Considerando que o presente tutorial deve ensinar e prover esclarecimentos sobre como realizar qualquer atividade relacionada a pós-graduação e que deve ser original e inédito, o autor ponderou (enquanto fazia uma xícara de café) e resolveu tirar a cabeça um pouco da sua dissertação, para não enlouquecer devido questionamentos desesperadores sobre a vida que você escolheu: “Por que não fazer sobre a atividade mais relevante da pós, que está presente em todos os cursos do Brasil e mundo afora, e que muitas vezes é realizada de forma displicente, pelos companheiros de jornada (das estrelas, não ‘pera’, essa é outra…) da pós-graduação?

Porém, contudo, todavia, entretanto, vamos ao que interessa, porque “me cansei de lero-lero” (Lee , 1981), mas não vou sair do sério.

Primeiro, antes de tudo, é preciso esclarecer que esse tutorial é destinado para os mortais (zombies) estudantes de pós graduação que sobrevivem com a bolsa de fomento (Cnpq/CAPES) e com os almoços do RU até que a greve prove o contrário e você passe a viver de miojo, ou seja, o mesmo foi pensado e considerando a utilização de itens que se encontram em mercados, mercearias, padarias, vendinhas entre outros, e que sejam de fácil acesso e baratos, porque, afinal “né”, a ciência não é lá valorizada nesse país, mas, não se preocupe, teremos a Copa do Mundo.

1. INTRODUÇÃO

Os itens aqui considerados e necessários serão:

Suporte para filtro individual (geralmente de plástico, os mais recomendados são de cerâmica)

Filtro de papel compatível com o suporte (normalmente usa-se o nº 2). É sabido que o filtro de papel absorve os óleos essenciais do café, fazendo que ele perca o sabor e aroma ao ser filtrado. Porém, como ele é mais barato e mais prático e dado o público que esse tutorial é voltado, zombies, digo, estudantes pós graduandos esse foi o tipo de filtro selecionado.

1.1 A água

Recomenda-se usar sempre água filtrada ou mineral para garantir a pureza e o aroma do café. Porém, pode-se utilizar água da torneira fervida e resfriada previamente (mas, fique tranquilo, pode fazer direto com a água da torneira mesmo, sem ferver antes).

Uma observação extremamente importante é em relação a temperatura da água, que deve estar aproximadamente entre 90° a 92°, que é quando a mesma começa a borbulhar, ou seja, a água não deve ebulir. Contudo não se preocupe se entre um parágrafo ou outro do seu texto você esquecer de desligar o fogo e deixar a água passar do ponto, caso isso aconteça deixa-a resfriando por, aproximadamente, 1 minuto em temperatura ambiente.

“O oxigênio da água ajuda a extrair as propriedades do café, em especial daqueles que são gourmet e, quando a água ferve, ela perde esse oxigênio e ainda fica muito quente, podendo queimar o pó”, explicou Concetta Marcelina, professora especializada em café, do curso de Barista do Senac-SP, da capital paulista.

Não adicione açúcar a água enquanto ela é fervida. Isso além de alterar seu ponto de ebulição faz com que ao final o café tenha suas propriedades modificadas e não sejam mais bem percebidas.

1.2 O pó de café

Como estamos priorizando a acessibilidade (preço barato) e praticidade não serão considerados casos em que se recomenda comprar os grãos de café e moê-los em casa e muito menos casos que se utilizam as fezes de animais para se obter o pó do café. Porém alguns cuidados simples podem ser tomados para a melhor apreciação dessa bebida tão adorada entre nós.

Sempre cheque a data de fabricação do café. Quanto mais novo, mais saboroso, pois o café se deteriora muito rápido, influenciando na sua qualidade. A equipe da empresa Melitta também recomendou que se utilize sempre café fresco, para ter melhor sabor e aroma na bebida, sem misturar açúcar ao pó ou a água durante o preparo. Café torrado e moído há menos tempo é sempre melhor.

MARCA
Escolha uma marca que possui certificado de pureza e qualidade, o selo de pureza ABIC, facilmente verificado nas embalagens (Damasco, Mellita, Três Corações, entre outras).

EMBALAGEM
As embalagens embaladas à vácuo (quadradas e compactas) são as capazes de conservar melhor as propriedades e, principalmente, o aroma e o sabor do café.

TIPO DE PÓ
Existem vários tipos de pó de café (tradicional, forte, suave, etc.) e isso fica a critério de cada um, porém, ao comprar repare sempre na moagem dos grãos que deve ser fina, segundo a barista de São Paulo (SP), Márcia Matta, consultora da marca Pilão.

ARMAZENAMENTO DO PÓ
Armazenamento do pó: O pó de café estraga com facilidade, em função de umidade, do contato com o ar, do calor, de outros odores e do próprio tempo. Por isso, após abrir o pacote do seu pó de café, guarde-o em um recipiente hermeticamente fechado, escuro, que não passe luz ou odores, dentro da geladeira – ela ajuda a conservar melhor as propriedades do café. Seguindo essa orientações o café dura aproximadamente um mês.

1.3 A medida do café

As medidas mais recomendadas pelos especialistas de café e que podem ser encontradas em outras referências sobre o assunto são:

Para cada 1 litro de água, use de 80 a 100g de café em pó (5 a 6 colheres de sopa);

Para cada 100 ml de água (1 xícara), use 10g de café em pó (1 colher de sopa).

Como esse aspecto é muito particular e varia de pessoa a pessoa, com o tempo cada um acha a medida que mais lhe agrada, mas dentro desse limite, ajuste a quantidade de acordo com o seu gosto pessoal e lembre-se: quanto mais café, mais amargo e quanto menos café mais fraco.

