Dias atrás, li uma reportagem cuja chamada era:

“Pesquisador conclui que mais de 50% dos universitários são analfabetos funcionais.”

Mas gente, o que isso quer dizer? De que maneira isso nos afeta? Então, com essas perguntas na cabeça, fui em busca de mais informações, e compartilho minhas reflexões com vocês neste post.

Primeiramente, vamos aos fatos.

O estudo mais substancial que pude encontrar sobre este assunto é o do Instituto Paulo Montenegro, uma instituição sem fins lucrativos, ligada ao IBOPE e que acompanha desde 2001 os temas e projetos relacionados à educação. Este instituto desenvolveu um indicador chamado “Inaf” (Indicador de Alfabetismo Funcional). Este indicador disponibiliza “informações sobre as habilidades e práticas de leitura, escrita e matemática dos brasileiros entre 15 e 64 anos de idade, de modo a fomentar o debate público, estimular iniciativas da sociedade civil e subsidiar a formulação de políticas nas áreas de educação e cultura” (de acordo com o site do IPM).

Pois bem, então o que é uma pessoa alfabetizada funcionalmente? É a pessoa que, além de poder ler e escrever frases simples, é capaz de satisfazer as suas demandas profissionais e do dia-a-dia, como interpretar mapas, gráficos, textos mais complexos, cálculos que exijam maior atenção e desenvolver uma escrita razoável, podendo variar do nível rudimentar ao pleno de alfabetização funcional.

A cada dois anos o instituto realiza um estudo para levantar os índices do país. Nos resultados da pesquisa de 2011/2012 foi possível determinar que

“O percentual da população alfabetizada funcionalmente foi de 61% em 2001 para 73% em 2011, mas apenas um em cada 4 brasileiros domina plenamente as habilidades de leitura, escrita e matemática.” Fonte: INAF Brasil 2001 a 2011).

Além disso, levando em consideração o nível de escolaridade, esta pesquisa concluiu que, entre 2011 e 2012, 27% da população brasileira com nível superior estava nos níveis analfabeto (6%) e rudimentar (21%) da alfabetização funcional, ou seja, possuíam pouquíssima capacidade de produção e interpretação textual e numérica.

Então o pesquisador que afirmou que esse número seria de 50% está errado?

Não necessariamente. Aqui vai depender da amostragem que buscamos, e enquanto a Inaf busca dados em todo o Brasil, o pesquisador buscou seus dados na capital do país, em apenas 4 universidades. A quantidade de alunos analisada ali foi de 800, dentro de um universo pequeno de universidades, em comparação com a pesquisa nacional.

Mas, o fato é que, atingindo 50% ou de 27%, a baixa capacidade de assimilação de leitura ou numérica é alarmante. Comentários acerca destas pesquisas afirmam que a “culpa” é da escola pública que não prepara os alunos para a entrada no universo acadêmico, outros dizem que é do fraco processo de seleção e admissão das novas universidades particulares que transformam o ensino em mercadoria, visando o lucro à frente da qualidade.

A questão que quero levantar aqui é: que tipo de profissionais estes estudantes se tornarão? Neste aspecto, o título da graduação é um título formal, mas que na verdade não configura, realmente, a capacidade intelectual e profissional de seu portador.

Assim como acontece com a educação básica em nosso país, onde quase a totalidade de nossos jovens e adultos ostentam um diploma de ensino médio completo, mas na verdade a qualidade deste ensino não se reflete na prática.

Sendo reflexo de um problema que afeta nosso país desde muito tempo, os resultados destas pesquisas refletem uma história de medidas paliativas e maquiadoras, afetando educandos e educadores de maneira prolongada e profunda.