“Se a gente faz uma coisa bem demais, aí, depois de algum tempo, se não tiver muito cuidado, começa a se exibir. E aí a gente deixa de ser bom de verdade.” –
O apanhador no campo de centeio

Um tipo muito comum que observo na pós-graduação é o vaidoso. O ambiente que valoriza o conhecimento é propício para que as pessoas exibam aos quatro ventos seus dotes intelectuais.

Alguns exemplos que me vêm à mente são os alunos que usam citações a cada frase mesmo em conversas informais, os professores que exigem ser tratados como doutores e se julgam superiores aos outros, etc.

Estas pessoas necessitam ficar em posição de destaque, querem ser admiradas pelos outros e seu trabalho torna-se um meio para atingir tal visibilidade. Tornam-se cientistas não pela contribuição que podem trazer à sociedade, mas pelo status que a ciência lhes proporciona. Há aí uma inversão de valores, penso eu.

Observo pesquisadores que se julgam tão importantes que tratam as pessoas como subordinados e exigem que sejam tratados por todos como “Dr Fulano”. Muitas vezes, no entanto, a arrogância que toma conta destas pessoas nada tem a ver com a verdadeira importância do trabalho que realizam.

Pare e pense como tratamos professores de nível básico, bombeiros, lixeiros, entre outros. O trabalho destas pessoas é menos importante do que o de um cientista? Podem discordar do que vou dizer, mas acredito que em muitos casos, a importância do cientista é bem menor, considerando o impacto efetivo que provocam na sociedade.

O que me admira é que existem muitas pessoas puxa-saco que alimentam a vaidade alheia. Vejo alunos que aceitam ser colocados em posição inferior por seus orientadores. É como se admitissem que a superioridade existe, que o título de doutor, a inteligência ou a importância de seu trabalho garantem a estas pessoas o direito de tratar os outros com desrespeito e arrogância.

Quando questionados, alguns chegam a afirmar que é um privilégio poder conviver com estas pessoas devido à sua importância. Outros, mais conscientes, acreditam que vale a pena sofrer um pouco em troca de aprendizado, que as humilhações fazem parte do percurso.

Será que realmente vale a pena?

Vocês poderão dizer que nem sempre é possível escolher, mas eu discordo. Sempre há escolha. Você é quem decide se irá se submeter ou não a esse tipo de situação. A escolha é individual, assim como a responsabilidade por suas consequências também o é.

O que me preocupa é que enquanto houver discípulos para alimentar a arrogância de algumas pessoas, a situação não mudará. Além disso, há sempre uma tendência da criatura espelhar-se em seu criador e assim perpetuar a espécie.