2. MODO DE PREPARO

a) Aqueça a água até o ponto em que fervura começar (borbulhas começaram a aparecer), como mencionado antes. Lembre-se não deixe ferver.

b) Posicione o suporte no recipiente em que você irá coar o café; pode ser no bule, garrafa térmica, ou ainda, diretamente na xicara (modo estudante nível hard).

c) Posicione o filtro de papel do tamanho correto, conforme seu suporte, no interior do mesmo, e não se esqueça de dobrar as bordas do filtro para evitar que haja resquícios de café nessa parte.

Uma dica importante é: Sempre escalde bule ou a garrafa térmica (se for utilizá-la) e as xícaras e o filtro de papel também. “Escaldar” é colocar água fervente. Encha tudo com água fervente e deixe lá escaldando, até quando for utilizar as peças. Isso vai fazer com que os recipientes fiquem com uma temperatura alta, evitando uma grande troca de calor com o café (aposto que não lembra das aulas de física!?!).

d) Insira o pó de café dentro do filtro, segundo a medida recomendada, fazendo pequenas variações conforme seu gosto. Lembre-se, com o tempo você adquire experiência (e o que não faltará serão oportunidades para você adquirir experiência e quem sabe até conseguir um doutorado em medida de café).

e) Para uma melhor extração do café nivele e espalhe uniformemente o pó dentro do filtro de papel, dando pequenas batidas no suporte. Jamais pressione o pó dentro do coador por mais legal e tentador que isso possa ser.

f) Agora com a água aquecida ao ponto ideal despeje-a sobre o pó de café dentro do filtro. Tenha cuidado, não deixe nunca que a água caia em grande quantidade sobre o pó. Comece “regando” todo ele, evitando derramar água onde não há pó de café, só o filtro.

g) Após toda a superfície do pó molhada continue deixando a água cair lentamente no centro do filtro, fazendo um fio d’agua. Tente fazer com que a água caia de em uma corrente constante com a espessura como a da figura a seguir e até mais fina.

h) Esse é o momento em que o café é extraído. É ideal que esse processo seja feito em um intervalo de 4 a 6 minutos para que o café adquira um melhor sabor ao ser coado (ok, sei que você não fara isso, porque tem uma dissertação para escrever e algumas amostras para colher o resultado, mas #fikdik). A extração excessiva vai deixar a bebida amarga, desagradável. Se passar muito rápido, ela vai ficar sem sabor.

Enjoy!

3. DICAS ADICIONAIS>

Sempre que vou fazer esse néctar do deuses tenhas essas dicas em mente:

É recomendado que a água seja sempre filtrada ou mineral. Se puder ser mineral, melhor ainda.

O café pronto tem validade e é mais ou menos 1 hora – mesmo armazenado na garrafa térmica. Depois desse tempo, ele começa a oxidar e fica amargo. O ideal é coar pequenas quantidades, sempre que for tomar seu cafezinho (aí, você pensa: “ahan, senta lá Cláudia, tenho mais o que fazer do que ficar coando café toda hora”) O melhor é quando se prepara o café para tomar nos próximos 15 a 30 minutos.

Não guarde o café novo com o resto do café antigo. Regra: cafés novos sempre devem ficar separados de cafés velhos, em qualquer situação. Quando o pó fica escuro, é porque está se deteriorando. Jogue-o fora e compre outro.

Nunca reutilize o filtro de café, depois de usá-lo o mesmo deve ser descartado.

Tenha uma garrafa térmica só para o café. Sim, é de suma importância lavar muito bem a garrafa. A regra é clara: café velho e café novo não se misturam, em hipótese alguma.

As propriedades da bebida são mais bem percebidas se ela não for adoçada. Mas se fizer muita questão, coloque o açúcar ou adoçante diretamente na xícara de café e não no bule.

O ideal é que você use sempre xícaras e bule de porcelana.

Agora, umas das dicas mais importantes pra você, eu e todo mundo (cantar junto…):

Evite tomar café entre 8:00 e 9:00h da manhã, 12:00 e 13:00h e 17:00 e 18:30h!

Oras, porque o leitor mais curioso pode perguntar:

“- Fácil, extremamente fácil!!!” (Orientador, sobre o tema de sua pesquisa)

Pois o nível de Cortisol (hormônio relacionado ao estresse) nesse horários está em níveis mais elevados em nosso organismo graças ao nosso ciclos circadianos, que funcionam como um relógio biológico que nos diz quando devemos comer ou dormir, por exemplo. O Cortisol em altos níveis faz com que o seu organismo fique em um estado de alerta aí o café, que causa esse mesmo efeito, não faz a menor diferença. É como se seu corpo criasse uma resistência à droga, já que ela não é necessária. Em qualquer outra hora (tipo às 10h ou às 14h), as chances de sentir os efeitos do café parecem maiores (Via SuperInterressante e Gizmodo).

Seja como for, dá para se obter um café delicioso, para tomar assim que acordar, ou para servir para as visitas à tarde (sim, um dia você terá sofás, mesa e a chance de receber alguém em casa, quando terminar a pós e sair da sua república e o mais importante, terá tempo pra isso).

Finalmente, sim, esse tutorial foi escrito graças a muito cafeína, no estômago e na veia.

Texto escrito por Nathan Damas, Engenheiro Cartógrafo e Agrimensor, mestrando em Ciências Geodésicas pelo programa de Pós Graduação em Ciências Geodésicas da UFPR (e viciado em café). Twitter: @nathandamas