Minha maior dúvida nos primeiros meses que entrei no Mestrado era se todo aquele conhecimento embutido nos bons professores das disciplinas da pós, um dia estariam em mim.

Confesso que cheguei a me questionar se teria capacidade de ter todo aquele domínio, que transcorria não só pela área de conhecimento, mas conhecimento transdisciplinar e de vida.

Sai por muitas vezes do laboratório repleta de livros embaixo do braço (com algumas várias sugestões de final de aula do professor amigo) ou cheia de papers de indicações dos colegas de laboratório ou necessários para minha dissertação.

As vezes conseguia ler um capítulo, um livro, um artigo, mas na maioria das vezes me enrolava com qualquer outra coisa importante na semana e me sentia distante do foco, aliás sempre me sentia distante quando via várias pessoas do meu laboratório no computador por horas, enquanto eu travava, distraia com outras coisas ou mesmo não conseguia ficar tão concentrada quanto eles.

Percebi com o tempo que eu não era muito diferente dos outros, com algumas facilidades em algumas subáreas, temas, leituras, com dificuldade moderada em outras e com extrema dificuldade em alguns aspectos. Notei que cada um tem seu tempo para aprender, ler, escrever, inspirar…

Uns precisam dormir mais, outros menos, outros utilizam o final de semana para agregar, outros quase não usufruem do tempo (estes óbvio tem muita facilidade e eu mera mortal não me enquadro nisso). Aprendi que não precisa me assustar que os conceitos as vezes demoram para ser consolidados, aprendi também que as dúvidas são bem vindas e não saber se esta no caminho certo é normal e se questionar é a uma das partes mais bonitas do processo.

Observando tantas outras pessoas digo que aprendi também a julgar menos, aquele assunto que pode ser extremamente interessante e relevante pra mim dentro da minha pesquisa, por diversas vezes vai ser irrelevante ao outro coleguinha, talvez ele trace um caminho posto ao meu.

Possivelmente ele que faça leituras ou interpretações completamente diferentes das minhas mesmo sobre a mesma temática e que isso não o torna mais ou menos nada do que eu, são só dois modelos (aprendi essa palavra nova na disciplina de estatística adorei o conceito!) de pensar diferentes.

Com o tempo me tranquilizei eu sigo meu caminho… Erro, desfaço, refaço mas sempre tentando evoluir, principalmente aprendi que ser pós-graduando é ter a alma e a mente sempre aberta, estar disposto a se permitir da melhor forma possível, de inflar de conhecimentos indiferente de quais sejam, é se atentar a APRENDER dos diversos conceitos e por diferentes visões e que esse é o ponto mais difícil.

E respondendo a minha dúvida principal: será que vou aprender igualmente aos doutores, livres docentes, e professores renomados da área?

A minha resposta é: certamente não, cada um na sua experiência, na sua bagagem e na hora que eu for pra ser, só devo me certificar que me permitirei ainda aprender todos os dias e transmitir o pouco de já tenho de aprendizado.

Texto escrito por Flávia Aquino, mestranda no Programa de Biodinâmica do Movimento Humano na USP.