPoint.

Não é difícil entender o motivo de tanta discussão acerca desse tema.

Se você ainda não percebeu, cientistas são muito ruins em comunicação.

E eu não disse ruins. Eu disse MUITO ruins.

Atire a primeira pedra aquele que nunca viu uma apresentação assim:

Ou um pôster científico com uma imagem de fundo que impossibilita a leitura do que parece ser metade um artigo em fonte Arial 10.

Tudo bem, nós somos bons em pesquisa, em questionar os métodos, em buscar respostas. Mas já chegou a hora de admitir: não somos bons em comunicação.

A nova onda do momento é comunicação visual. Como uma boa cientista, eu também não fazia a menor ideia de como começar a transformar a minha pesquisa em algo visual. No último ano, comecei a trabalhar com comunicação científica numa empresa chamada Mind the Graph e aprendi algumas coisinhas:

1. Saiba que história você quer contar

Quando nós escrevemos um artigo científico, pensamos na estrutura tradicional de um artigo. Em um infográfico, também é necessário pensar na estrutura. Porém, é preciso ter claro o começo, meio e fim de forma sucinta. Comece fazendo um flow das informações que você quer incluir no infográfico.

2. Faça um esboço

Não dá para fazer um infográfico no mesmo estilo que fazemos apresentações em ppt – jogando tudo no slide e arrumando depois. Tire um tempo inicial para fazer um rascunho do infográfico. Tente visualizar onde cada informação deve ir para gerar um flow lógico; pense no formato do infográfico e na direção do conteúdo.

3. Decida o que é mais importante

Dentro daquilo que você elencou como as informações necessárias para o seu infográfico, escolha o que realmente é essencial para destacar. Use Títulos, subtítulos, boxes, etc, de forma inteligente e com intenção. Se uma pessoa ler somente os títulos, ela saberá sobre o que é o seu infográfico? E se ela ler só os subtítulos ou boxes?

4. Use cores que conversem entre si

Nunca mais uma combinação de verde limão com amarelo; ou fundo preto com letra azul. Use as cores de forma que elas ajudem a entender a importância de cada parte do texto. Se você não se sentir seguro em criar uma combinação, procure na internet paletas de cores para infográficos ou apresentações.

5. Imagens não são meramente decorativas

Não tente colocar mil figuras só para deixar bonito. Nos infográficos, as imagens falam. Use imagens com complementem o texto ou transformem a informação em um ilustração visual. Por exemplo, ao invés de descrever como é um processo ou a parte de um objeto, coloque imagens que façam isso sem usar texto.

6. Mantenha o bom senso

O que não é algo tão fácil assim de se fazer quando não se sabe nem por onde começar. Por isso, peça ajuda de colegas e amigos. Se até a sua avozinha ou aquele amigo que não é cientista conseguiu ter ideia do que se trata o seu infográfico, significa que ele está claro e funcional.

Não é fácil, mas precisamos começar em algum momento a pensar de forma visual. Muitas revistas científicas já estão em processo de adaptação de seus conteúdos para resumos gráficos – que é um infográfico em forma de abstract.

Na velocidade que a ciência avança, não dá para continuar se comunicando como há 10 anos atrás.

. . .

Texto escrito por Juliana Resende Costa
Mestre em Biodiversidade Animal (UFSM) e Content Manager / Mind the Graph