“Eu não gosto de estudar. Eu gosto de aprender. Aprender é lindo.”

Esta frase não é minha. Esta frase é da atriz Natalie Portman, aquela que beijou a Mila Kunis em “Cisne Negro” e ganhou um Oscar.

Mas por que uma frase de uma atriz sobre aprender seria tão importante?

Porque Natalie não é apenas atriz: ela é graduada em Psicologia pela universidade de Harvard.

E ela tem razão: aprender é lindo. E pode ser ainda mais lindo quando você aprende por conta própria.

Embora os cursos à distância sejam coisa do século passado (lembra o Instituto Universal Brasileiro e seus cursos de corte e costura? Então!), foi com o desenvolvimento de novas tecnologias que eles se popularizaram. E há uma certeza na educação para o futuro: todos em algum momento usarão o computador para aprender.

Não importa se você fará um curso completo ou apenas complementará seus estudos presenciais com ferramentas online: esta será a realidade da maioria dos estudantes daqui para frente.

Muitas pessoas já inseridas no mercado de trabalho optam por cursos à distância pela praticidade. Uma pós à distância, por exemplo, pode ser o que faltava para abrilhantar o currículo de muitos.

Com horários variáveis e sem o mesmo pique para ir para a escola todas as manhãs, essas pessoas não precisam se deslocar e ficar no trânsito durante horas para ir para a aula. Elas podem aprender tudo, de pijama, no conforto de suas casas ou no intervalo do trabalho (aqui sem pijama, obviamente).

Mas a grande vantagem dos cursos à distância, poder estudar quando você quiser, pode se tornar uma maldição. A maior armadilha é deixar tudo para a última hora e enlouquecer. Por isso, um mínimo de planejamento é necessário.

Não falo em criar um plano de estudos tão rígido que nem Sheldon Cooper conseguiria cumprir, mas ao menos reservar meia hora por dia para dar uma olhada no conteúdo, nas leituras ou nas aulas. Esse período pode ser mais longo de acordo com as atividades solicitadas, mas, se houver sempre este compromisso, o aluno não deixará o trabalho acumular.

Assim como nos outros cursos, se destaca quem vai além.

Não adianta nada obter um diploma se você não se aprofundou em pelo menos um assunto durante o curso e realmente aprendeu algo novo para usar na sua vida.

Os materiais de cursos à distância sempre apresentam uma vasta bibliografia, de modo que é fácil procurar mais sobre um determinado tema. Os fóruns e tutorias com os professores também servem para trocar ideias e sugestões sobre materiais que o curso não cobre.

E quem disse que não é possível expandir sua rede de contatos enquanto faz um curso à distância? Sem dúvida haverá um ou mais encontros presenciais, portanto aproveite estes momentos para conhecer o máximo de colegas possível, e levar o contato da sala de aula para redes como o LinkedIn.

Em outras situações, como cursos livres online, você pode não conhecer seus colegas pessoalmente, mas haverá fóruns e grupos de estudo para que estudantes de diversos lugares do país (e até do mundo) se comuniquem. Uma troca de e-mails no fórum bem pode virar uma futura indicação de emprego, viu?

Já houve algum preconceito em relação ao EaD (educação à distância), mas, como a maioria dos cursos é reconhecido pelo MEC, a modalidade do curso não atrapalhará na hora de procurar um emprego.

A aceitação do EaD melhorou muito com a entrada de universidades de prestígio do mundo todo no universo dos MOOCs (Massive Open Online Courses), cursos de curta duração sobre um tema específico que são ofertados de graça em plataformas online. Muitos desses cursos inclusive oferecem diplomas que agora começam a ser aceitos para contar créditos em universidades diversas.

Como acontece em geral nas pós-graduações, uma a distância também exige a apresentação de uma tese no polo presencial. O aluno pode se sentir mais solitário neste momento, por não ter um professor orientador ao seu lado, fisicamente.

A dica é escolher seu orientador baseando-se não apenas na área que sua tese está inserida, mas também na frequência em que ele se comunica com os alunos nos fóruns.

É uma triste verdade que alguns professores e tutores não dão muita atenção aos alunos do EaD, por isso ter como orientador alguém que certamente vai lhe dar atenção já é uma grande vantagem.

Não podemos deixar de dizer que a desistência nos curso à distância costuma ser muito alta: o portal Udacity, com aulas nas áreas tecnológicas, afirma que apenas 14% dos inscritos terminam o curso.

É verdade que muitos cursos, a maioria de graduação, também veem dezenas de seus alunos partirem quando eles percebem que fizeram a escolha de carreira errada. Desistir por não se identificar com o curso não é errado, mas largar tudo por não se sentir capaz de dar conta, sim. Por isso, o aluno que deseja fazer um curso a distância precisa saber que, mesmo com as matérias mais complicadas, a motivação constante é essencial.

Parafraseando a Natalie Portman lá do começo, aprender por conta própria é lindo porque nos dá autonomia.

Compreender um tópico que estava obscuro, seja por conta própria, com ajuda dos amigos (reais ou virtuais) ou do tutor, cria a mesma sensação que uma criança tem quando consegue fazer algo sozinha pela primeira vez. Quem domina as técnicas para se dar bem na educação à distância quer fazer um curso atrás do outro.

E quem faz uma pós à distância sempre termina com muito mais que um diploma: com conhecimentos, experiências e amizades enriquecedores.

Texto escrito por Letícia Magalhães, entusiasta dos cursos à distância (deu para perceber?). Além de terminar a graduação online, participou de mais de 10 MOOCs e hoje se divide entre uma pós-graduação presencial e uma, claro, à distância, ambas na área de Comunicação. Escreve para o blog Crítica Retrô e para outros quatro sites sobre cinema.